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Concílio de Cartago III (397)

O Concílio de Cartago, realizado no ano de 397, ocupa lugar de destaque na história da formação e da recepção do cânon bíblico na Igreja antiga. Reunido no contexto da Igreja do Norte da África, o concílio tratou de diversas questões disciplinares e eclesiásticas, entre as quais se encontra a definição dos livros que deveriam ser reconhecidos e lidos nas igrejas como Sagradas Escrituras. Sua importância reside especialmente no testemunho que oferece acerca da tradição canônica então recebida pelas Igrejas africanas, apresentando uma relação dos livros do Antigo e do Novo Testamento e estabelecendo que, além das Escrituras canônicas, nenhum outro texto deveria ser lido na Igreja sob o título de Escritura divina.

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Além disso, aprouve que, excetuadas as Escrituras canônicas, nada seja lido na Igreja sob o nome de Sagradas Escrituras.

São, porém, estas as Escrituras canônicas: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, os quatro livros dos Reis, os dois livros das Crônicas, Jó, o Saltério de Davi, os cinco livros de Salomão, os doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Tobias, Judite, Ester, os dois livros de Esdras e os dois livros dos Macabeus.

Do Novo Testamento, porém: os quatro livros dos Evangelhos, um livro dos Atos dos Apóstolos, treze epístolas do Apóstolo Paulo, uma dele aos Hebreus, duas do Apóstolo Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e um livro do Apocalipse de João.

Que isto também seja dado a conhecer a nosso irmão e companheiro no sacerdócio, Bonifácio, ou aos outros bispos daquelas regiões, para a confirmação deste cânon, porque recebemos dos Padres que estas coisas devem ser lidas na Igreja.

Entretanto, seja permitido ler as Paixões dos mártires quando se celebram os seus aniversários.

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Item placuit ut praeter Scripturas canonicas nihil in ecclesia legatur sub nomine divinarum Scripturarum. Sunt autem Canonicae Scripturae hae: Genesis, Exodus, Leviticus, Numeri, Deuteronomium, Jesus Naue, Judicum, Ruth, Regnorum libri quator, Paralipomenon libri duo, Job, Psalterium Davidicum, Salomonis libri quinque, libri duodecim prophetarum, Jesaias, Jeremias, Ezechiel, Daniel, Tobias, Judith, Esther, Esdrae libri duo, Machabaeorum libri duo. Novi autem Testamenti, evangeliorum libri quator, Actuum Apostolorum liber unus, Epistolae Pauli Apostoli xiii., ejusdem ad Hebraeos una, Petri apostoli duae, Johannes tres, Jacobi i., Judae i., Apocalipsis Johannis liber unus. Hoc etiam fratri et consacerdoti nostro Bonifatio, vel aliis earum partium Episcopis, pro confirmando isto canone innotescat, quia a patribus ista accepimus in ecclesia legenda. Liceat autem legi passiones martyrum cum anniversarii eorum dies celebrantur.

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Fontes:

DENZINGER, H. & HÜNERMANN, P. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral. São Paulo: Paulus/Loyola, 2007. p. 75.

LEONIS MAGNI, Codex Canonum Ecclesiasticorum et Constitutorum Sanctae Sedis Apostolicae In: J. P. MIGNE, Patrologia Latina, Tomus LVI, Paris: Petit-Montrouge, 1865. p. 428-429.