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Entrevista com Irmã Vera Ivanise Bombonatto (2023)

 


ENTREVISTA COM IRMÃ VERA IVANISE BOMBONATTO

O editorial de Ciberteologia conversou com Irmã Vera Ivanise Bombonatto, que acompanhou o trabalho de tradução de A Bíblia Paulinas desde o começo.

Por que as Irmãs Paulinas decidiram fazer uma tradução original da Bíblia para o português?

A publicação desta Bíblia marca uma nova etapa na história da nossa Congregação, no Brasil. É a realização de um sonho acalentado desde a chegada das primeiras missionárias, Dolores Baldi e Estefanina Cillario, em terras brasileiras, na manhã do dia 21 de outubro de 1931. Nosso carisma nasceu da Palavra de Deus e da Eucaristia. A Bíblia ocupa um lugar central em nossa vida e em nossa missão. Na noite da passagem dos séculos, Tiago Alberione deteve-se em oração diante do Sacrário da Catedral de Alba, onde estava escrito “Vinde a mim todos”. O jovem seminarista sentiu que era necessário usar os meios modernos para anunciar a Boa-Nova da Palavra de Deus às pessoas do novo século. Em 1915, na Itália, com a colaboração da Irmã Tecla Merlo, ele fundou a nossa Congregação, parte integrante da Família Paulina. Nascemos da Palavra de Deus e para comunicar a Palavra de Deus incansavelmente a todos.

Foi elaborado um parâmetro geral para a tradução. O que merece ser destacado nesse parâmetro?

No dia 28 de março de 2007, em Bogotá, com a presença dos superiores provinciais da América Latina, foi tomada a decisão, baseada na fé e na responsabilidade histórica, de iniciar a tradução da Bíblia em espanhol e em português. Mas, por onde começar? Era a grande pergunta! Em Roma, na Casa Geral, foi elaborado um Manual, com a participação de alguns biblistas experientes do Instituto Bíblico. Esse Manual serviu de parâmetro para iniciar o trabalho. Mas, aos poucos, em contato com a realidade, foi sendo modificado, de acordo com as nossas necessidades.

Deviam nortear nossos trabalhos: a fidelidade aos textos bíblicos originalmente escritos em hebraico, aramaico e grego; levar em conta os estudos exegéticos recentes e a legibilidade e fluência do texto.

Fale sobre os desafios iniciais?

Os desafios foram muitos, mas o desejo de ter uma Bíblia foi maior. Nossa pobreza também era e é grande. Não tínhamos experiência, mas contamos com o trabalho de alguns colaboradores que nos ajudaram desde o começo. Lembro, com estima, o professor Matthias Grenzer, exegeta e profundo conhecedor das línguas bíblicas, e o Anoar Provenzi, jovem competente e dinâmico. Contamos também com o suporte do grupo de colaboradores da Editora.

Aos poucos, fomos descobrindo outras pessoas desejosas de participar da Equipe de tradutores da Bíblia Paulinas, que ficou composta de 22 tradutores. Participaram: 5 mulheres e 17 homens; 18 eram brasileiros e 4 estrangeiros; e 18 eram católicos e 4 protestantes.

A equipe de tradutores foi composta a partir de quais critérios?

Tivemos presente três critérios: não contatar tradutores que já estavam comprometidos em outros projetos similares; as pessoas deveriam ser conhecedoras das línguas bíblicas e, também, ter familiaridade com o livro bíblico que iria traduzir. Foi um investimento financeiro e humano...

Sem dúvida! Foi muito exigente dar continuidade a este projeto no contexto atual de crise econômica e humana que estamos vivendo.

Qual sua participação pessoal no projeto?

Quando fui convidada para colaborar neste projeto, eu o assumi com alegria. Eu tinha uma breve experiência de tradução de livros. Mas logo percebi que não se tratava de um livro, mas de uma tarefa muito mais complexa. Assumi a coordenação do grupo de tradutores em português.

Realizamos a primeira reunião no dia 7 de fevereiro de 2008. Acompanhei todo o processo até o fim. Nossa equipe de tradutores era pequena, mas extremamente dedicada e consciente do processo e da responsabilidade que tínhamos.

Quais foram os maiores desafios no processo de tradução?

Os desafios foram sendo superados. Pessoas sem tempo para dedicar-se ao trabalho de tradução, atrasando os prazos, doença de tradutores e familiares, perda de ente querido. E tudo o que faz parte da vida. Tivemos que lidar com a realidade e administrar nossas fragilidades.

Pode-se dizer que se trata de uma tradução original, com marca própria?

Na nossa Congregação, o Brasil é o primeiro a lançar uma edição traduzida diretamente dos textos originais, seguido da América Latina, que está também ultimando a realização do projeto.

As Paulinas até agora produziram somente introduções, comentários, notas e desenhos para a African Bible, em inglês, francês, português e suaíli, mas a o texto bíblico usado era já editado na respectiva língua por outra editora.

Quais as tarefas colocadas para a recepção da tradução por parte das comunidades eclesiais e acadêmicas?

Começa uma nova etapa, a de fazer esta Bíblia chegar às mãos do povo, sedento da Palavra de Deus: famílias, comunidades eclesiais e acadêmicas. Para isso, contamos com a participação de todo o povo de Deus. Cada pessoa pode ser um divulgador, na sua família, no seu ambiente de trabalho, onde quer que esteja. Contamos com todas as pessoas de boa vontade, para, por meio da Palavra de Deus, construir a paz e a fraternidade universal.


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Fonte: Ciberteologia - Revista de Teologia & Cultura - Ano XIX, n. 73 92