A bula Aeternus Ille, promulgada pelo Papa Sisto V, constitui um dos documentos mais importantes para compreender a história da edição católica da Bíblia no final do século XVI. Publicada em conexão com a edição da Vulgata Latina impressa na Tipografia Vaticana, a bula apresenta as razões, os critérios e as determinações que presidiram à revisão do texto bíblico empreendida por ordem do pontífice. Sisto V recorda, inicialmente, a decisão do Concílio de Trento, que havia determinado que a antiga e Vulgata edição da Bíblia Latina, utilizada durante séculos na Igreja, fosse considerada autêntica nas leituras públicas, disputas, pregações e exposições. Ao mesmo tempo, reconhece que a transmissão manuscrita e impressa havia produzido numerosas variantes, tornando necessária uma cuidadosa revisão do texto.
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AETERNUS ILLE
SISTO, BISPO
SERVO DOS SERVOS DE DEUS.
PARA PERPÉTUA MEMÓRIA DO FATO.
Aquele Deus eterno, Criador e Governador de todas as coisas celestes e terrestres, plantou maravilhosamente com sua própria mão a Santa Igreja, como um jardim de delícias, à maneira de um Agricultor providente, com diversas plantas e árvores; e, ao mesmo tempo, regou-a de tal modo com a abundante fonte das Sagradas Escrituras, difundida por toda a extensão do mundo como que através de numerosos rios, que os santos mistérios e os oráculos divinos contidos nos livros sagrados, assim como foram preparados para a salvação de todas as nações, assim também fossem proclamados sobretudo por aquelas três línguas que mais ressoaram aos ouvidos de todos os povos e que, além disso, foram consagradas pelo título da Santíssima Cruz, proclamando em letras hebraicas, gregas e latinas o Reino de nosso Salvador.
Mas o astutissíssimo e perversíssimo inimigo do gênero humano, cuja inveja foi o aguilhão da morte e cuja soberba foi mestra do pecado, não deixou pedra alguma por mover para que, tanto quanto estivesse em seu poder, ou sufocasse a semente celeste da palavra divina enquanto nascia, ou arrancasse aquela que já havia brotado, ou corrompesse aquela que já havia crescido. E tentou isso sobretudo com todo esforço e artifício, para que viessem à luz algumas edições extremamente corrompidas dos livros sagrados e, assim, a impiedade se escondesse sob a aparência da piedade, oferecendo aos povos escória em lugar de prata, fel de dragões em lugar de vinho e podridão em lugar de leite.
E, como não somente entre os hereges, mas também entre alguns católicos, embora por intenção diversa, tenha surgido um certo estudo excessivo e não inteiramente louvável, e quase uma paixão, de interpretar as Escrituras em latim, o mesmo Satanás, artífice de todos os males, servindo-se deles, embora nada disso tivessem em mente, aproveitou a ocasião proporcionada por tamanha incerteza e multiplicidade e variedade das versões para misturar tudo de tal maneira, pôr tudo em dúvida e, se fosse possível, levar a situação a tal ponto que, enquanto os diversos intérpretes revestissem as palavras das Escrituras de formas e aparências sempre diferentes, parecesse que nelas não se pudesse encontrar nada de certo, nada de estabelecido e firme, nenhuma autoridade, enfim, inviolável, sem grande dificuldade.
Assim, neste século, houve grande temor de que retornássemos àquele antigo Caos das edições, do qual o Bem-aventurado Jerônimo diz: “Entre os latinos há tantos exemplares quantos códices; e cada um, conforme seu arbítrio, acrescentou ou retirou aquilo que lhe pareceu conveniente; e, evidentemente, não pode ser verdadeiro aquilo que está em desacordo.” Do mesmo modo, Santo Agostinho disse que os intérpretes latinos das Escrituras de modo algum poderiam ser contados. Pois, como afirma, “nos primeiros tempos da fé, conforme chegava às mãos de cada um um códice grego, e este parecia possuir alguma capacidade nas duas línguas, ousou interpretá-lo”.
Por isso, desejando o Sacrossanto Concílio de Trento remediar essa enfermidade, estabeleceu que, dentre todas as edições latinas dos livros sagrados que circulavam, aquela antiga e Vulgata edição, que havia sido aprovada na Igreja pelo longo uso de tantos séculos, fosse tida como autêntica nas leituras públicas, disputas, pregações e exposições, e que ninguém ousasse ou presumisse rejeitá-la sob qualquer pretexto.
Entretanto, embora esta edição Vulgata fosse uma só, parecia de certo modo estar dividida em muitas edições por causa das diversas leituras. Embora algumas delas tivessem recebido a autoridade de antigos códices ou dos Santos Padres, muitas outras, contudo, haviam surgido pela injúria dos tempos, pela negligência dos copistas, pela imperícia dos impressores, pela licença daqueles que corrigiam temerariamente, pela audácia de intérpretes mais recentes, os quais, embora filhos da Igreja, julgaram, contudo, que deviam seguir mais o costume dos rabinos judeus do que o dos doutores da Igreja, ou, finalmente, haviam penetrado por meio das anotações dos hereges nas margens e de suas enganosas artimanhas.
E, embora em tamanha variedade de leituras até então nada tivesse sido encontrado que pudesse lançar trevas sobre as questões da fé e dos costumes, era, contudo, de temer que, crescendo cada dia mais a temeridade de acrescentar e retirar coisas, esta edição das Escrituras, tão aprovada, que deveria ser vínculo da paz, unidade da fé, laço da caridade, concórdia dos que dissentem e norma certíssima nas coisas duvidosas, viesse, ao contrário, para muitos, a tornar-se instrumento de cisma e heresia, fonte de ondas de dúvidas, emaranhamento de questões, sementeira de discórdias e múltipla perturbação das mentes piedosas.
Isso, segundo recordam o Bem-aventurado Jerônimo na edição grega dos Setenta e Santo Agostinho na latina, já havia acontecido antigamente.
Para que tamanha corrupção não continuasse a espalhar-se e, pouco a pouco, passasse à nossa edição Vulgata, o mesmo Concílio Ecumênico de Trento sabiamente decretou que esta mesma edição Antiga e Vulgata fosse, doravante, impressa com a máxima correção possível.
Mas de nada teria adiantado confirmar com tão grave decreto a autoridade desta edição se não se soubesse qual era a leitura genuína dela, e se o texto sagrado ficasse entregue ao arbítrio dos que discutem, de tal modo que aquilo que havia sido desembainhado contra o pérfido inimigo como espada poderosíssima pudesse tornar-se também um escudo com o qual se protegessem os flancos já enfraquecidos e abatidos do inimigo.
Nós, portanto, suportando isso com indignação, e ainda maior indignação porque, durante os vinte e dois anos que transcorreram desde o referido decreto do Concílio de Trento até o início de nosso Pontificado, embora tal obra tivesse sido iniciada em algum momento, foi contudo interrompida, talvez por outras ocupações, e nenhum remédio foi aplicado a este mal iminente, e julgando, por isso, que deveríamos prosseguir nesta tarefa com tanto maior cuidado e empenho quanto mais ela é desejada por todas as Igrejas de Deus e mais é temida pelas sinagogas de Satanás, assim que a misericórdia divina nos chamou, embora sem merecimento proporcional, à Sé Apostólica do Bem-aventurado Pedro, nada tivemos por mais urgente do que empreender, na primeira oportunidade, a tão desejada correção da edição Vulgata.
Assim, escolhemos e reunimos muitos homens doutos que se distinguiam pelo conhecimento das Sagradas Escrituras, da Teologia Sagrada e de muitas línguas, bem como pelo longo uso de diversos conhecimentos e por agudo discernimento e habilidade quando algo precisava ser examinado, para que trabalhassem diligentemente na investigação da edição genuína e sincera do texto sagrado e nos prestassem auxílio.
Nós, considerando a grandeza da obra e ponderando prudentemente que, por singular e especial privilégio de Deus, e pela verdadeira e legítima sucessão do Príncipe dos Apóstolos, o Bem-aventurado Pedro, por quem nosso Senhor e Redentor, sem dúvida ouvido pelo Pai eterno por causa de sua reverência, não apenas uma vez, mas sempre rogou para que sua fé, revelada a ele não pela carne e pelo sangue humanos, mas pelo próprio Pai que o inspirava, jamais faltasse, a quem o Senhor também ordenou que confirmasse os demais Apóstolos na mesma fé; e que ele, como confiamos, não cessa de implorar por nós a ajuda divina prometida à Igreja Católica até a consumação dos séculos, julgamos que, estando nós constituídos, pela disposição de Deus, na mesma Cátedra de Pedro, na qual vive seu poder e se destaca sua autoridade, esta tarefa pertence própria e especialmente a nós.
Invocando, pois, humildemente o auxílio de Deus Todo-Poderoso e confiando na autoridade do próprio Príncipe dos Apóstolos, não nos esquivamos, para o bem público da Santa Igreja de Deus, entre as demais ocupações da solicitude pontifícia, de assumir também este não pequeno trabalho de cuidadosa investigação, lendo tudo aquilo que outros haviam reunido ou julgado, ponderando as razões das diversas leituras, examinando novamente as opiniões dos Santos Doutores e decidindo quais deveriam ser preferidas a quais.
Assim, no curso desta laboriosíssima correção, para a qual decidimos dedicar diariamente nosso trabalho, e por várias horas, o trabalho dos outros consistiu em consultar, enquanto o nosso consistiu em escolher aquilo que havia de melhor entre muitas coisas; conservamos, contudo, inteiramente a antiga leitura recebida na Igreja há muitos séculos.
Enquanto isso, construímos magnificamente, em nosso Palácio Apostólico Vaticano, uma nova Tipografia, especialmente para este fim, e designamos para sua direção uma Congregação de alguns Cardeais da Santa Igreja Romana e um ilustre Colégio de homens doutíssimos, provenientes de quase todas as nações do mundo cristão e das mais célebres universidades de estudos gerais, dotado de amplas e abundantes rendas, para que nela fosse impresso o volume da Bíblia já corrigido.
E, para que esta obra fosse realizada com a maior incorruptibilidade possível, nós mesmos corrigimos com nossa própria mão aquilo que porventura tivesse entrado de errado no prelo; e aquilo que estivesse confuso ou pudesse facilmente ser confundido, distinguimo-lo por meio de espaçamento na escrita, letras maiores e pontuação.
Além disso, para que não se ignorem as razões de nosso propósito e empreendimento, mas, ao contrário, sejam elas conhecidas e atestadas por toda a Igreja Católica e pela própria posteridade, e para que todos entendam facilmente qual foi a ordem seguida na realização desta obra, qual lei e método foram adotados e qual norma de investigação da verdade foi observada por nós, queremos que isto seja certo e conhecido por todos: nossos trabalhos e vigílias nunca tiveram por objetivo fazer surgir uma nova edição, mas sim fazer com que a antiga Vulgata, segundo a prescrição do Sínodo de Trento, fosse impressa tão perfeitamente corrigida quanto possível e restituída à sua primitiva pureza, tal como originalmente procedera das mãos e da pena de seu próprio intérprete, na medida em que isso pudesse ser feito.
Na investigação do texto genuíno, é suficientemente evidente entre todos que nenhum argumento é mais certo e firme do que a autoridade dos antigos e aprovados códices latinos, tanto impressos quanto manuscritos, que providenciamos fossem procurados em diversas bibliotecas.
Assim, em qualquer leitura na qual se descobrisse que vários livros mais antigos e mais corretos concordavam, decidimos que ela deveria ser mantida, com toda justiça, como as palavras do texto primitivo ou as que mais dele se aproximassem.
Quando faltava algum apoio para estabelecer solidamente a edição genuína, serviram então de auxílio as explicações dos Santos Padres e dos antigos comentadores, pelos quais foram esclarecidos diversos lugares e livros das Escrituras; tudo aquilo que se mostrou útil para nossa tarefa foi incorporado a esta obra.
Finalmente, naquelas passagens que não pareciam suficientemente sustentadas nem pela grande concordância dos códices nem pela dos Doutores, julgamos necessário recorrer aos exemplares hebraicos e gregos; não, contudo, para corrigir a partir deles os erros do intérprete latino, mas para que, no lugar daquelas palavras que, sendo ambíguas entre os latinos, pudessem ser desviadas para um sentido que não conviesse, fosse fornecido algo certo e indubitável; ou para que aquilo que, por causa da variedade dos códices, era entre nós instável, diverso e múltiplo, fosse estabelecido como uniforme, concorde e único, uma vez conhecida a verdade das próprias fontes.
Pois sabiamente o Bem-aventurado Jerônimo, Doutor Máximo na explicação das Sagradas Escrituras, advertia que, assim como no Novo Testamento, quando entre os latinos surge alguma questão e existe variedade entre os exemplares, costuma-se recorrer à fonte da língua grega, na qual o Novo Testamento foi escrito, regra que também o Bem-aventurado Agostinho transmitiu, entre outras, àqueles que tratam das Escrituras.
Seguimos, portanto, religiosamente o louvável costume dos Santos Padres, quando se aplicou diligente cautela àquelas passagens que entre os latinos estavam expressas ou variadas de maneira excessivamente ambígua.
Não ignoramos, porém, que muitos consideram que numerosas palavras e expressões desta edição latina poderiam ter sido traduzidas pelo intérprete latino de maneira mais própria, elegante, clara, breve, abundante ou, como se diz, palavra por palavra.
Mas parece excessivamente minuciosa e estreita a discussão dessas coisas. Elas não têm tamanha importância que a autoridade da religião da Igreja antiga e dos Santíssimos Padres não deva ser justamente colocada acima delas. E é absolutamente indigno, como testemunha o Bem-aventurado Gregório, que as palavras do oráculo celeste sejam restringidas pelas regras de Donato.
Além disso, é tão grande a autoridade da edição Vulgata e tão excelente sua superioridade que parece completamente inútil desejar algo maior.
Pois os livros nela contidos, como nos foi transmitido por nossos antepassados, por assim dizer, de mão em mão, foram conservados em parte de uma edição latina comum e antiquíssima, que São Jerônimo chama de edição Vulgata, Santo Agostinho de Itala e São Gregório de antiga tradução; e esta Santo Agostinho considerou que deveria ser preferida às demais, das quais então havia muitas em uso, porque era mais fiel às palavras juntamente com a clareza do sentido.
Em parte, foram acrescentados da tradução de São Jerônimo; e qualquer pessoa compreende facilmente quanto respeito lhes deve ser prestado quando reconhece a dignidade desse intérprete.
Com efeito, São Jerônimo, como testemunha, entre outros, o próprio Bem-aventurado Agostinho, era instruído na eloquência grega, latina e hebraica e, passando da Igreja ocidental para a oriental, viveu até idade avançada nos lugares santos e nas letras sagradas. Conheceu ou leu quase todos os que, antes dele, haviam escrito sobre a doutrina da Igreja em ambas as partes do mundo.
E não somente Agostinho, Cromácio, Paulino e outros santíssimos Bispos, mas também o Pontífice Romano Dâmaso, consultavam-no sobre as passagens das Escrituras.
Não sem razão havia adquirido tão grande fama entre todos, especialmente no conhecimento das Sagradas Escrituras, pois não poupou vigílias nem viagens para alcançá-lo; ouviu os homens mais doutos na Gália; em Constantinopla, Gregório Nazianzeno; em Alexandria, Dídimo; e procurou outros em diversos lugares, utilizando, finalmente, os mais ilustres mestres da língua hebraica.
Não se contentava com um único mestre, mas recorria a muitos, e aos mais eruditos. Era diligente investigador não somente das coisas, mas também dos nomes.
Mais ainda: examinou os próprios lugares frequentemente mencionados nas Escrituras, e testemunha que isso lhe foi de máxima utilidade para a compreensão das Escrituras.
Quem quer que examine diligentemente a santidade, o engenho, a erudição, a diligência, os mestres e os trabalhos de tão grande intérprete, bem como o século em que viveu, quando floresciam os estudos de todas as línguas, especialmente da hebraica, facilmente condenará o juízo daqueles que não se contentam com os trabalhos de tão eminente Doutor ou que confiam poder produzir algo melhor ou igual.
Muito mais corretamente procederam Santo Isidoro, o venerável presbítero Beda, São Remígio, Alcuíno, Fortunato, Rábano Mauro, Santo Anselmo, o Bem-aventurado Bernardo, Haymo, Ricardo e Hugo de Vitor, Pedro de Cluny, o Abade Rupert e muitos outros ilustres Doutores que brilharam na Igreja durante os últimos mil anos.
Todos eles usaram a tradução de Jerônimo em suas disputas, explicações e discursos, de tal maneira que as demais traduções, quase inumeráveis, como que caíram das mãos dos Padres Católicos e ficaram obsoletas.
Por isso lemos em Santo Isidoro que, “do hebraico para a língua latina, somente São Jerônimo traduziu as Sagradas Escrituras; sua edição é usada geralmente por todas as Igrejas em toda parte, porque é mais verdadeira nos sentidos e mais clara nas palavras”.
E antes de Isidoro, o Bem-aventurado Gregório Magno havia pensado quase da mesma maneira.
E não somente os Padres latinos, mas também os hebreus e gregos, embora desprezassem ou ignorassem os demais intérpretes latinos, consideraram, contudo, que Jerônimo era digno de seu mais amplo testemunho e honra.
Pois, acerca dos hebreus, diz o mesmo Agostinho; quanto aos gregos, o próprio São Jerônimo escreve que Sófronio, homem muito bem instruído, traduziu para o grego, em linguagem elegante, o Saltério e os Profetas que Jerônimo havia traduzido do hebraico para o latim.
Assim como, portanto, é louvável procurar o auxílio das línguas estrangeiras sempre que nossos próprios códices não podem, por si mesmos, ser conciliados ou compreendidos, também, quando isso não é necessário, não respeitar, por razões levíssimas, a santidade, a sabedoria, o consenso de nossos antepassados e o antiquíssimo costume da Igreja deve ser considerado pura temeridade e obstinação.
Por isso o Bem-aventurado Jerônimo, que adverte que os hebreus e gregos devem ser consultados nas coisas duvidosas, pensa igualmente que se deve recorrer a eles apenas moderadamente e o mais raramente possível, para que não se faça vacilar aquilo que foi recebido pelo longo uso.
Por essa razão, quanto à tradução do Novo Testamento, embora instado pelo Pontífice Dâmaso, foi mais lento, chamando-a trabalho piedoso, mas presunção perigosa: julgar os demais quando todos deveriam julgá-lo; mudar a língua e fazer o mundo já envelhecido retornar aos princípios da infância.
Pois quem, instruído ou ignorante, ao tomar um volume nas mãos e perceber, pela tradição que uma vez recebeu, que aquilo que lê está diferente, não irromperia imediatamente em protestos, chamando de falsificador e sacrílego aquele que ousasse acrescentar, mudar ou corrigir algo nas letras antigas?
É muito conhecido também o caso da “hera” de Jonas. Na antiga edição lia-se uma determinada palavra; Jerônimo colocou “hera” em seu lugar. Quando um certo Bispo da África lia na Igreja a interpretação de Jerônimo, houve tamanha agitação entre o povo por causa da discordância de uma única palavra que o Bispo, para não ser deposto de seu sacerdócio, foi obrigado a condenar aquilo que havia lido.
Por isso, com razão, o Sacrossanto Concílio de Trento decretou que os livros da antiga edição Vulgata fossem recebidos como canônicos não de outro modo senão conforme o modo como se costumava lê-los na Igreja.
Nós, portanto, para que esta edição Antiga, que agora vem a público impressa em nosso prelo, correspondesse em todos os aspectos à prescrição do mesmo Sínodo, não somente conservamos os antigos modos de falar recebidos pela Igreja, mas também rejeitamos os apócrifos e conservamos os autênticos.
Assim, os livros intitulados Terceiro e Quarto de Esdras e o Terceiro dos Macabeus, que o Sínodo não enumera entre os canônicos, com o consentimento também dos referidos Cardeais da Congregação encarregada da Tipografia Vaticana, expulsamos inteiramente desta edição.
Também rejeitamos, como algo inserido e acrescentado, sem lugar no texto dos livros sagrados, a Oração de Manassés, que não existe no texto hebraico nem no grego, nem se encontra nos exemplares latinos manuscritos mais antigos, mas foi anexada somente nas edições impressas depois do Segundo Livro das Crônicas.
Também eliminamos algumas sentenças que, provenientes de outros lugares, haviam sido inseridas na edição Vulgata e que não eram encontradas nem nos antigos exemplares nem nos comentários dos Santos Padres.
Finalmente, corrigimos e purificamos cuidadosamente esta edição dos vários erros que haviam penetrado por culpa de muitos, e a restituímos, com máxima diligência, à sua verdade primitiva.
Não há, portanto, razão para que alguém se admire se encontrar em alguns Santos Doutores certas passagens das Sagradas Escrituras de maneira diferente daquela em que estão escritas nesta edição. Pois Ambrósio, Agostinho e muitos outros seguiram frequentemente a edição dos Setenta.
Portanto, para louvor e glória de Deus Todo-Poderoso, conservação e incremento da fé católica e utilidade da Santa Igreja universal, por meio desta nossa Constituição, que há de valer perpetuamente, com o conselho e consentimento dos veneráveis nossos Irmãos Cardeais da Santa Igreja Romana encarregados da Tipografia Vaticana, cuja obra e diligência utilizamos nesta mesma correção da edição Vulgata, especialmente nas questões mais importantes, por nosso conhecimento certo e pela plenitude do poder apostólico, estabelecemos e declaramos que aquela edição latina da página sagrada, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, a edição Vulgata que foi recebida como autêntica pelo Concílio de Trento, deve ser considerada, sem qualquer dúvida ou controvérsia, precisamente esta que agora, corrigida da melhor maneira possível e impressa na Tipografia Vaticana, publicamos para ser lida em toda a República Cristã e em todas as Igrejas do mundo cristão.
Decretamos que ela, primeiramente pelo consenso da Santa Igreja universal e dos Santos Padres, depois pelo decreto do Concílio Geral de Trento e agora também pela autoridade Apostólica que nos foi transmitida pelo Senhor, deve ser recebida e mantida como verdadeira, legítima, autêntica e indubitável em todas as disputas, leituras, pregações e explicações públicas e privadas.
Proibimos, porém, de maneira rigorosíssima, que em qualquer tempo futuro seja impresso o texto de uma nova edição da Vulgata da Bíblia sem a expressa licença da Sé Apostólica.
E que ninguém, por seu sentido privado ou particular, se atreva ou presuma fabricar para si outra edição; nem que alguém se atreva ou presuma imprimir esta mesma edição Antiga Vulgata, por nós restaurada como foi dito, durante os dez anos contados a partir da data destas presentes letras, tanto aquém como além dos montes, em qualquer outro lugar que não seja nossa Tipografia Vaticana.
Depois de transcorrido o referido decênio, ordenamos que se tome esta precaução: ninguém presuma imprimir as Sagradas Escrituras sem antes possuir um exemplar impresso na Tipografia Vaticana, assinado de próprio punho pelo Inquisidor da herética depravação daquela província ou, se não houver Inquisidor designado naquela província, pelo Bispo do mesmo lugar, devendo ser seguido aquele exemplar sem que a menor partícula seja mudada, acrescentada ou retirada.
Depois que os livros sagrados tiverem sido assim fielmente impressos, nem mesmo então sejam vendidos ou publicados, a menos que o exemplar anteriormente assinado pelo Inquisidor ou, na falta dele, pelo Bispo, seja novamente apresentado a ele; e que os mesmos livros, impressos de acordo com aquele exemplar, sejam cuidadosamente comparados com ele e aprovados mediante o sinal ou assinatura do Inquisidor ou, no caso mencionado, do Bispo, que dê fé e testemunho de que os dois exemplares concordam inteiramente.
Mas, porque das diversas leituras que até agora se costumava escrever nas margens resulta este inconveniente e incômodo, pois, tão logo tal variedade se apresenta aos olhos, desvia a mente do leitor daquilo que então deve ser feito e a conduz, em momento inteiramente inoportuno, a comparar entre si aquilo que difere nos códices, e porque não é fácil, em tamanha multiplicidade de leituras, percorrer as Escrituras sem tropeçar e discernir, em meio à floresta de diversidades apresentada, quais leituras devem ser preferidas a quais outras, nós julgamos que seria melhor e agradável a todos os piedosos que os filhos da Igreja fossem libertados dessas perplexidades pelo juízo da própria Igreja, e que aqueles que têm um só batismo, uma só fé e uma só esperança da vocação não fossem divididos por uma leitura discordante das Escrituras, quando sobretudo a concordância nelas deveria uni-los no vínculo do espírito.
Por isso, pela autoridade e pelo teor acima expostos, ordenamos que, doravante, as Bíblias da edição Vulgata sejam impressas somente de maneira uniforme, e que nada diferente do texto seja escrito na margem.
Quanto às que anteriormente foram impressas em quaisquer lugares, ordenamos que sejam corrigidas palavra por palavra e letra por letra segundo este nosso texto.
E isto seja observado tanto nos Missais já impressos quanto nos que ainda serão impressos, bem como nos Rituais, Pontificais, Cerimoniais e outros livros eclesiásticos, somente no que diz respeito às leituras e palavras das Escrituras que, tomadas da edição Vulgata, conste terem sido inseridas nesses mesmos livros.
Se algum impressor, em quaisquer reinos, cidades, províncias e lugares, tanto sujeitos temporalmente ao nosso domínio e ao da Santa Igreja Romana quanto não sujeitos, durante o referido decênio de qualquer maneira imprimir a Bíblia e a Sagrada Escritura; ou, transcorrido o decênio, de outra maneira que não segundo o exemplar que lhe deverá ser entregue pelo Inquisidor ou, na falta deste, pelo Bispo, tendo sido mudada, acrescentada ou retirada até mesmo a menor partícula, ou tendo sido acrescentada algo à margem ou ao texto, ainda que sob a forma de escólios, anotações ou glosas; ou vender, manter à venda ou de outro modo editar ou publicar tais códices impressos e corrigidos sem o referido sinal e testemunho de que concordam com o exemplar anterior que lhe foi entregue como prescrito; ou se algum livreiro ousar vender, oferecer à venda ou publicar livros impressos por ele ou por quaisquer outros, até o presente dia ou no futuro, antes ou depois da data destas letras, que de algum modo discrepem da edição por nós restaurada e corrigida, ou que não tenham sido corrigidos exatamente segundo ela, nem aprovados com semelhante assinatura do Inquisidor ou do Bispo, ou que tenham sido impressos com acréscimos ou diversas leituras escritas à margem; aquele que, nos casos acima mencionados, ou em qualquer um deles, não obedecer à nossa presente Constituição, além da perda de todos os livros e das outras penas temporais que deverão ser infligidas segundo o arbítrio, incorrerá também, por esse mesmo fato, na pena de excomunhão maior, da qual, exceto se estiver em artigo de morte, não poderá ser absolvido por outro senão pelo Romano Pontífice então reinante.
E se o Inquisidor ou o Bispo tiver entregue ou aprovado com seu sinal ou assinatura um exemplar diferente daquele que lhe foi entregue na Tipografia Vaticana para impressão, ou daquele que foi impresso e aprovado por seu sinal ou assinatura, e que realmente dele discorde, então nós, desde agora, por estas presentes letras, impomos a esse indivíduo, se for um Bispo, ainda que brilhe com dignidade arquiepiscopal, primacial, patriarcal ou outra maior, a pena de interdição de entrada na Igreja; se for de dignidade inferior, a pena de excomunhão, a ser incorrida pelo próprio fato, de modo que não possa obter de outro senão do Romano Pontífice o benefício da absolvição ou relaxamento.
E, não obstante, tanto o próprio Inquisidor ou Bispo que tiver aprovado livros que diferem da referida impressão Vaticana quanto o impressor ou livreiro que, em qualquer coisa, não tiver obedecido aos nossos preceitos e proibições acima expressos, deverá prestar contas desse fato em rigoroso julgamento perante a Congregação dos Cardeais da Santa Igreja Romana e da Inquisição universal, então encarregada contra a depravação herética, ou perante o juiz ou juízes delegados pela mesma Congregação, e será punido conforme o grau de sua culpa, segundo o arbítrio das penas mais severas da mesma Congregação ou do juiz ou juízes por ela designados.
Além disso, se Bíblias manuscritas ou impressas, inclusive desta edição Vulgata, forem conservadas por causa da beleza dos caracteres, de algum ornamento notável do códice, da excelência da impressão ou das anotações escritas nas margens, e não tiverem sido corrigidas segundo este nosso exemplar, decretamos e declaramos que, quanto àquilo em que não concordarem com nossa edição, não terão no futuro nenhuma fé nem autoridade.
Ordenamos a todos e a cada um dos Patriarcas, Arcebispos, Bispos e demais Prelados das Igrejas e dos lugares, inclusive regulares, constituídos em todo o mundo, que façam observar perpetuamente, firmemente e inviolavelmente por todos, em suas respectivas Igrejas, Províncias, Cidades, Dioceses e jurisdições, esta presente Constituição; e que contenham os contraditores e desobedientes por meio das censuras eclesiásticas e dos demais remédios oportunos de direito e de fato, sem consideração a apelação, invocando também, se necessário, para isso o auxílio do braço secular.
Isso, não obstante as constituições e ordenações apostólicas, bem como aquelas promulgadas em Concílios Gerais, Provinciais ou Sinodais, e também os estatutos e costumes de quaisquer Igrejas, Ordens, Congregações, Colégios e Universidades, inclusive de estudos gerais, fortalecidos por juramento, confirmação apostólica ou qualquer outra forma de firmeza, ainda que observados pacificamente desde tempos imemoriais; e também não obstante os privilégios, indultos e letras apostólicas concedidos e frequentemente aprovados e renovados por quaisquer Romanos Pontífices, nossos predecessores, ou por nós e pela referida Sé, por iniciativa própria, com conhecimento certo e pela plenitude do poder apostólico, ou de qualquer outro modo, sob quaisquer teores e formas e com quaisquer cláusulas, inclusive cláusulas derrogatórias de derrogações e outras mais eficazes e insólitas, bem como decretos invalidantes e outros, concedidos de qualquer modo em geral ou em particular.
E embora em tais documentos se estabeleça expressamente que deles não se possa derrogar de modo algum, ou somente com o consentimento de determinadas pessoas, ou somente sob certos modos e formas ali expressos, e que as derrogações feitas de outro modo sejam nulas pelo próprio fato, e que, para sua suficiente derrogação, deva haver menção especial, específica e expressa deles e de todo o seu teor, ou deva ser observada alguma outra forma especial para esse fim, nós, considerando tais teores como expressos, derrogamos a eles somente para os efeitos destas presentes letras e não queremos que de modo algum sirvam a alguém contra as disposições acima.
E, se a alguns tiver sido concedido pela Sé Apostólica, conjuntamente ou separadamente, que não possam ser interditados, suspensos ou excomungados por letras apostólicas que não façam menção plena e expressa, palavra por palavra, de tal indulto, também queremos que isso não tenha efeito contra o que acima foi estabelecido.
Queremos ainda que estas presentes letras sejam, segundo o costume, publicadas nas portas da Basílica Lateranense, da Basílica do Príncipe dos Apóstolos na Cidade e da Chancelaria Apostólica, e que, no prazo de quatro meses, aqueles que se encontram aquém dos montes, e, para aqueles que se encontram além dos montes, no prazo de oito meses a contar do dia dessa publicação, sejam por elas obrigados e atingidos como se tivessem sido pessoalmente intimados.
Decretamos que às suas transcrições, ainda que impressas, assinadas pela mão de notário público e seladas com o selo de um Prelado eclesiástico, seja atribuída em toda parte a mesma fé que seria atribuída aos próprios originais quando apresentados ou mostrados.
Portanto, ninguém absolutamente seja permitido infringir esta página de nosso estatuto, declaração, decretos, vontades, proibição e derrogação, ou opor-se a ela com temerário atrevimento.
Se, contudo, alguém presumir tentar fazê-lo, saiba que incorrerá na indignação de Deus Todo-Poderoso e dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo.
Dado em Roma, junto a Santa Maria Maior, no ano da Encarnação do Senhor de 1589, nas Calendas de março, no quinto ano de nosso Pontificado.
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Aeternus ille coelestium, terrestriumque rerum omnium conditor, ac moderator Deus, Ecclesiam sanctam, veluti deliciarum Paradisum, sua ipsemet dextera, tamquam providus Agricola, variis plantis, stirpibusque mirifice consevit, simulque uberrimo sacrarum eandem scripturarum fonte, pluribus quasi fluviis, in universum terrarum orbem diffuso, sic irrigavit, ut sancta mysteria, oraculaque divina, quae sacris continentur libris, sicut in cunctarum gentium salutem parabantur, ita a tribus illis potissimum enunciarentur linguis, quae in omnium auribus nationum maxime percrebuerunt, nec non sanctissimae Crucis titulo consecratae, Salvatoris nostri Regnum, Hebraeis, Graecis, ac Latinis literis praedicarunt. Verum callidissimus, ac nequissimus humani generis hostis, cujus invidia mortis aculeus, cujus superbia peccandi magisterium fuit, nullum non movit lapidem, ut coelestem divini verbi sementem, quantum in ipso erat, aut nascentem opprimeret, aut extirparet enatam, aut adultam vitiaret : id vero praecipue omni conatu, ac machinatione tentavit, ut sacrorum quaedam corruptissimae Bibliorum editiones prodirent, atque ita impietas sub pietatis figura delitesceret, ac populis scoria pro argento, fel draconum pro vino, pro lacte sanies obtruderetur. Cumque non in Haereticis tantum, sed in Catholicis etiam quibusdam, tametsi consilio dissimili, subortum sit nimium quoddam nec plane laudabile studium, et quasi libido scripturas Latine interpretandi : idem malorum omnium artifex Satanas per illos, licet nihil tale cogitantes, ex hac ipsa tam incerta, ac multiplici versionum diversitate et varietate sumpta occasione sic miscere omnia, atque in dubium revocare, et, si fieri posset, rem eo perducere contendit, ut dum scripturarum verbis diversi interpretes aliam atque aliam formam, ac speciem induunt, nihil in iis certi, nihil rati, ac firmi, nulla denique inviolabilis auctoritas sine magna difficultate reperiri posse videretur, ita ut hoc saeculo valde timendum fuerit, ne in priscum illud editionum Chaos rediremus, de quo B. Hieronymus inquit[1] : Apud Latinos tot sunt exemplaria, quot Codices : et unusquisque pro arbitrio suo addidit, vel subtraxit, quod ei visum est; et utique non potest verum esse, quod dissonat. Itidemque sanctus Augustinus[2] dixit, Latinos scripturarum interpretes nullo modo numerari posse. Ut enim (ait) cuique primis fidei temporibus in manus venit Codex Graecus, et aliquantulum facultatis sibimet utriusque linguae habere videbatur, interpretari ausus est. Quare huic morbo sacrosancta Tridentina Synodus[3] mederi cupiens statuit ut ex omnibus, quae circumferuntur sacrorum librorum Latinis editionibus, ipsa Vetus, ac Vulgata, quae longo tot saeculorum usu in Ecclesia probata est editio, in publicis lectionibus, disputationibus, praedicationibus, et expositionibus pro authentica habeatur, et nemo illam rejicere quovis praetextu audeat, vel praesumat. Haec autem Vulgata editio cum una esset, variis lectionibus in plures quodam modo distracta videbatur. Quarum licet nonnullas, aut veterum Codicum, aut sanctorum Patrum invexisset auctoritas, plurimae nihilominus vel ex injuria temporum, Vel ex librariorum incuria, vel ex impressorum imperitia, vel ex temere emendantium licentia, vel ex recentiorum interpretum audacia, qui Ecclesiae filii cum sint, minus tamen Ecclesiae doctoribus, quam Judaeorum Rabbinis morem sibi gerendum putarunt : vel demum ex Haereticorum scholiis ad marginem, captiosisque fallaciis obrepserant. Et, quamvis in hac tanta lectionum varietate nihil hucusque repertum sit, quod fidei, et morum causis tenebras offundere potuerit ; verendum tamen fuit, ne, crescente magis, ac magis in dies addendi, detrahendique temeritate, haec probatissima scripturarum Editio, quam vinculum pacis, fidei unitatem, charitatis nexum, dissentientium consensionem, certissimam in rebus dubiis normam esse oportebat, plerisque contra, schismatis, et haeresis inductio, dubitationum fluctus, involutio quaestionum, discordiarum seges, et piarum mentium implicatio multiplex evaderet. Quod in septuaginta interpretum Graeca editione beatus Hieronymus[4] in Latina vero sanctus Augustinus[5] olim accidisse commemorant. Tanta autem labes ne adhuc ulterius serperet, sensimque in Vulgatam editionem nostram manaret, sapienter eadem oecumenica Synodus Tridentina decrevit, ut haec ipsa Vetus, et Vulgata editio posthac quam emendatissime imprimeretur. Verum quia nihil profuisset hujus editionis auctoritatem gravissimo sanxisse decreto, si illius quae germana esset lectio nesciretur, sacerque textus ita disputantium pateret arbitrio, ut is, qui adversus perfidum hostem, tamquam validissimus mucro districtus fuerat, idem et clypeus fieri posset, quo debilitati jam, caesique hostis latera tegerentur. Id igitur nos indigne ferentes, eoque indignius quod per hosce jam viginti duos annos, qui a dicto Tridentini Concilii decreto, ad nostri usque Pontificatus exordium interfluxerant, licet hujusmodi opus aliquando coeptum fuerit, tamen ob alias fortasse occupationes intermissum, nullumque huic imminenti malo remedium adhibitum fuerat : ac propterea tanto impensiore cura ac studio id prosequendum censentes, quanto magis, et ab omnibus Dei ecclesiis expetitur, et a synagogis satanae reformidatur ; cum primum ad Apostolicam beati Petri sedem divina nos miseratio, meritis licet imparibus evocavit ; nihil tandem antiquius habuimus, quam ut primo quoque tempore, optatissimam istam Vulgatae editionis emendationem aggrederemur. Itaque viros complures doctos, qui sanctarum Scripturarum, sacrae Theologiae, multarumque linguarum scientia : ac diuturno variarum rerum usu, acrique, cum aliquid discernendum est, judicio, ac solertia praestarent, delegimus, ac simul congregavimus, ut in germana, sinceraque sacri textus editione perquirenda, strenue laborarent, nobisque adjumento forent. Nos enim rei magnitudinem perpendentes, ac provide considerantes, ex praecipuo, ac singulari Dei privilegio, et ex vera, ac legitima successione Apostolorum Principis B. Petri, pro quo Dominus ac Redemptor noster, ab aeterno Patre pro sua reverentia procul dubio exauditus, non semel tantum, sed semper rogavit, ut ejus fides, non humana carne, et sanguine[6], sed eodem Patre inspirante ei revelata, numquam deficeret : cui etiam Dominus injunxit ut caeteros Apostolos in eadem fide confirmaret[7] : qui denique, sicuti confidimus, divinam pro nobis opem usque ad consummationem saeculi,[8] ecclesiae Catholique promissam, implorare non cessat, ad nos in ejusdem Petri Cathedra, in qua ejus vivit potestas, et excellit auctoritas, Deo sic disponente constitutos[9], totum hoc indicium proprie, ac specialiter pertinere, Dei omnipotentis auxilio suppliciter invocato, et ipsius Apostolorum Principis auctoritate confisi, ob publicam sanctae Dei Ecclesiae utilitatem haudquaquam gravati sumus, inter alias Pontificiae solicitudinis occupationes, hunc quoque non mediocrem accuratae lucubrationis laborem suscipere, atque ea omnia perlegere, quae alii collegerant, aut senserant, diversarum lectionum rationes perpendere, sanctorum Doctorum sententias recognoscere : quae quibus anteferenda essent, dijudicare, adeo ut in hoc laboriosissimae emendationis curriculo, in quo operam quotidianam, eamque pluribus horis collocandam duximus, aliorum quidem labor fuerit in consulendo, noster autem in eo, quod ex pluribus esset optimum, deligendo : ita tamen, ut Veterem multis in Ecclesia abhinc saeculis receptam lectionem omnino retinuerimus. Novam interea Typographiam in Apostolico Vaticano Palatio nostro ad id potissimum magnifice exstruximus, atque ad ejus curam, Congregationem aliquot sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalium, et insigne Collegium doctissimorum virorum fere ex omnibus Christiani orbis nationibus, et celeberrimis studiorum Generalium universitatibus amplis, opulentisque redditibus dotatum deputavimus, ut in ea emendatum jam Bibliorum volumen excuderetur : eaque res quo magis incorrupte perficeretur, nostra nos ipsi manu correximus, si qua praelo vitia obrepserant, et quae confusa, aut facile confundi posse videbantur, ea intervallo scripturae, ac majoribus notis, et interpunctione distinximus. Ceterum, nostri ne hujus consilii, institutique rationes ignorentur, sed potius universae Ecclesiae Catholicae, ipsique posteritati notissimae, ac testatissimae relinquantur, cunctique facile intelligant, quisnam ordo in hoc opere conficiendo, quae lex, ac methodus inita, quae indagandi veri norma a nobis servata sit : illud sane omnibus certum, atque exploratum esse volumus, nostros hos labores, ac vigilias numquam eo spectasse, ut nova editio in lucem exeat, sed ut Vulgata vetus ex Tridentinae Synodi praescripto, emendatissima, pristinaeque suae puritati, qualis primum ab ipsius interpretis manu, styloque prodierat, quoad ejus fieri potest, restituta imprimatur. In hac autem germani textus pervestigatione, satis perspicue inter omnes constat, nullum argumentum esse certius, ac firmius, quam antiquorum, probatorumque Codicum Latinorum fidem, quos tam impressos, quam manuscriptos, ex Bibliothecis variis conquirendos curavimus. In quacumque igitur lectione plures vetustiores, atque emendatiores libri consentire reperti sunt, ea jure optimo, tamquam primigenii textus verba, aut his maxime finitima, retinenda decrevimus. Id vero ad germanam editionem constabiliendam, praesidium sicubi desideratum est, tunc sanctorum Patrum, veterumque expositorum enarrationes, quibus diversa scripturarum loca, et libros illustrarunt, subsidio fuere : in quibus, quidquid e re nostra observatum fuit, id in hujus operis partem adscitum est. In iis tandem, quae neque Codicum, neque Doctorum magna consensione satis munita videbantur, ad Hebraeorum, Graecorumque exemplaria duximus confugiendum, non eo tamen, ut inde Latini interpretis errata corrigerentur, sed ut in eorum verborum locum, quae, cum apud latinos ambigua sint, potuissent, quo non oporteret, inflecti, certum aliquid, atque indubitatum sufficeretur, sive ut, quod nos variantibus Codicibus inconstans, diversum, ac multiplex erat, id uniforme, consonum, uniusque modi ipsorum fontium veritate perspecta sanciretur. Sapienter enim B. Hieronymus[10] in explanandis sacris scripturis Doctor maximus admonebat, ut quemadmodum in novo Testamento, si quando apud Latinos quaestio exoritur, et est inter exemplaria varietas, ad fontem Graeci sermonis, quo novum Testamentum est scriptum, recurri solet : quod etiam B. Augustinus[11] iis, qui scripturam tractant, inter alias regulas tradidit. Laudabilem itaque sanctorum Patrum consuetudinem religiose secuti sumus, dum in iss, quae apud Latinos nimis ambigue dicta, seu variata erat, solers cautio adhibita fuit. Neque enim ignoramus multos esse, qui plerasque Latinae hujus editionis voces, ac locutiones, proprie, aut eleganter, aut perspicue, aut breviter, aut copiose magis, aut tamquam verbis ad verba demensus, a Latino interprete verti potuisse existiment. Berum de his minuta nimium, et angusta concertatio videtur : neque enum tanti sunt, ut non iis et antiquioris Ecclesiae religio, et sanctissimorum Patrum jure anteponatur auctoritas : prorsusque indignum est, B. Gregorio[12] teste, ut sub Donati regulis verba coelestis oraculi restringantur : ac tanta per se est Vulgatae editionis auctoritas, tamque excellens praestantia, ut majorem desiderare penitus inane videatur. Qui namque in ea libri continentur (ut a majoribus nostris quasi per manus traditum nobis est) retenti sunt partim ex communi, et antiquissima quadam editione Latina, quam sanctus Hieroymus[13] Vulgatam editionem, B. Augustinus[14] Italam, sanctus Gregorius[15] veterem translationem appellant, quam sanctus itidem Augustinus ceteris, quae tunc plurimae in usu erant, etiam praeferendam censuit, quod esset verborum tenacior cum perspicuitate sententiae ; partim ex sancti Hieronymi translatione adsciti fuere, quibus idcirco quantus honor deferendus sit, is facile intelligit, qui eorum Interpretis dignitatem agnoscit. Fuit enim sanctus Hieronymus [ut inter caeteros idem B. Augustinus[16] testatur] Graeco, Latino, et Hebraeo eruditus eloquio, et ex occidentali ad orientalem transiens Ecclesiam, in locis sanctis, litterisque sacris, ad decrepitam usque vixit aetatem : atque omnes, qui ante illum ex utraque orbis parte de doctrina Ecclesiastica scripserant, pene vidit, aut legit : eumque non modo Augustinus, Chromatius, Paulinus, ceterique sanctissimi Episcopi, sed etiam Damasus Pontifex Rom. de scripturarum locis consulebant. Nec immerito tantam apud omnes nominis celebritatem, in sanctarum praesertim scripturarum scientia, adeptus fuerat ; cum ad eam consequendam nullis vigiliis, nullis peregrinationibus pepercerit, et doctissimos quosque in Gallia audiverit : Constantinopoli Gregorium Nazianzenum, Alexandriae Didymum, et alios alibi conquisiverit, usus denique clarissimis Hebraeae linguae Magistris : non enim uno aliquo Doctore contentus fuit, sed plurimos, eosque eruditissimos adhibebat : non rerum modo, verum etiam nominum sedulus indagator. Quinimo et loca ipsa, quae in scripturis saepe commemorantur, inspexit, idque ad Intelligentiam scripturarum summopere sibi profuisse testatur[17]. Quicumque igitur tanti Interpretis sanctitatem, ingenium, eruditionem, solertiam, Magistros, labores, illud, in quo vixit, saeculum, cum linguarum omnium, ac praesertim Hebraeae studia florerent, diligenter spectaverint ; facile judicium damnabunt eorum, qui aut tam eximii Doctoris Lucubrationibus non acquiescunt, aut etiam meliora, seu paria praestare se posse confidunt. Multo sane rectius sanctus Isidorus, venerabilis Beda Presbyter, sanctus Remigius, Alcuinus, Fortunatus, Rabanus Maurus, sanctus Anselmus, B. Bernardus, Haymo, Richardus, et Hugo Victorini, Petrus Cluniacensis, Rupertus Abbas, aliique complures egregii Doctores, qui per mille abhinc annos in Ecclesia claruerunt, qui Hieronymi versione ita in omnibus disputationibus, enarrationibus, declamationibus usi sunt, ut ceterae, quae pene innumerabiles erant, quasi lapsae de Catholicorum Patrum manibus obsoleverint. Ideoque legimus apud sanctum Isidorum[18], quoniam de Hebraeo in Latinum eloquium sanctus tantummodo Hieronymus sacras scripturas convertit, ejus Editione generaliter omnes Ecclesias usquequaque uti, eo quod veracior est in sententiis, et clarior in verbis. Et ante Isidorum B. Gregorius Magnus[19] fere idem senserat. Nec Latini modo Patres, sed Hebraei quoque, Graecique cum Latinos alios interpretes negligant, aut ignorent, Hieronymum tamen amplissimo suo testimonio, et honore dignum esse censuerunt. Nam de Hebraeis idem Augustinus[20] : de Graecis autem ipsemet sanctus Hieronymus scribit, a Sopronio viro optime erudito Psalterium, et Prophetas, quos Hieronymus[21] ex Hebraeo in Latinum verterat, in Graecum eleganti sermone translatos fuisse. Quemadmodum ergo laudabile est, ubicumque nostri Codices ipsi per se aut conciliari, aut intelligi non possunt, linguarum externarum praesidia quaerere ; ita, cum id necessarium non est, levissimis de causis majorum nostrorum sanctitatem, sapientiam, consensum, vetustissimamque Ecclesiae consuetudinem non vereri, temeritas plane, pertinaciaque censenda est. Atque idcirco B. Hieronymus, qui Hebraeos, Graecosque interrogandos esse dubiis in rebus admonet, idem etiam sentit, eo non nisi parce, et quanto rarius fieri potest (ne, quae longo recepta sunt usu, fluctuent) recurrendum. Qua de causa ad novi Testamenti translationem[22], quamvis hortante Damaso Pontifice, tardior fuit, pium appellans laborem, sed periculosam praesumptionem, judicare, de ceteris ipsum ab omnibus judicandum, senis, mutare linguam, et canescentem jam mundum ad initia retrahere parvulorum. Quis enim doctus pariter, vel indoctus, cum in manus volumen sumpserit, et a saliva, quam semel imbibit, viderit : discrepare quod lectitat, non statim erumpat in vocem, falsarium illum clamitans, et sacrilegum, qui audeat in veteribus litteris addere, mutare, corrigere? Notissimumque est illud de Jonae cucurbita[23], quae in Veteri editione legebatur ; pro qua cum Hieronymus hederam posuisset, quodam in Africa Episcopo interpretationem Hieronymi in Ecclesia lectitante, factus est tantus tumultus in plebe propter unius verbi dissonantiam, ut coactus sit Episcopus, ne sacerdotio dejiceretur, damnare quod legerat. Quare merito sacra Tridentina Synodus veteris Vulgatae editionis libros non aliter[24], quam prout in Ecclesia legi consueverunt, pro canonicis suscipiendos decrevit. Nos autem ut haec Vetus editio, quae nunc prodit nostro excusa praelo, ejusdem Synodi praescripto modis omnibus responderet, non solum veteres, et ab Ecclesia receptos loquendi modos conservavimus, sed etiam apocrypha rejecimus, authentica retinuimus. Nam tertium, et quartum Esdrae libros inscriptos, et tertium Machabaeorum, quos Synodus inter canonicos non annumerat, assentientibus etiam in hoc praedictis Cardinalibus Congregationis super Typographia Vaticana deputatae, ab hac Editione prorsus explosimus. Orationem etiam Manassae, quae neque in Hebraeo, neque in Graeco textu est, neque in antiquioribus manus criptis Latinis exemplaribus reperitur ; sed in impressis tantum post librum secundum Paralipomenon affixa est, tamquam insutam, adjectam, et in textu sacrorum librorum locum non habentem, repudiavimus. Nonnullas etiam aliquando sententias, quae aliunde accersitae, Vulgatae editioni interpositae erant, neque in antiquis exemplaribus, neque in sanctorum Patrum Commentariis inveniebantur, delevimus. Hanc denique editionem a variis, qui vitio multorum irrepserant, erroribus accurate emendavimus, et purgavimus, atque in pristinam veritatem summa diligentia restituimus. Neque vero est quod quispiam miretur, si aliqua sacrae scripturae loca aliter in sanctis quibusdam Doctoribus legerit, quam in hac Editione conscripta sunt. Nam Ambrosius, Augustinus, et alii plurimi septuaginta Interpretum editionem plerumque secuti fuerunt. Ad laudem igitur, et gloriam omnipotentis Dei, Catholicae fidei conservationem, et incrementum, ac sacrosanctae universalis Ecclesiae utilitatem, hac nostra perpetuo valitura Constitutione, de eorumdem venerabilium Fratrum nostrorum S. R. E. Cardinalium super Typographia Vaticana deputatorum consilio, et assensu, quorum opera, et industria, in hac ipsa Vulgatae editionis emendatione, in rebus praesertim gravioribus usi sumus, et ex certa nostra scientia, deque Apostolicae potestatis plenitudine statuimus, ac declaramus, eam Vulgatam sacrae, tam veteris, quam novi Testamenti paginae Latinam editionem, quae pro authentica a Concilio Tridentino recepta est, sine ulla dubitatione, aut controversia censendam esse hanc ipsam, quam nunc, prout optime fieri potuit, emendatam, et in Vaticana Typographia impressam, in universa Christiana Republica atque in omnibus Christiani orbis Ecclesiis legendam evulgamus, decernentes, eam prius quidem universali sanctae Ecclesiae, ac sanctorum Patrum consensione, deinde vero Generalis Concilii Tridentini decreto, nunc demum etiam Apostolica nobis a domino tradita auctoritate comprobatam, pro vera, legitima, authentica, et indubitata, in omnibus publicis, privatisque disputationibus, lectionibus, praedicationibus, et explanationibus recipiendam, et tenendam esse. Districtius vero inhibemus, ne umquam perpetuis futuris temporibus, novae vulgatae editionis posthac Bibliorum sine expressa Apostolicae Sedis licentia textus imprimatur : neve quisquam privato, aut peculiari suo sensu aliam editionem sibi confingere, neve hanc ipsam Veterem Vulgatam a nobis, ut praefertur, restitutam editionem, intra decem annos a Datis praesentium numerandos, tam citra, quam ultra montes, alibi, quam in nostra Typographia Vaticana, imprimere audeat, vel praesumat. Elapso autem praefato decennio, eam cautionem adhiberi praecipimus, ut nemo sanctas scripturas typis mandare praesumat, nisi habito prius exemplari in Typographia Vaticana excuso, eodemque Inquisitoris haereticae pravitatis ejus Provinciae, vel, si Inquisitor in ea Provincia non sit deputatus, Episcopi ejusdem loci manu propria subscripto, juxta illud, ne minima quidem particula mutata, addita, vel detracta. Postquam vero libri sacri sic fideliter excusi fuerint, nec tunc quidem vendantur, aut evulgentur, nisi prius delato rusus ad Inquisitorem, vel deficiente Inquisitore, ad Episcopum exemplari ab eis antea subscripto, iidem libri juxta illud impressi, cum eo diligenter, et accusare commati, et Inquisitoris, vel in eventum praedictum, episcopi signo, aut chirographo quod inter se prorsus concordent fidem faciente, et attestante, approbati extiterint. Verum, quoniam ex variis, quae hactenus ad marginem adscribi consueverant, lectionibus, illud sequitur incommodi, ac molestiae, quod, cum primum hujusmodi varietas oculis objicitur, lectoris animum ab eo, quod tunc instat agendum, avocat, illumque alieno plane tempore ad ea, quae in Codicibus dissonant, inter se conferenda traducti, nec facile est in tanta lectionum multiplicitate scripturas inoffenso pede perdurere, et ea quasi silva diversitatis oblata, quae quibus praeponenda sint, internoscere ; Nos optimum factu, piisque omnibus gratum fore arbitrari, ut Ecclesiae filii ab his perplexitatibus, ejusdem Ecclesiae judicio, liberentur (Eph. 4.), utque eos, quibus unum baptisma, una fides, una spes vocationis est, dissentiens non dividat lectio scripturarum, quarum potissimum indifferens consensio eos debuit in unitatem spiritus copulare ; Auctoritate, et tenore praemissis mandamus, ut Vulgatae editionis Biblia posthac nonnisi uniformia imprimantur, nec aliquid a textu diversum in margine scribatur. Quae vero antehac quibuscumque in locis impressa sunt, juxta hunc nostrum textum ad verbum, et ad litteram corrigantur. Idque tam in impressis, quam in imprimendis Missalibus, Ritualibus, Pontificalibus, Ceremonialibus, et aliis Ecclesiasticis libris, quoad eas tantum scripturae lectiones, et verba, quae ex Vulgata editione sumpta, atque in eisdem libris inserta fuisse constat ; ubique servetur. Si qui autem Typographia in quibuscumque regnis, Civitatibus, Provinciis, et locis tam nostrae, et S.R.E. ditioni in temporalibus subjectis, quam non subjectis, Biblia, sacramque Scripturam intra decennium praedictum quoquo modo ; lapso autem decennio aliter quam juxta hujusmodi exemplar ab Inquisitore, seu, in ejus delectum, ab Episcopo sibi tradendum, etiam minima aliqua particula mutata, addita, vel detracta, aut ad marginem, vel in textu adscripta, etiam per modum scholiorum, annotationum, vel glossae, typis mandare, aut sic quidem codices impressos, et emendatos, sine tamen dicto signo, et attestatione, quod cum priori exemplari, sibi, ut praefertur, tradito concordent, vendere, venales habere, aut alias edere, vel evulgare ; aut, si quis Bibliopola a se, vel ab aliis quibusvis, etiam ad hanc usque diem, vel in futurum, ante, vel post Dat. praesentium literarum impressos libros, seu imprimendos, a praefata per nos restituta, et correcta Editione in aliquo discrepantes, vel juxta eam ad unguem non emendatos, ac simili Inquisitoris, seu Episcopi subscriptione non approbatos, seu cum additionibus, aut, variis lectionibus ad marginem conscriptis excusos, pariter vendere, venales proponere, vel evulgare praesumpserit ; is, qui in supradictis casibus, sive eorum quolibet nostrae huic Constitutioni non paruerit, ultra amissionem omnium librorum, et alias temporales, arbitrio infligendas poenas, etiam majoris excommunicationis sententiam eo ipso incurret, a qua, nisi in mortis articulo constitutus, ab alio, quam pro tempore existente Romano Pontifice absolvi non possit. Quod si Inquisitor, aut Episcopus aliud exemplar ab eo, quod in Vaticana Typographo ad imprimendum tradiderit, vel impressum suo signo, aut subscriptione approbaverit, quod revera ab eo discordet ; in eum, si Antistes fuerit, etiamsi Archiepiscopali, Primatiali, Patriarchali, vel alia majori praefulgeat dignitate, interdicti ingressus Ecclesiae ; si autem inferior, excommunicationis sententiam ipso facto incurrendam ex nunc per praesentes ferimus, ita ut ab alio quam a Rom. Pontifice absolutionis, aut relaxationis beneficium consequi nequeat. Et nihilominus tam Inquisitor, seu Episcopus ipse, qui hujusmodi libros a praefata impressione Vaticana differentes approbaverit, quam etiam Typographus, seu Bibliopola, qui nostris superius expressis praeceptis, ac prohibitionibus in aliquo non obtemperaverit, in congregatione Cardinalium sanctae Romanae, et universalis Inquisitionis adversus haereticam pravitatem pro tempore deputatorum, seu coram Judice, vel Judicibus ab eadem Congregatione delegatis, de hujusmodi facto in districto judicio rationem reddere teneatur, ac pro modo culpae, sereris poenis ejusdem Congregationis, seu Judicis, vel Judicum ab ea deputandorum arbitrio puniatur. Ceterum, si manuscripta, rei impressa Biblia hujus etiam Vulgatae Editionis, ob characterum venustatem, seu ob aliquod insigne Codicis ornamentum, sive ob impressionis praestantiam, vel ob notationes ad marginem scriptas asservantur, et juxta nostrum hoc exemplar emendata non fuerint, ea in iis, quae huic nostrae Editioni non consenserint, nullam in posterum, fidem, nullamque auctoritatem habitura esse decernimus, ac declaramus : Mandantes universis, et singulis Patriarchis, Archiepiscopis, Episcopis, caeterisque Ecclesiarum, et locorum etiam Regularium Praelatis, per universum orbem constitutis, ut praesentem Constitutionem in suis quisque Ecclesiis, Provinciis, Civitatibus, Dioecesibus, et jurisdictionibus curent perpetuo, firmiter, et inviolate ab omnibus observari, contradictores, et inobedientes per censuras Ecclesiasticas, aliaque opportuna juris, et facti remedia, appellatione postposita, compescendo, invocato etiam ad hoc, si opus fuerit, auxilio brachii saecularis, non obstantibus constitutionibus, et ordinationibus Apostolicis, atque in Generalibus, Provincialibus, vel Synodalibus Conciliis editis, nec non quarumcumque Ecclesiarum, Ordinum, Congregationum, Collegiorum, atque Universitatum, etiam studiorum Generalium, juramento, confirmatione Apostolica, vel quavis firmitate alia roboratis, statutis, et consuetudinibus, etiam ab immemorabili tempore pacifice observatis, Privilegiis quoque, Indultis, et litteris Apostolicis, illis, eorumque vel earum Praelatis, Superioribus, et personis per quoscumque Romanos Pontifices, Praedecessores nostros, ac nos, et Sedem praedictam motu proprio, et ex certa scientia, deque Apostolicae potestatis plenitudine, et alias sub quibuscumque tenoribus, et formis, et cum quibusvis etiam derogatoriarum derogatoriis, aliisque efficacioribus, et insolitis clausulis, irritantibusque et aliis decretis in genere, vel in specie quomodolibet concessis, et saepius approbatis, et innovatis. Quibus omnibus, et singulis, etiamsi in eis caveatur expresse, quod illis nullatenus, aut non nisi de consensu certarum personarum, vel nisi sub certis modo et forma inibi expressis, derogari possit, et alias factae derogationes nullae sint eo ipso, ac pro illorum sufficienti derogatione, de illis, eorumque totis tenoribus, specialis, specifica, et expressa mentio habenda, seu quaevis alia exquisita forma ad hoc servanda foret. Tenores hujusmodi pro expressis habentes ad effectum praesentium dumtaxat, derogamus, ac nolumus illa cuiquam adversus praemissa in aliquo suffragari ; aut, si aliquibus communiter, vel divisim ab Apostolica sit Sede indultum quod interdici, suspendi, vel excommunicari non possint per litteras Apostolicas, non facientes plenam, et expressam, ac de verbo ad verbum de Indulto hujusmodi mentionem. Volumus autem praesentes litteras in valvis Basilicae Lateranensis, ac Principis Apostolorum de Urbe, et Cancellariae Apostolicae de more publicari, et intra quatuor menses, eos, qui citra montes sunt ; qui vero ultra montes, intra octo menses a die publicationis hujusmodi numerandos, perinde arctare, et afficere, ac si eorum cuilibet personaliter intimatae fuissent : Decernentes ut earum transumptis, etiam impressis, Notarii publici manu subscriptis, ac sigillo Praelati Ecclesiastici obsignatis, eadem ubique habeatur fides, quae ipsis originalibus exhibitis, vel ostensis haberetur. Nulli ergo omnino hominum liceat hanc paginam nostri statuti declarationis, decretorum, voluntatum, prohibitionis, et derogationis infringere, vel ei ausu temerario contraire. Si quis autem hoc attentare praesumpserit, indignationem Omnipotentis Dei, ac Beatorum Petri, et Pauli Apostolorum ejus se noverit incursurum.
Dat. Romae apud sanctam Mariam Majorem, Anno incarnationis Dominicae 1589. Kal. Martii, Pontificatus nostri a. Quinto.
1. a) In praefatione in Josue et in praefat. quatt. Evangeliorum. Tom. 3.
2. b) Lib. t. C. II. de doctr. Christiana. Tom. 3.
3. c) Sess. 4. decreto de editione et usu sacrorum librorum.
4. d) In praefat. in Esdram et Nehemiam. Idem in priori praefat. in Paralipom. Tom. 3.
5. e) Epistola 10. ad Hieronymum. Tom. 2.
6. a) Hebr. 5.
7. b) Luc. 22.
8. c) S. Leo serm. in Nativit. S. S. Petri et Pauli.
9. d) S. Leo serm. 8.
10. a) In epistola ad Suniam et Fretellam. Tom. 3.
11. b) S. Aug. I. 2. de Doct. Christ. cap. 14. et 15. Tom. 3. et lib. II contra Faustum c. 2. Tom. 6.
12. c) Epist. ad Leandr. in expos. Job c. 5.
13. d) S. Hieron. comment. in Isaiae cap. 49. Tom. 4.
14. e) S. August. 1. 2. de Doct. Christ. cap 15. Tom. 3.
15. f) Gregor. Epist. ad Leandr. In expositionem Job. cap. 5.
16. a) Lib. I. contra Julianum Pelagianum. Tom. 7.
17. b) In praefat. libris Paralipom. ad Domnionem et Rogatianum. Tom. 3.
18. c) Lib. I. de officiis divinis cap. 12.
19. a) Lib. 20. Moral. cap. 24. Tom. 2.
20. b) Lib. 18. de civit. Dei. cap. 43. Tom. 5.
21. c) De viris illustribus in Sophronio.
22. d) In praefat. quatuor Evangeliorum. Tom. 3.
23. e) Epist. 10. et 11. Tom. 1.
24. f) Sess. 4.