Nova Tradução da Bíblia
Mons. Heladio Correia Laurini
Ao lado da nova tradução da Bíblia, feita pelos protestantes e publicada no Rio de Janeiro, saiu agora, vertida para o português, a chamada “Bíblia de Maredsous”, que Beneditinos belgas haviam traduzido diretamente dos originais para o francês. Aparentemente a Bíblia dos protestantes é reedição melhorada de edição anterior, eis que conserva o frontispício antigo da Sociedade Bíblica Brasileira. E não é. É tradução nova, feita por dois grupos: de hebraístas, para os livros em hebreu e arameu, e de helenistas, para os livros em grego. E, depois, sujeita a todos os retoques e melhoramentos de revisores “ad hoc”.
Já a nova tradução católica não é direta dos textos originais para o português. É sim retradução: dos originais ao francês, do francês ao português. Todavia, o mundo inteiro sabe das benemerências da “Bíblia de Maredsous”, a qual tão bem espelha o texto original. Deve-se a tradução a Frei João José Pedreira de Castro, O.F.M., quem superintendeu ao grupo de tradutores, e reviu as provas destes. Foi coadjuvado em tudo pelo seu irmão de hábito, Frei Paulo, O.F.M.
A parte tipográfica ficou entregue à editora “Ave Maria”. Ainda não pude estudar a tradução. Corri a vista por sobre diversas páginas. E fiquei bastante satisfeito. A parte tipográfica é de bela apresentação. O texto não apresenta nenhum parêntesis com palavras em itálico, tornando-o pesado e difícil de leitura, como se dá com a antiga tradução de Matos Soares (a nova, diretamente dos textos primigênios, infelizmente ainda não editada aqui, neste ponto é bem mais vantajosa).
As notas são sóbrias, esclarecedoras dos lugares difíceis e orientadoras para o Amago doutrinal dos mesmos. Bela introdução, entre sóbria e completa, prepara uma leitura pia e frutuosa. No fim, o acréscimo de um índice bíblico doutrinal, tomada da Bíblia de Nacar-Colunga, enriquece enormemente a obra.
Sairam, ao que pude apurar, 25.000 exemplares. Só na primeira semana foram vendidos no balcão da livraria Ave Maria, 500 exemplares. Parece que está praticamente esgotada esta, tantos são os pedidos já vindos, que a editora já prepara a segunda edição. E “last, but not least”, o preço é convidativo: 170 cruzeiros.
Uma comparação ajudará: os dois volumes, Evangelhos e Atos (com todo o resto do Novo Testamento), editados pela livraria Vozes, custam em conjunto, ao que pude apurar, 180 cruzeiros (bem mais do que o volume contendo todo o mesmo NT, traduzido por Frei Mateus Hoepers, da mesma editora Vozes, o qual custava bem menos de 100 cruzeiros). Por mais 20 cruzeiros a pessoa agora poderá adquirir a Bíblia toda, traduzida bem, e apresentada esplendidamente.
Nenhum católico poderá deixar de congratular-se com tal realização. Há de ser grato a Frei João José, com seu grupo e a editora “Ave Maria”. Há de difundir a nova “Bíblia Sagrada”, de longe e melhor hoje no Brasil. E de tudo fazer em prol do aperfeiçoamento de novas e maiores edições de um trabalho tão oportuno quão bem realizado.
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Fonte: Jornal Correio Religioso, 23 de setembro de 1959, Sao Paulo-SP, p. 2.
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