Bíblia do Peregrino – Novo Testamento, por Luís Alonso Schökel.– Ed. Paulus, São Paulo 2000.
O texto do Novo Testamento foi traduzido dos originais gregos para o espanhol pelo Pe. Luís Alonso Schökel, renomado professor de Exegese Bíblica no Pontifício Instituto Bíblico de Roma; o mesmo redigiu as notas, as introduções e o vocabulário que acompanham o texto bíblico. A obra foi traduzida do espanhol para o português por biblistas do Brasil: Ivo Storniolo, José Bortolini e Pe. José Raimundo Vidigal.
O que há de valioso nessa edição do Novo Testamento, é a moldura do texto, ou seja, as notas de roda-pé, que de certo modo oferecem o comentário de cada secção ou até cada versículo, possibilitando o aprofundamento da mensagem; são interessantes também as introduções (cada livro é apresentado com suas notas características) e o Vocabulário.
Todavia a tradução do texto sagrado deixa a desejar:
– em 1Pd 5, 1, São Pedro é dito “colega” dos anciãos (tradução de sympresbýteros);
– em vez de “reino de Deus”, lê-se constantemente “reinado de Deus” – o que não é a mesma coisa. “Reino” é a monarquia, o âmbito, o domínio, ao passo que “reinado” significa o tempo de governo de um rei (ver Aurélio);
– em Mt 25, 1 a palavra parthénoi é traduzida por moças, quando se poderia esperar “virgens” (segundo o original);
– em Rm 1, 17 a sentença de S. Paulo é contornada de maneira não justificada. A expressão “de fé em fé” vem a ser “exclusivamente pela fé”; por quê? A tradução de Hab 2, 4 é ambígua.
Possa tal apelo encontrar dócil ressonância naqueles a quem é dirigido!
– em Jo 14, 16, o Parákletos (Paráclito) é dito “o Valedor”.
Outras passagens se poderiam apontar que desabonam a tradução. Como dito, porém, a moldura é válida.
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Fonte: Dom Estêvão Bettencourt, Pergunte e Responderemos, Ano XLII, nº 467, Abril de 2001, p.163