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João José Pedreira de Castro (Biografia 2)

 



João José Pedreira de Castro 26/07/1896 – 30/05/1962


De acordo com o livro intitulado Frei João José “Um frade inesquecível” do autor Jorge Tenreiro – página 14 é descrito que nasceu Frei João José Pedreira de Castro em Petrópolis, no palacete construído por seu pai o Sr. Jerônimo de Castro Abreu Magalhães, engenheiro, e ainda hoje existente na Rua Monsenhor Bacelar n. 297 sendo feito o pedido da construção deste maravilhoso palacete através do documento n. 2668 de 28/03/1895 que esta arquivada no setor do arquivo histórico de Petrópolis onde constam 03 plantas do referido imóvel (anexados a este trabalho o documento e a planta). Sendo que em 1917 o imóvel passou a pertencer a Embaixada Britânica. Atualmente o proprietário do referido imóvel está em nome do Sr. Paulo Brito Bezerra de Melo. Em outros artigos constam que Frei João José nasceu na Fazenda de Santa Fé, próxima à cidade fluminense do Carmo. Frei João José era o filho caçula, sua mãe Zélia Pedreira de Abreu Magalhães. Viveu 66 anos de criatividade e realizações até o dia de sua morte na cidade de Tremembé em São Paulo em 30 de maio de 1962, e onde passara seus últimos dois anos como Capelão do hospital Bom Jesus.

Frei João José era filho do Dr. Jerônimo de Castro Abreu Magalhães e de D. Zélia Pedreira de Abreu Magalhães – ou Irmã Maria do Sacramento, hoje conhecida como Santa Brasileira, um casal cujo exemplo religioso de convivência, nos dá plena certeza de serem os principais fatores para conseguirem com que seus nove filhos vivos, se tornassem religiosos, sendo seis irmãs de caridade – Maria Elisa; Maria Rosa; Maria Bárbara; Maria Leonor; Maria Joana e Maria Amália e três sacerdotes – Jerônimo; Fernando e João Maria o nosso Frei que era chamado carinhosamente por sua mãe e irmãos por “Benjamin”.

De acordo com publicação feita na Revista Vozes de julho de 1962 - nº 07 – pág. 534 é destacado que “Frei João José fez sua vestição a 11 de janeiro de 1914, sua profissão a 17 de janeiro de 1915, a solene a 17 de janeiro de 1918, ordenando-se sacerdote a 18 de abril de 1920, nesta cidade de Petrópolis”.

Foi excelente escritor e poeta, assim como tradutor, pois em 1958 traduziu a Bíblia completa, editada pela Editora Ave Maria de São Paulo e, em apenas cinco edições alcançou a notável soma de 100 mil exemplares. Mas não o fez sozinho, teve a colaboração mesmo não declarada de Frei Paulo Avelino de Assis.

Foi autor de diversos livros, peças teatrais, artigos em revistas, etc., destacando-se como peça teatral “O Milagre do Calvário” que mais tarde foi aperfeiçoada pelo Sr. Eduardo de Castro, e, ainda hoje esta peça é representada em nossa cidade.

De suas publicações podemos destacar como livros: Amém, Amém, Amém; Frei Fabiano de Cristo; Na intimidade de Jesus, etc. Como traduções: Novo Testamento; Filotéia; Vida de Jesus no País; Povo de Israel e etc., publicou cem número de artigos nas revistas R.E.B; Revista Vozes; Sponsa Christi, todas da Editora Vozes de Petrópolis.

Frei João José ordenou-se com 23 anos de idade, aqui mesmo em Petrópolis, e o sacerdócio passou a ser sua vida, com profundo amor pela Virgem Santíssima e pela Eucaristia, passando horas inteiras rezando diante do “Sacrário”.

Conta seu confidente Frei Paulo Avelino de Assis que á meia-noite, durante dois meses, exatamente os do fim da sua vida, levantava-se, e com seu fiel companheiro, o Sr. Felippe Brandt, permaneciam juntos até uma ou duas horas da manhã em oração, na capela do hospital, em favor dos futuros sacerdotes.

Tamanha era sua devoção que usava o seu “Cordão de Frade” bem apertado na cintura, a ponto de lhe causar ferimentos contusos donde jorrava sangue vivo muita das vezes em seus muitos afazeres, e isto o fazia a título de “Penitência” e por sua grande devoção á Maria Santíssima.

Estes ferimentos dados ao seu sofrimento do diabetes não saravam facilmente e em conseqüência necessitavam muitas das vezes de cauterização, o que ele próprio o fazia com ferro em brasa, também a título de “Penitência”, tudo isso somente o seu coroinha tinha conhecimento e Frei João José não permitia que este revelasse o seu segredo a quem quer que fosse, nunca queixando-se com amigos ou com seus superiores.

Era possuidor de uma inteligência invulgar, por isso foi mandado á Europa por seus superiores para se especializar em “Ciências Bíblicas”, em Roma e Alemanha, nos terríveis anos da guerra mundial, contraindo aí insidiosa doença “O Diabetes”.

Terminados seus estudos lecionou até 1924 no Colégio Brasileiro Franciscano de Moresnet, na Bélgica. Retornando á Petrópolis por volta de 1925, continuou o magistério, sendo professor de Ciências Bíblicas na Faculdade Franciscana durante 25 anos, formando mais de 300 padres, dentro deles um Cardeal de São Paulo: Dom Evaristo Arns.

Dedicou-se com zelo especial a outras atividades pastorais, salientando-se aqui em nossa Diocese a direção do Apostolado da Oração e da Congregação Mariana da Anunciação, que durante a sua gestão tiveram períodos de ouro.

Dentre muitas das suas criatividades, pode-se destacar a criação do Grêmio Rogério, uma espécie de pré-Seminário para recolher vocações sacerdotais, dando assim ensejo á Província Franciscana o aproveitamento da sua idéia e fundaram em Guaratinguetá, cidade paulista, um Seminário Franciscano.

Também, idealizou e criou o “Teatro Mariano” conforme o documento nº 5607 de 21/07/1939 cujo projeto recebeu o nº 2265 (anexado a este trabalho o documento e a planta do referido Teatro Mariano) obra muito arrojada para a época. Mas ápice dos seus empreendimentos foi ser ele o precursor do “Ecumenismo”, pois muito antes do Concílio Vaticano II, em 1957 em São Paulo, já Frei João criava um movimento ecumênico.

Convocava pastores protestantes, a quem chamava carinhosamente de “irmãos separados” e juntos discutiam entre si os pontos comuns da Bíblia. Este movimento naquela época não era bem visto e foi muito mal compreendido pelo povo. Muitos achavam tratar-se de uma fusão religiosa. Por isso Frei João José foi chamado pelo então Cardeal Dom Carlos Carmelo Vasconcellos Motta a se justificar por tais iniciativas. O Cardeal diante das explicações de Frei João José declarou: - Este movimento ecumênico de aproximação com os pastores protestantes que o seu Centro Bíblico está promovendo, eu o declaro aprovado, continue! Peço somente discrição com a imprensa, porque o povo por enquanto não o compreenderá, porém dia virá que a Igreja Universal reconhecerá ser este o caminho certo, pois após quatro séculos de inimizades, o Ecumenismo será uma nova era na história da Igreja.

Em 1944 Frei João José adoeceu gravemente, sendo mesmo desenganado pelos melhores médicos, foi quando recorreu á sua fervorosa confiança na Virgem Maria – N. S. de Fátima, prometendo-lhe que erigiria um trono e um monumento num dos morros de Petrópolis pelo seu restabelecimento, o que a aconteceu mesmo desenganado como estava, ficou completamente curado.

Obtida tamanha graça, cumpriu a promessa, mesmo com imensas dificuldades e com muito sacrifício, erigiu na “Quinta do Sol” o Trono de Fátima, hoje ponto de convergência de romarias marianas de várias cidades brasileiras, assim como num dos principais pontos turísticos da nossa cidade.

No dia de sua inauguração, em 13 de outubro de 1947, o céu estava nublado, sendo mesmo um dia chuvoso. O povo subiu em massa até o alto da colina, e no exato momento em que Frei João José benzia a imagem de N. S. de Fátima, o céu se abriu e a umidade transformou-se num arco-íris de notável magnificência bem por cima do “Trono de Fátima”, fazendo com que o sacerdote dissesse ser o “sorriso de Deus”, aprovando e abençoando inteiramente o ato que ora se realizava, ou, seja o “Trono” erigido a sua Excelsa Mãe Santíssima. Foi ainda o autor da criação das Capelas dos seguintes bairros de Petrópolis: Carangola, Caitetú e Fazenda Inglesa.

Transferindo para São Paulo por motivos alheios a sua vontade, nunca deixou de ser o apóstolo que aqui sempre foi, tanto assim que foi o iniciador das conhecidas “Semanas Bíblicas” e no Congresso Bíblico Nacional realizado em Porto Alegre em 1961, foi chamado o pioneiro do movimento Bíblico no Brasil.

Em 30 de maio de 1962, na cidade de Tremembé próximo da Capital de São Paulo, falecia Frei João José com “gangrena nos pés”, e, portanto falecia meio ano antes do Concílio Vaticano II, sem ter a satisfação de ver em sua vida aqui na terra a proclamação de suas idéias ecumênicas. Morreu retorcendo-se em dores horríveis e os remédios e sedativos foram insuficientes para suster as violentes dores. Porém era tão grande a sua resignação que os médicos afirmaram nunca terem visto semelhante paciência em toda vida profissional.

Era tamanha a sua vocação á Nossa Senhora que horas antes de seu falecimento pediu que rezassem com ele o “Terço de Nossa Senhora”, e rezava bem devagar com uma expressão fora do comum, seus olhos brilhavam de emoção quando exclamava: - Santa Maria, Mãe de Deus rogai por nós agora e na hora da nossa morte.

Durante sua vida Frei João José sempre teve problemas com doenças, além disso, era um pouco surdo e tornou-se quase cego. Todos estes males deram-lhe uma depressão moral muito profunda, pois imaginava-se sempre desprezado por todos e assim antes de morrer, abriu bem os olhos como que contemplando alguém , e exclamou textualmente estas palavras: - ‘Senhor agora eu reconheço; agora vos agradeço do mais intimo do meu coração por ter sido sempre desprezado”.

Morreu Frei João José repetindo; - “Meu Deus e meu tudo. Mãezinha do céu eu não sei rezar, só sei dizer quero te amar, e quero agora ir contigo. Aproxima-se a morte, seja então feita a tua Santíssima vontade”. Um santo não morreria diferente.

Hoje devido a um movimento liderado pela Congregação Mariana de Anunciação, foram buscar os despojos de Frei João José, num cemitério em Guaratinguetá. Vários amigos e congregados integraram a caravana, entre eles destaca-se a presidente da Liga do Professorado Católico D. Maria do Carmo G. Ramos e o diretor do Centro Bíblico Católico Frei Paulo Avelino de Assis.

Na chegada dos despojos em Petrópolis houve missa concelebrada no Trono de Fátima, no alto do morro “Quinta do Sol”, onde repousam em paz seus despojos.


TRANSLADO DO CORPO DO FREI JOÃO JOSÉ PEDREIRA DE CASTRO


Quando a nossa Tribuna de Petrópolis de Petrópolis estiver circulando, a romaria dos petropolitanos, que partiu ontem ás 23 horas, em ônibus especiais, deverá ter chegado a Guaratinguetá, Estado de São Paulo, de onde retornará ás 14 horas de hoje, com os despojos de Frei João José Pedreira de Castro, acompanhada de outra romaria de lá, chefiada por Frei Paulino Aurélio amigo e companheiro íntimo do frade que ergueu com a força da convicção e da fé, o monumento da colina de Fátima.

 A chegada ocorrerá ás 18 horas em Petrópolis, ocasião onde será celebrada na cripta da Capela lá no alto da Quinta do Sol, missa celebrada por Frei Paulo Anselmo, Frei Boaventura Avelino e outros sacerdotes.

“Os restos mortais do Frei João José serão posteriormente colocados no mausoléu à esquerda da Capela, todo construído em mármore com aproximadamente três metros de comprimento, por um de altura e sessenta centímetros de profundidade, situado ao lado da entrada da cripta à esquerda, onde pode ser lida a seguinte gravação que anotamos: Homenagem do Povo de Petrópolis ao fundador do Trono de Fátima, Frei João José Pedreira de Castro, 26/07/1896 – 30/05/1962”.

E com essa fase, terminará vitoriosa a campanha feita por uma multidão de devotos de N. S. de Fátima, sob o comando de Bernardino Kneipp, para colocar no lugar que lhe pertence, aquele que tudo deu para lá no alto da colina da Quinta do Sol, aquele monumento à Virgem Milagrosa. (Tribuna de Petrópolis 03/07/1973)


FREI JOÃO JOSÉ NUMA URNA DOURADA JÁ REPOUSA NO MAUSOLÉU DE FÁTIMA


Revestiu-se de êxito e regularidade completos a transladação dos restos mortais de Frei João José para o Trono de N. S. de Fátima, cujo santuário se deve a sua inspiração, coragem, persistência e fé.

Como um enorme véu que mais se acentuou com a iluminação, uma tênue névoa envolveu o Trono de N. S. de Fátima às 18 horas e 15 minutos quando ali chegou a romaria de petropolitanos e paulistas procedentes de Guaratinguetá, São Paulo, tendo à frente o carro da Empresa Mussel, dirigido por Durval Mussel, que conduzia a urna com os despojos do bom franciscano. Faziam parte do cortejo, além de vários ônibus lotados, muitos carros particulares.

Sob intensa emoção, com os devotos cantando hinos sacros, os congregados Bernardino Kneipp, Frederico Noel, Otávio Kronemberger e Marino Fiorini, conduziram a urna dourada até o altar no Trono da Virgem. E os congregados entoam então, o hino “No céu com minha mãe estarei”.

Segue-se a concelebração da Santa Missa “In Memoriam” por Frei Paulo Avelino de Assis (que veio de Guaratinguetá na romaria), Frei Faustino e Frei Hugo Baggio. Termina essa parte da cerimônia. A urna é novamente conduzida, desta feita para a cripta do Trono, pelos congregados Celestino Adão Kneipp, dr. Léo da Gama Moret, Bernardino Kneipp e Marino Fiorini.

Outra vez são ouvidos os acordes e o canto de “No Céu com minha Mãe estarei”, enquanto a urna dourada é colocada junto ao altar. Fala Frei Baggio, Frei Paulo Avelino de Assis e Bernardino Kneipp presidente da Congregação Mariana da Anunciação.

Ele conta o que foi a luta para, em apenas 14 dias, construir o mausoléu, organizar as caravanas, entrar em entendimentos com as autoridades e realizar afinal a trasladação. Agradeceu à caravana de São Paulo a presença tão significativa e a boa vontade com que tudo foi resolvido, destacando que se não fora a compreensão das autoridades eclesiásticas e do povo de Guaratinguetá e de São Paulo, que com muita gratidão desejavam a presença de Frei João José por lá, nada teria sido conseguido e o grande arquiteto do Trono não estaria agora no santuário que idealizou e viu erguer.

Terminados os discursos, foram organizadas filas de devotos que um a um, iniciaram a visitação, tocando com as mãos o vidro da urna dourada que permitia ver os restos mortais de Frei João José. Logo após é a urna conduzida ao mausoléu, e ali depositada.

Entre os muitos presentes, anotou a reportagem da Tribuna de Petrópolis, as seguintes personalidades: Dr. Mário Fonseca, diretor do Departamento de Cultura; Dr. Arthur de Sá Earp Neto, Reitor da U.C.P., Sylvio Carvalho, do Jornal de Petrópolis e outros...(Tribuna de Petrópolis 05/06/1973)

  

MARIZA DA SILVA GOMES
11/09/2012