LIVRO EM ESTANTE
Bíblia. Tradução Ecumênica (TEB). Ed. Loyola, São Paulo 1994.
Trata-se de uma tradução elaborada na França por cristãos (católicos, protestantes e ortodoxos) e judeus (no tocante ao Antigo Testamento) e traduzida para o português no Brasil. Demonstra como é possível que todos se encontrem em torno da Palavra de Deus, superando divisões e preconceitos. O caráter ecumênico dessa tradução explica que 1) apresente os livros do Antigo Testamento como estão dispostos no cânon do texto hebraico, e não como se acham no catálogo adotado pelos cristãos; 2) os livros deuterocanônicos (Tb, Jt, Sb, Br, Eclo, 1/2 Mc) constituam um bloco separado, após os livros protocanônicos do Antigo Testamento. Os fragmentos deuterocanônicos de Dn 3,24-90; Dn 13-14 se acham em itálico dentro do próprio texto protocanônico; o livro de Ester, cujo texto deuterocanônico (grego) difere do texto protocanônico (hebraico) é apresentado duas vezes, ora entre os deuterocanônicos, ora entre os protocanônicos. — O leitor da TEB aprenderá assim a conhecer mais a fundo a história do texto sagrado.
A edição ecumênica se distingue especialmente por suas notas de rodapé, que acompanham o texto quase versículo por versículo. Quando a interpretação do texto bíblico difere entre católicos, protestantes e ortodoxos, a nota o diz explicitamente, respeitando as diversas posições. Vejam-se, por exemplo, a nota n relativa a Mt 16,18 (primado de Pedro), a nota l referente a Jo 20,23 (a faculdade de perdoar os pecados), a nota i relativa a Mt 18,17 (o conceito da Igreja). No tocante aos irmãos de Jesus, a nota r referente a Mt 12,46 diz muito sobriamente e com razão: “Na Bíblia, como ainda hoje no Oriente, a palavra irmãos pode designar tanto os filhos da mesma mãe como os parentes próximos (cf. Gn 13,8; 14,16; 29, 15; Lv 10,4; 1Cr 23,22)”. A nota w relativa a Jo 6,51 reconhece que “Jo 6,51c-58 ou talvez 48-58 é consagrado explicitamente ao sacramento da Escritura”.
As notas perfazem quase um comentário do texto sagrado. Veja-se a nota z relativa a Rm 10,9, que expõe magistralmente a noção de fé; as notas m-z concernentes a Fl 2,5-11 oferecem um compêndio de Cristologia. Além das notas de rodapé encontram-se na TEB muitas páginas de Introdução aos livros sagrados, de modo que o leitor, antes de entrar no conteúdo de algum livro, é devidamente informado sobre os parâmetros que ajudam a compreendê-lo adequadamente.
Observe-se, porém, que em Lc 1,28 a tradução omite a expressão “cheia de graça”, preferindo-lhe “ó tu, que tens o favor de Deus” — o que destoa do clássico modo católico de traduzir a saudação angélica e muito a empobrece.
A tradução brasileira foi feita a partir do texto francês, o que era obrigatório para se poderem manter as notas de rodapé. Todavia houve o cotejo constante do texto francês com os originais, de modo que, dizem os tradutores, se pode afirmar que se trata de uma tradução dos originais (ver a Apresentação da obra às pp. XII e XIII pelos PP. Gabriel Galache, Diretor das Ed. Loyola, e Johan Konings, Professor de Exegese Bíblica).
Sejam realçados ainda os quatorze mapas que acompanham o texto sagrado, como também um bom quadro cronológico, uma tabela de preços e medidas e um Índice das notas principais — o que muito enriquece a TEB.
Em suma, a quem pergunte “Qual das duas edições é melhor: a de Jerusalém (BJ) ou a TEB?”, responderemos: a tradução do texto sagrado é válida tanto numa como na outra edição; as notas de rodapé na TEB superam em valor as da BJ; aquela, porém, é de manuseio muito mais difícil, supondo um preparo adequado. Como quer que seja, ambas merecem grande apreço da parte do Povo de Deus.
E.B.
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Fonte: Pergunte e Responderemos, Ano: XXXVI, nº 394, março de 1995, p.48-49