Noventa Anos da Fundação do Pontifício Instituto Bíblico
[Conferência proferida pelo Prof. Pe. Giacomo Martina, S.J., por ocasião do 90º aniversário do Pontifício Instituto Bíblico]
[07.05.1999]
1. Premissas
Agradeço ao Rev. Pe. Reitor do Pontifício Instituto Bíblico, Rev. Pe. O’Toole, e aos organizadores do congresso, que quiseram confiar esta conferência não a um biblista, mas a um estudioso da história contemporânea da Igreja. Tenho plena consciência da dificuldade da tarefa, que pressuporia uma verdadeira competência em questões bíblicas, uma capacidade de síntese e equilíbrio nos juízos. A dificuldade deriva também da amplitude do material conservado nos dois arquivos, o Vaticano e a cúria geral da Companhia de Jesus, nem sempre, aliás, facilmente acessível.Pude consultar o fundo Instituto Bíblico do arquivo da Companhia de Jesus, conhecido pela sigla ARSI, e alguns outros documentos do Arquivo Vaticano. Baseei-me amplamente em algumas obras fundamentais, artigos, correspondências já publicadas, necrológios de alguns professores e biografias dos principais personagens.Ainda falta um perfil biográfico do primeiro reitor do Bíblico, o Pe. Fonck. Algumas informações de certo interesse podem ser recolhidas da correspondência entre Fonck e seu superior geral, Pe. Wernz, de outras cartas dos conselheiros do sucessor do geral, Pe. Ledóchowski, conservadas no ARSI, e de algumas cartas entre o Pe. Wernz e Pio X.Continuam sendo muito úteis, para a perspectiva geral e o desenvolvimento do Bíblico, enquadrado no contexto geral dos estudos bíblicos, os trabalhos de Mauro Pesce, publicados nos Annali di storia dell’esegesi e nos últimos volumes da Storia della Chiesa, conhecida pelo nome de Fliche–Martin.Algum detalhe, sobretudo uma perspectiva diferente, útil para ampliar o quadro, transparece da correspondência entre Lagrange e seu superior geral, o beato Cormier, limitada, porém, aos anos de 1904–1916[2].Esquematizando, penso deter-me em quatro pontos: as origens do Bíblico, com o reitorado do Pe. Fonck, as dificuldades óbvias e o inevitável condicionamento daquele período; o pontificado de Pio XI, com os reitorados dos PP. Fernández e O’Rourke e, a partir de 1930, do Pe. Bea: duas décadas fundamentais para a exegese católica, com a passagem da posição defensiva para uma atitude positiva de pesquisa e a gradual aproximação do método histórico; o pontificado de Pio XII, com a ampla e determinante influência do Pe. Bea, o aprofundamento, por influência da Divino Afflante Spiritu, da pesquisa histórica, a aceitação cada vez mais difundida do método histórico-crítico e suas consequências; os anos do Vaticano II, com os momentos um tanto difíceis de 1958–63, o exemplo de profunda maturidade de dois professores do Bíblico, Lyonnet e Zerwick, e a Dei Verbum.
2. O contexto histórico
Os primeiros anos do século XX assistem a um conjunto de discussões, ou melhor, à eclosão de uma verdadeira e própria crise bíblica.Em 1902 é publicada L’Evangile et l’Eglise, de Loisy, seguida pouco depois por Autour d’un petit livre, também de Loisy. As duas obras são colocadas no Índice em 16 de dezembro de 1903, poucas semanas depois da eleição de Pio X.Em 1903 é publicada La méthode historique surtout à propos de l’Ancien Testament, de Lagrange. O trabalho, síntese de seis conferências realizadas em Toulouse, provoca uma resposta bastante longa e vivaz do jesuíta Delattre, por breve período professor na Gregoriana, Autour de la question biblique, Une nouvelle école d’exégèse et les autorités qu’elle invoque (1904), seguida pouco depois pela inevitável réplica de Lagrange, Eclaircissement sur la méthode historique à propos d’un livre du P. Delattre (1905), e pela contraofensiva de Delattre, Le criterium à l’usage de la nouvelle exégèse biblique. Réponse au R.P. M.J. Lagrange (1907).Como é inevitável, embora doloroso, na polêmica insinuam-se tons um tanto ásperos e censuras pessoais. Mas já estamos no coração da polêmica modernista, caracterizada não apenas pelas obras de Loisy, mas também pelas de Tyrrell, Nova et vetera (1897), Lex credendi (1906), Through Scylla and Charybdis (1907), Medievalism (1908), Christianity at the Cross Roads (1909), às quais se somam as teses bastante radicais da revista Nova et vetera (1908), de Buonaiuti, companheiro de seminário, em Roma, de Angelo Roncalli, e seu assistente na primeira missa, em agosto de 1904, em Santa Maria de Montesanto, na Piazza del Popolo.Essas breves referências, que pretendem permanecer apenas como tais, não têm a intenção de oferecer um quadro amplo do modernismo. Seria necessário acrescentar muitas coisas sobre as causas remotas e próximas do movimento, sobre seus numerosos protagonistas, amigos e simpatizantes, sobre seus diversos aspectos que, partindo de um reformismo moderado e de uma exigência de renovação de parte dos estudos eclesiásticos, chegavam gradualmente a afirmar a evolução radical do dogma, a reduzir a revelação a uma experiência religiosa interna e subjetiva e a separar ciência e fé.Interessa-me agora apenas, nesta ocasião, indicar o clima geral daqueles anos em que amadurece e chega à sua realização a ideia de um instituto romano especificamente destinado aos estudos bíblicos, para formar uma nova classe de professores de Sagrada Escritura, preparados por especialistas fiéis à Santa Sé e capazes de se opor às correntes radicais bastante difundidas.A historiografia recente, desenvolvida também depois da canonização de Pio X, em 1954, destacou esses aspectos: a viva preocupação difundida nos ambientes vaticanos — não somente em Pio X, mas em seus estreitos colaboradores, como os cardeais Merry del Val, Vives y Tutó e De Lai —; a ampla repressão promovida pela Santa Sé, ora por meio de documentos bastante solenes (Pascendi e Lamentabili, 1907; Sacrorum Antistitum, 1910; respostas da Comissão Bíblica, de 1905 a 1914), ora por meio de condenações ao Índice de diversas obras, inclusive puramente históricas e hagiográficas, ora por meio da remoção de pessoas de cargos de certa importância e, sobretudo, por meio de um plano sistemático de visitas apostólicas aos seminários e dioceses.Houve também a difusão de determinado grupo de revistas inspiradas por um claro integrismo, que acabavam difundindo suspeitas e acusações até mesmo contra bispos e cardeais plenamente fiéis, como o Ferrari de Milão, posteriormente beatificado, e Maffi de Pisa.Lembremos rapidamente L’Unità Cattolica, de Florença; La Riscossa, dos irmãos venezianos Scotton; La Vigie, de Paris; o Österreichisches Katholisches Sonntagsblatt, de Viena; e o De Maasbode, na Holanda.Em 1907, Lagrange recebeu a ordem de não publicar de maneira alguma seu comentário ao Pentateuco e, em 1912, seus textos foram excluídos de todos os seminários.
Ao lado dessa ação negativa, desenvolveu-se, porém, uma linha positiva, de consolidação e fortalecimento. Ela se desenvolveu em três direções distintas.No plano disciplinar, houve o Código de Direito Canônico, promovido desde 1904, que respondia a exigências práticas e objetivas, sentidas já havia algum tempo, e que exigiu longos trabalhos dirigidos por Gasparri, concluídos somente em 1917; a reforma da Cúria Romana (Sapienti Consilio, 1908) e a da Diocese de Roma (Etsi nos, 1912).No plano pastoral, desde as primeiras semanas sucederam-se os primeiros passos para a renovação do canto sacro e da liturgia e, mais tarde, com os dois decretos Sacra Tridentina Synodus (1905) e Quam Singulari (1910), realizou-se uma verdadeira reforma eucarística — com a possibilidade da comunhão também diária e inclusive na idade infantil —, bem como uma renovação catequética (Acerbo nimis, 1905; Compendio della dottrina cristiana; Catechismo della dottrina cattolica).No plano doutrinal, ao lado das intervenções da Comissão Bíblica, deve-se destacar a fundação do Biblico.
3. As origens
À fundação do novo instituto chegou-se gradualmente, depois de um plano formulado genericamente por Leão XIII em seus últimos anos (carta apostólica Vigilantiae, de 30 de outubro de 1902), retomado e anunciado por Pio X na carta apostólica Scripturae Sanctae, de 23 de fevereiro de 1904[3].O primeiro documento instituía a Comissão Bíblica, sem muitas especificações. Segundo um relatório publicado por Francesco Turvasi em sua biografia de Giovanni Genocchi, durante algum tempo permaneceu a dúvida se a Comissão deveria ser um tribunal julgador ou um conselho diretor dos estudos bíblicos. Inicialmente, havia-se orientado para a criação de um instituto confiado a Lagrange e ao Pe. Fleming, franciscano. Não se encontrou imediatamente um local adequado e, com a morte de Leão, a ideia foi abandonada.Permaneceu, porém, a Comissão, com um conjunto de 41 consultores, entre os quais Lagrange. A ideia foi retomada por Pio X na carta de 1904: nela se expressava o propósito de fundar um instituto dedicado à formação dos professores de Sagrada Escritura, manifestando a esperança de dispor, em algum momento, dos meios necessários e reservando, enquanto isso, à Comissão Bíblica o direito de conferir o grau de doutor em Sagrada Escritura.O convite de Pio X para aprofundar os estudos da Sagrada Escritura levou, em 1908, à instituição, na Gregoriana, de um curso superior de Sagrada Escritura. Somente em 1909 chegou-se à fundação de um instituto específico, erigido pelo breve Vinea electa, de 7 de maio.No dia 29 do mesmo mês, esclarecendo mais explicitamente aquilo que havia sido apenas mencionado no documento anterior, o Bíblico foi confiado à Companhia de Jesus. Em 11 de junho de 1909, o Pe. Leopold Fonck — sobre quem voltaremos a falar — foi nomeado diretor (hoje diríamos reitor) do Bíblico.Em 3 de junho de 1910, o superior geral, Pe. Wernz, reafirmava que, sempre ressalvada a autoridade da Santa Sé, o Bíblico estava submetido à jurisdição imediata e exclusiva do superior geral da Companhia — um controle superior àquele exercido sobre a própria Gregoriana[4].O Bíblico permaneceu, porém, durante um ano e meio, até 1911, hospedado no Colégio Leoniano, no bairro que justamente naqueles anos estava se desenvolvendo, chamado Prati, onde os vicentinos acolhiam alguns estudantes de teologia ou jovens sacerdotes ainda dedicados aos estudos.As aulas realizavam-se em parte ali e em parte na Gregoriana, na sede da Via del Seminario, onde a universidade pontifícia havia se instalado como pôde depois da expulsão do Colégio Romano, em 1873.Logo, porém, o Bíblico encontrou uma sede adequada no palácio Muti Papazzurri, na Piazza della Pilotta, adquirido graças à generosidade de três benfeitores.Lembremos o cardeal O’Connell, de Boston (1860–1944), antigo aluno do Colégio Americano de Roma e seu reitor de 1895 a 1901, bispo de Portland e depois de Boston, cardeal desde 1911, que já em 1905, por encargo de Pio X, havia realizado uma delicada visita ao Japão e, nessa ocasião, demonstrara grande confiança na Companhia.A ele acrescentou-se — não sabemos por quais motivos — Mons. Kohn (1845–1915), antigo bispo de Olmütz de 1893 a 1904.Depois, mostrou-se particularmente benemérita a família francesa du Coëtlosquet, cuja contribuição permitiu a aquisição do palácio e assegurou o primeiro desenvolvimento do instituto[5].No palácio, não muito grande e convenientemente adaptado pelo arquiteto romano Astorri, a comunidade dos professores e do pequeno grupo de estudantes jesuítas permaneceu até poder ampliar-se para uma parte do edifício anexo à Igreja dos Santos Apóstolos, obtida da Santa Sé durante o pontificado de Pio XII, pouco depois da guerra[6].A Companhia de Jesus, naqueles anos, durante o generalato do Pe. Wernz (1906–1914)[7], estava se recuperando da dura prova sofrida em consequência das leis de supressão que haviam se multiplicado nos diversos países durante o século XIX e, sem gozar de plena liberdade na Itália, França e Alemanha, havia encontrado uma interpretação legítima das leis de dispersão e retomado grande parte de suas antigas atividades, eventualmente em sedes improvisadas.Estatisticamente, havia passado de cerca de 10.000 membros em 1875 para 15.000 em 1915. Certamente, o número continuava desproporcional às tarefas que se apresentavam diante dela.O próprio Pio X, em 1906, havia calorosamente convidado a Companhia a retornar ao Japão e a abrir, ex novo, uma universidade em Tóquio.O novo Instituto Bíblico exigia um novo esforço: o recrutamento de professores seguros e comprovados e a preparação para o estudo das Escrituras dos melhores jovens.Pio X havia demonstrado sua confiança na Companhia: o Pe. Wernz obedeceu.Talvez no futuro novos documentos nos mostrem algum outro detalhe sobre a questão, substancialmente já conhecida: segundo Turvasi, parece que também o redentorista Van Rossum teria intervindo em favor dos jesuítas. A afirmação permanece incerta, até porque Van Rossum, embora ocupasse em Roma importantes cargos como consultor do Santo Ofício e membro da comissão para a codificação do direito canônico, somente mais tarde, em 1911, foi nomeado cardeal e, em 1914, presidente da Comissão Bíblica.Talvez tenha havido algum equívoco. É um pouco difícil supor que o Pe. Wernz, num momento delicado e com fortes preocupações, fizesse pressões ou procurasse apoios para obter para a Companhia outros compromissos.O estado de espírito do superior geral Wernz e do papa aparece, de qualquer maneira, claramente nos discursos trocados em 1º de outubro de 1910 com os representantes da Companhia, vindos a Roma para a habitual assembleia trienal.O Pe. Wernz, depois de agradecer ao papa por sua benevolência e confiança na Companhia, acrescentou:«Huius autem benevolentiae tuae testis praeclarissimus est, unus prae multis, Pontificium Institutum Biblicum, quod contra modernos Sacrorum Librorum insectatores propugnaculum in hac alma Urbe nuper erexisti, eiusque curam et custodiam, quae Tibi unice cordi erat, Societati nostrae demandatam voluisti».O papa respondeu com palavras que, como acontece frequentemente nesses casos, foram registradas não literalmente, mas sempre fielmente:«haud mediocriter se quoque laetari ob adventuros in urbem ex omnibus provinciis delectos sodales Sacris Litteris in novo Athaeneo Biblico vacaturos; sic enim fiet, ut solida omnigenaque doctrina imbuti, viri prorsus doctos evadant, quales infelix haec requirit aetas, ad pestiferos modernismi errores convellendos extirpandosque»[8].
4. A exegese defensiva. O enigma Fonck
Pode-se perguntar hoje se a fundação do Bíblico, naqueles anos críticos, tinha um significado conservador que não escapava aos observadores atentos daqueles dias, prontos a sublinhar o significado das palavras do papa.Essa interpretação foi retomada várias vezes por estudiosos atentos do modernismo.O novo instituto deveria precisamente constituir um contraponto à École Biblique de Jerusalém, fundada em 1890.Certamente essa foi a impressão do Pe. Lagrange, claramente expressa numa carta ao seu superior geral, o beato Cormier, de 16 de junho de 1909. A carta é mais bem compreendida se tivermos presente o que foi dito acima sobre a primeira ideia de um instituto bíblico romano confiado a Lagrange, surgida em Roma em 1901 e logo abandonada.«J’ai vu avec une impression mélangée la fondation de l’institut biblique. Pour les intérêts particuliers de l’Ecole biblique de Jérusalem, il n’est pas fâcheux qu’il soit confiée à la seule Compagnie. Je n’ignore pas l’hostilité personnelle du P. Fonck contre moi; et pourtant, je l’ai entendu jadis à Jérusalem se moquer des vieux pères conservatifs de la Compagnie. C’est un opportuniste très dangereux. Le plan de la Compagnie, que j’ai pénétré depuis longtemps, devient évident à tout le monde. Au fond on veut faire ce que nous faisons, et l’on se crée une réputation d’orthodoxie en nous décriant. Les progressistes de la Compagnie, qui sont de beaucoup le plus nombreux, sont couverts par quelques intransigeants tapageurs. Tout cela est cousu de fil blanc et assez misérable»[9].A carta tem certamente o mérito de colocar sobre a mesa um problema central, de maneira clara.Não se deve, porém, negligenciar nem a moderação do superior geral Wernz, demonstrada várias vezes naqueles anos, nem o valor não absoluto dos testemunhos de Lagrange, que era parte interessada, nem a necessidade de distinguir claramente as responsabilidades pessoais de Pio X, de Wernz, do próprio Fonck e dos diversos professores que se sucederam no Bíblico.E, sobretudo, não se deve reduzir a história do Bíblico às vicissitudes de sua fundação e às características de seus primeiros anos, amplamente condicionados pelo contexto da época. A evolução posterior certamente não deve ser negligenciada.
Mas o que devemos dizer do Pe. Fonck?[10] Nascido em Wissen (Renânia, diocese de Münster) em 1865, depois de seus estudos no Germanicum de Roma, já sacerdote entrou na Companhia de Jesus, completando sua formação escriturística. Ensinou Sagrada Escritura em Innsbruck de 1901 a 1909.Fonck, de 1909 a 1919, foi o organizador e reitor do Bíblico e, depois, professor do mesmo instituto. Em pouco tempo, partindo praticamente do nada, encontrando professores capazes e seguros, como Vaccari, pertencente às primeiras gerações do Bíblico, deu ao instituto um desenvolvimento e uma solidez notáveis, assegurando, entre outras coisas, a perfeita observância regular.Como estudioso, teve o mérito de conhecer bem a literatura recente e de expor com clareza o pensamento dos adversários.Segundo Turvasi, deve-se a ele o esboço da encíclica Spiritus Paraclitus, promulgada por Bento XV em setembro de 1920.Não faltaram, porém, já naquela época, críticas contra ele.O necrológio anônimo publicado na Biblica por ocasião de sua morte, com delicadeza, mas com suficiente clareza para os entendidos, afirma:«Qua erat in sanctam Ecclesiam flagrante caritate, nihil umquam antiquius habebat, ut eam fortiter defenderet, ubicumque sese manifestabant pericula vel periculorum indicia, et ante omnia fidei puritatem ac doctrinae in re biblica securitatem tueretur. Quo in zelo etsi non nemo erat qui eum aliquoties aequos limites transgressum esse censeret, inter eos qui eum intimius noverant nullus est qui nesciat eum unice sanctissimis rationibus et purissima Dei gloriae intentione ductum fuisse».Esse juízo cauteloso é confirmado pelas cartas recebidas e trocadas naqueles anos pelo superior geral Wernz e pelo próprio papa[11], e sobretudo pelas que ainda se encontram inéditas no arquivo geral da Companhia.Observava-se que Fonck aceitava trabalhos demais, administrativos e científicos; que não tinha tempo suficiente para ouvir e consultar seus religiosos, inclusive seus colaboradores mais próximos; que — como observava o Pe. Vaccari, acostumado a uma observância regular e pouco inclinado a buscar suas próprias comodidades — tomava decisões nem sempre oportunas, por falta das informações que ele próprio havia recusado; que pretendia fazer demais e rápido demais, com iniciativas que não eram absolutamente urgentes.Nem todos consideravam oportuno pensar, naqueles primeiros anos, numa filial do Bíblico em Jerusalém, algo que poderia esperar.Fonck, porém, quase queimando etapas, já em 1911 e 1912 havia viajado à Palestina e estabelecido diversos contatos.A notícia vazou e provocou perplexidade entre os jesuítas de Beirute, preocupados com uma eventual concorrência, e até mesmo nos ambientes diplomáticos de Paris.O jesuíta Dudon, competente historiador, em 12 de dezembro de 1912 informou ao superior geral Wernz sobre as reações bastante negativas do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês[12].Pio X também havia recebido algumas informações não inteiramente favoráveis e pedira informações a Wernz.Fonck defendeu-se por escrito numa longa carta ao superior geral, mas admitiu que o próprio Merry del Val se mostrava frio em relação a ele e, em 4 de março de 1914, apresentou sua demissão.Não encontrei até o momento a resposta do superior geral, mas, de qualquer modo, o reitor permaneceu em seu cargo.Uma mudança depois de poucos anos teria certamente causado péssima impressão.Provavelmente, foi colocado ao lado de Fonck — que teoricamente continuava sendo reitor — o Pe. Fernández, com amplos poderes.O próprio Bento XV, durante a Primeira Guerra Mundial, ao receber um estreito colaborador do novo superior geral Ledóchowski — naquele momento ausente de Roma —, o assistente da Itália, Pe. Nalbone, expressou-se de maneira parcialmente séria e parcialmente jocosa, mas não totalmente positiva, a respeito de Fonck:«Se potessi parlare col vostro generale, ci intenderemmo subito. Ma col P. Fonck ...».Certamente, em dezembro de 1918, outro jesuíta, o Pe. Geny, professor de filosofia na Gregoriana, numa carta a Ledóchowski, superior geral desde 1915, manifestou diversas reservas em relação a Fonck, também pela pouca prudência demonstrada no campo político durante aqueles anos de guerra, e expressou o desejo de que o reitor do Bíblico não retornasse a Roma depois da prolongada permanência na Suíça durante a guerra.Fonck, contudo, retornou a Roma e permaneceu ali até aproximadamente 1929: parece fundamentada a afirmação de Montagnes de que, naquele ano, Pio XI teria imposto sua saída[13].Provavelmente Fonck, pouco diplomático, havia se expressado várias vezes de maneira dura em suas aulas em relação a Lagrange e à sua escola[14].Naqueles anos, porém, Fonck estava absorvido, além da preocupação com a observância regular, pelo recrutamento de jovens professores que oferecessem segurança — como Vaccari, nascido em 1875, mas já no Bíblico pelo menos desde 1913 —, pela preparação remota da filial de Jerusalém, que só seria efetivada em 1925, mas que estava sendo planejada desde 1911, e pelas solicitações para obter o direito de conferir o grau acadêmico em Sagrada Escritura, durante muito tempo contestado pela Pontifícia Comissão Bíblica.A questão somente se resolveu mais tarde, em 1928, com o Motu proprio Quod maxime.
5. Sob Pio XI. A lenta e gradual superação da exegese defensiva
Durante o pontificado de Pio XI, o Bíblico continua seu caminho, num clima menos tenso, mas ainda vigilante e atento à perfeita ortodoxia dos estudos bíblicos.Basta recordar a condenação, em 1923, da nova edição do Manuel biblique, de Vigouroux, redigida pelo sulpiciano Brassac, sua destituição do ensino e a ampla reprimenda de Merry del Val ao superior geral dos sulpicianos por ocasião desse episódio.Poucos anos depois, um manual bíblico de um ex-aluno do Bíblico, Henri Lusseaux, publicado depois de 1931 e amplamente aprovado em Roma por altas autoridades, foi criticado pela Revue Biblique em 1934[15].Nesse contexto, o Bíblico prossegue com uma fidelidade inteligente às diretrizes da Santa Sé, procurando evitar, isto é, atitudes duramente intransigentes e cuidando sempre do alto nível científico do ensino e das publicações.Em 1928 é aberta definitivamente a filial de Jerusalém, sem provocar atritos com os dominicanos da École Biblique de Lagrange, com os quais se estabelece então certa colaboração.Nesses anos, o número de estudantes muda.Depois do início bastante favorável, com mais de uma centena de matriculados — metade estudantes regulares, italianos, franceses, alemães e holandeses; metade considerados auditores e um pequeno grupo de hospites —, a guerra havia inevitavelmente causado uma forte diminuição, que atingiu seu ponto máximo em 1917–18.Entre os primeiros estudantes, recordemos pelo menos quatro futuros cardeais: Ernesto Ruffini, que estudou no Bíblico de 1910 a 1913, obtendo a licenciatura, praticamente ao mesmo tempo que Frings, Liénart e Lercaro — nomes que não precisam de apresentação.Depois da guerra houve uma recuperação, e os estudantes regulares chegaram a 75 em 1940.Seguiu-se então a inevitável diminuição entre 1940 e 1945 e a feliz recuperação depois da Segunda Guerra Mundial, quase nunca interrompida, que rapidamente levou os estudantes considerados presentes em tempo integral (full time) a quase duzentos, em 1950, para superar os 300 a partir de 1992.E, mais uma vez, encontramos futuros cardeais: Alfrink, que obteve a licenciatura em 1925, juntamente com Florit, italiano, e com o beneditino suíço Gut.Uma década mais tarde encontramos no Bíblico König.Não entraremos nos bispos, por falta de tempo...Nesse período destacam-se dois grandes professores: o Pe. Vaccari (1875–1965) e o Pe. Merk (1869–1945).O cardeal Bea e o Pe. Boccaccio apresentaram com precisão, simpatia e elegância o Pe. Vaccari na Biblica.Não se pode imaginar o Bíblico em seu primeiro meio século sem o Pe. Vaccari, escreve o cardeal.O Pe. Boccaccio, por sua vez, detém-se no domínio das línguas clássicas e orientais — Vaccari escreveu também uma gramática elementar do árabe —, em sua aptidão para a pesquisa profunda dos textos, dos códices e das informações minuciosas, e em sua vasta produção: sua bibliografia, de 1910 a 1962, compreende 450 títulos entre livros e artigos.O cardeal Bea detém-se sobretudo em seu ensino: «(Esso) non era tanto metodico, quanto piuttosto personale e sempre improntato a quel suo irresistibile istinto di erudito e di ricercatore, da cui è segnato ogni suo lavoro, che lo induceva ogni tanto a digressioni non tanto facilmente afferrabili dagli uditori. Ma d’altra parte proprio per questa vivacità erudita della mente egli esercitava un profondo ascendente sui suoi alunni».“Ele não era tanto metódico, quanto sobretudo pessoal, e sempre marcado por aquele seu irresistível instinto de erudito e pesquisador, que caracteriza cada um de seus trabalhos e que, de vez em quando, o levava a digressões nem sempre facilmente compreensíveis pelos ouvintes. Por outro lado, justamente por essa vivacidade erudita da mente, exercia profunda influência sobre seus alunos.”Embora percebessem e talvez acompanhassem com um sorriso benevolente aquele seu ar absorto em seus pensamentos, eles o admiravam, veneravam e, sobretudo, sofriam sua profunda influência, quase contagiosa.O Pe. Vaccari foi o primeiro a empreender uma tradução italiana da Bíblia a partir dos textos originais.Durante bastante tempo levou a obra adiante sem concorrentes.Depois surgiram outros estudiosos com suas traduções, e Vaccari concluiu a obra somente em 1958.Talvez a tradução sofra a influência da formação que o jovem estudante havia recebido no final do século XIX e possa parecer distante dos gostos atuais, mas todos admiram sua exatidão filológica.O cardeal destaca a extrema simplicidade de seus modos, sua incansável laboriosidade, apesar de certos traços às vezes um tanto bruscos, devidos sobretudo ao fato de estar absorvido em seus próprios pensamentos e desligado da realidade que o cercava.Um estudioso não católico, Levi della Vida, durante muito tempo professor na Universidade La Sapienza de Roma, até ser afastado por não querer prestar o juramento de fidelidade ao fascismo, em um livro hoje dificilmente encontrado, Fantasmi ritrovati, evocou um aspecto insólito do Pe. Vaccari.É sabido que o Pe. Tacchi Venturi acompanhava pessoalmente a redação da Enciclopedia Italiana e, não estando inteiramente de acordo com Levi della Vida quanto ao conteúdo do verbete “Ebrei”, pediu-lhe que entrasse em contato com o Pe. Vaccari no Bíblico.O padre o recebeu e apresentou-lhe suas observações.Levi della Vida respondeu que, em outros anos, teria concordado em modificar seu texto, mas que, naquele momento político, em 1932, diante dos perigos iminentes para o judaísmo mundial, não se sentia capaz de fazê-lo.O Pe. Vaccari tirou o relógio, observou que se aproximava a oração comunitária, à qual não poderia faltar, e dispensou rapidamente seu interlocutor.Levi della Vida não ficou ofendido nem surpreso. Percebeu imediatamente o constrangimento de Vaccari, seu desejo de atender às objeções do estudioso que tinha diante de si, ocultado apenas por certa maneira brusca de agir, e seu tácito nihil obstat.O verbete permaneceu inalterado e ainda pode ser lido na Enciclopedia.Talvez tenha sido mais eficaz, certo dia, o cardeal Ruffini, seu antigo aluno, que, aludindo implicitamente à vasta erudição de Vaccari, que às vezes o impedia, nas aulas, de ser simples e compreensível, concluía afetuosamente:«Vaccari … è il nostro Vaccari».“Vaccari... é o nosso Vaccari.”Não escondamos, por outro lado, o amplo conservadorismo do professor, que não o impediu de ser, sim, um dos primeiros a rejeitar a atribuição do Qohelet a Salomão, mas que o levou a defender, em 7 de junho de 1924, na Civiltà Cattolica, aparentemente por ordem de Pio XI, a condenação de Brassac, indicando aquilo que as autoridades romanas consideravam o verdadeiro perigo: seguir os princípios da nova exegese, isto é, em última análise, os de Lagrange.Mais tarde, Vaccari sustentou a interpretação literal do livro de Jonas e se opôs, sem obter resultados, durante a preparação do Vaticano II, à nomeação como consultores de alguns teólogos que haviam sido vistos com reservas nos últimos anos de Pio XII.Continuou defendendo as teses que as correntes mais abertas já olhavam com suspeita, recusando-se a ver no Pentateuco uma coleção de documentos de épocas e origens diversas.Em definitivo, Vaccari permanece certamente um grande professor, mas não pode ser considerado símbolo da linha do Bíblico, que na realidade era mais complexa e variada.Provavelmente, deve ser lembrado como representante da corrente de direita, contrabalançada, nos mesmos anos, pela corrente mais aberta.Desde 1928 ensinava no Bíblico o Pe. Merk, que durante muito tempo foi confessor de Pio XII, até sua morte em 1945.Estimulado pelo exemplo de von Soden, discutido por seus princípios, mas sempre digno de atenção, e de Nestle, que desde o início do século havia publicado um texto crítico do Novo Testamento, depois dos inevitáveis atrasos provocados pela Primeira Guerra Mundial, Merk concluiu, em 1933, sua edição crítica do Novo Testamento, um clássico que foi seguido por várias outras edições antes e depois de 1940.A edição de 1944 contém uma ampla revisão de todo o aparato crítico do Apocalipse.Como os bons filólogos, Merk também estava atento às variantes individuais, mas não tinha pressa; uma vez escolhida uma solução, porém, defendia-a com tenacidade.Obras como essas asseguram grande prestígio ao Instituto e permanecem distantes dos conflitos internos entre as diversas escolas[16].Em 1932 chegou à sua conclusão lógica a criação, no próprio Instituto Bíblico, de uma nova faculdade, a de estudos do Oriente antigo, complemento oportuno da verdadeira faculdade bíblica.Ela havia sido reconhecida ad sexennium em 7 de junho de 1929 e, depois da completa reorganização das faculdades eclesiásticas ocorrida em 1931 com a constituição Deus scientiarum Dominus, foi reconhecida definitivamente em 7 de agosto de 1932.A faculdade compreende quatro seções: semítica, assiriológica, egiptológica e sânscrito-iranística.Ela, com seus notáveis professores, evidentemente evitou aquele espírito positivista presente em alguns orientalistas, mas sobretudo ajudou a conhecer melhor o Antigo Oriente Próximo, isto é, aquele mundo em que Jesus nasceu, cresceu e viveu, judeu autêntico, no qual seu povo se formou e se desenvolveu e no qual ele se moveu.Como ensina João Paulo II, Jesus está enraizado na longa história de um pequeno povo do Antigo Oriente Próximo, com suas fraquezas e grandezas, com seus homens de Deus e seus pecadores, com sua lenta evolução cultural e suas mudanças políticas, com suas derrotas e vitórias.Conhecendo melhor esse povo e sua história, compreenderemos melhor sua mentalidade e sua linguagem específica.Desse modo, a faculdade do Oriente antigo constitui um complemento utilíssimo à faculdade bíblica.Entre os professores da faculdade, deixou uma lembrança profunda o Pe. Alfred Pohl (1890–1961).Alemão, da Silésia, entrou na Companhia de Jesus em 1912 e completou seus estudos teológicos em Valkenburg, nos Países Baixos, onde os jesuítas, expulsos por Bismarck durante o Kulturkampf, haviam criado ex novo um seminário de estudos.Depois de prestar serviço na área de saúde durante a Primeira Guerra Mundial, estudou assiriologia durante seis anos (1924–1930) em Berlim, sob a orientação de um célebre orientalista, Bruno Meissner.Desde então, ensinou no Bíblico a língua e literatura acádicas, história do Antigo Oriente — na faculdade de estudos orientais — e história do Antigo Testamento — na faculdade bíblica.De 1945 até sua morte foi decano da faculdade de estudos orientais; desde 1932, diretor da revista Orientalia, à qual logo se acrescentou a coleção Analecta Orientalia.O Pe. Pohl foi um grande estudioso, universalmente reconhecido entre os melhores especialistas do Antigo Oriente, um excelente professor e um admirável organizador.Assim o recordou seu antigo aluno Sabatino Moscati, que esteve próximo dele de 1938 até sua morte.Basta recordar aqui suas principais obras: VAT 8875, die 6. Tafel der Serie «ana ittusu», Leipzig, 1930; Neubabylonischen Rechtsurkunden aus den Berliner Staatslichen Museen, Roma, 1934; e, em outro campo, a muito apreciada Historia populi Israel a divisione regni usque ad exilium, Roma, 1933.Merecem igualmente ser lembrados outros três padres: Franz Zorell (1863–1947), alemão, de Württemberg; Giuseppe Messina (1893–1951), siciliano; e Anton Deimel (1865–1964), alemão, da Vestfália.Todos os três estudaram durante vários anos em Berlim.O Pe. Zorell, jesuíta desde 1884, dedicou-se durante doze anos ao Lexicon Graecum Novi Testamenti.Nos anos seguintes empenhou-se no Lexicon hebraicum et aramaicum Novi Testamenti, do qual, ao final da vida, pôde ver apenas os primeiros fascículos.De 1928 a 1954 ensinou no Bíblico as línguas armênia e georgiana.O Pe. Messina, jesuíta desde 1907, realizou seus estudos filosóficos na ilha de Jersey, no Canal da Mancha, onde os jesuítas franceses haviam se refugiado depois das dispersões ocorridas na passagem entre os dois séculos.Depois estudou teologia em Valkenburg, já mencionada, e três anos em Berlim, onde obteve seu doutorado com a tese Der Ursprung der Magier und die zarathustrische Religion (1930).Desde 1929 ensinou no Bíblico as línguas sânscrita, pálavi, avéstica e neopersa, além da história das religiões do Antigo Oriente.Durante quase dois anos, de 1936 a 1938, realizou longas viagens pelo Irã, desde o mar Cáspio até o golfo Pérsico.A lista de suas publicações, entre livros e artigos, ocupa quase quatro páginas.Entre elas destaca-se a edição crítica, persa e italiana, do Diatessaron Persico, antiga edição dos quatro Evangelhos, ou “harmonia dos quatro Evangelhos”, redigida no século II por Taciano, sírio ou assírio, e conservada apenas em fragmentos ou traduções, tão importante para compreender a transmissão exata e a antiga interpretação dos Evangelhos, já vislumbrada em Florença em 1943 e publicada em Roma em 1951.O Pe. Deimel, alemão da Vestfália, ensinou assiriologia no Bíblico, a partir de 1909, durante cerca de trinta anos.Entre suas obras — uma lista de quatro páginas compactas! — recordemos o Codex Hammurabi (1910, segunda edição em 1930) e os cinco volumes do Sumerisches Lexicon, publicados entre 1925 e 1950[17].O interesse com que Pio XI acompanhava o Bíblico apareceu num episódio singular.Em abril-maio de 1938, sua resistência ao nazismo mostrou-se claramente no convite dirigido, em abril daquele ano, a todas as faculdades católicas para refutar alguns princípios raciais do nazismo, e em sua partida de Roma para Castel Gandolfo por ocasião da chegada de Hitler à capital italiana em visita oficial.Depois de deplorar, num discurso em Castel Gandolfo, a recepção ostensiva feita em Roma a uma cruz que não era a de Cristo, o papa, no final de maio, pouco depois do término da visita de Hitler, quis assistir, em sua residência de verão, à defesa da tese preparada no Bíblico pelo salesiano Giorgio Castellino sobre os Salmos: Le lamentazioni individuali e gli inni in Babilonia e in Israele raffrontati, riguardo alla forma e al contenuto.Foi a primeira vez — mas não a última — que uma tese do Bíblico foi defendida na presença do Pontífice.A tese, orientada pelo Pe. Vaccari e examinada criticamente também pelos padres Bea, Pohl, Dyson, Semkowski e Merk, foi aprovada com uma boa nota, embora não tenha alcançado a máxima.Mas o conteúdo da tese e o contexto político tornavam a cerimônia mais interessante e significativa: da ciência pura, abstrata, passava-se a uma ciência não desprovida de implicações políticas, próxima da realidade concreta do momento.O autor da tese, falecido cerca de dez anos atrás, depois de uma boa carreira nas faculdades estatais e posteriormente nomeado, durante o Vaticano II, membro da Comissão Bíblica, refutava claramente uma tese cara a uma parte da ciência alemã, que via nos Salmos não uma poesia original, sustentada e inspirada por uma elevada religiosidade sobrenatural, mas uma simples imitação da literatura e da poesia babilônicas, segundo a expressão eficaz, embora anticientífica: “Bibel und Babel”.Pio XI ficou muito satisfeito e manifestou, com certa comoção, sua sincera estima pelo Bíblico. Recomendou que os professores de Sagrada Escritura dos seminários tivessem pelo menos a licenciatura em Sagrada Escritura[18].«Dire il Biblico, aggiunse il papa, è dire tutto, trattandosi del libro santo che porta e conserva la parola di Dio ( ... ). È un prezioso istituto il Biblico ( ... )».“Dizer o Bíblico”, acrescentou o papa, “é dizer tudo, tratando-se do livro santo que traz e conserva a palavra de Deus (...). É uma instituição preciosa o Bíblico (...).”E o papa continuava com alusões aos acontecimentos daquele mês, em Roma:«Il Signore ha voluto che il papa vedesse da lontano e da vicino tante cose tristi. Ma il Santo Padre deve pur dire che Dio è buono, perchè lo fa godere di tante cose belle e buone, sì che la sua fiducia in Dio e la sua perfetta pace e tranquillità è davvero piena e assoluta».“O Senhor quis que o papa visse, de longe e de perto, tantas coisas tristes. Mas o Santo Padre deve também dizer que Deus é bom, porque o faz desfrutar de tantas coisas belas e boas, de modo que sua confiança em Deus e sua perfeita paz e tranquilidade são realmente plenas e absolutas.”
6. O reitorado de Bea. O enigma Bea.
Rumo a uma exegese cada vez mais atenta à dimensão histórica
Em 6 de julho de 1930, o P. Bea (1881–1968), que já estava em Roma havia vários anos como professor e, por algum tempo, como superior da comunidade, numericamente modesta, dos jesuítas que se preparavam para obter seus graus acadêmicos, foi nomeado Reitor do Bíblico, com plena autoridade sobre o instituto e sobre a comunidade religiosa a ele anexada. Não é o caso de nos determos nos cargos anteriormente exercidos pelo padre, que podemos supor conhecidos, nem de nos determos nas excelentes qualidades de estudioso e de superior que ele já havia demonstrado naqueles anos e durante todo o seu reitorado (1930–1949). Creio ser mais útil deter-me, ao contrário, naquilo que poderíamos chamar de «o enigma Bea».Bea era estimado por Pio XI, e a estima e a confiança cresceram sob Pio XII, que lhe confiou encargos delicados e, a partir de 1945, depois da morte do P. Merk, o escolheu como seu confessor. Durante anos, permanecendo em uma posição importante, mas sem grande autoridade externa, Bea foi um dos colaboradores mais próximos ou executores da vontade de Pio XII. Depois da morte deste, Bea, em janeiro de 1959, foi elevado ao cardinalato por João XXIII (que mal o conhecia).Segundo informações confidenciais recolhidas na Gregoriana, pode-se aceitar a notícia de que o Papa João havia pensado em elevar ao cardinalato o P. Leiber, que durante décadas estivera em estreito contato com Eugenio Pacelli e com Pio XII em questões alemãs, mas que Leiber não teria aceitado a proposta. A escolha recaiu então sobre Bea.Estabeleceu-se imediatamente uma plena sintonia entre o novo papa e o novo cardeal. João XXIII mostrou desde logo, pelo menos a partir de 25 de janeiro de 1959, que queria seguir caminhos diferentes, inesperados, com a convocação de um concílio ecumênico: Bea, desde sua nomeação, totalmente imprevista para ele, tornou-se logo um dos colaboradores mais próximos do papa nesse projeto e foi um dos grandes protagonistas do Vaticano II, do novo ecumenismo, entrando, por isso, em contraste com a direita conservadora, representada sobretudo por Ottaviani, Ruffini, Siri e outros.É conhecido o confronto de junho de 1962, nas últimas sessões da comissão central preparatória, entre Bea, de um lado, e os cardeais Ottaviani e Cicognani, de outro, a propósito do projeto de Bea sobre a liberdade de consciência e sobre as relações com os judeus. Bea, derrotado naquele momento, conseguiu mais tarde fazer triunfar seu projeto.O biblista especialista, no conjunto bastante conservador até o fim do pontificado de Pio XII, mostra-se agora decididamente progressista. Como explicar esse fato inegável?Não está totalmente ausente da história o caso de pessoas que tenham servido sucessivamente a dois papas diferentes, com plena fidelidade: Giovanni Battista Montini foi, durante quinze anos, um dos colaboradores mais próximos de Pio XII. Pode-se perguntar, contudo, sobretudo diante de Bea, se ele simplesmente se adaptou ao novo curso, passando de uma posição substancialmente conservadora para outra diferente, ou se o cardeal revelou ideias, tendências e propósitos que já estavam presentes nele havia muitos anos, mas que deliberadamente haviam sido silenciados.Um problema análogo aparece, aliás, no próprio João XXIII: como explicar a rápida decisão do novo Concílio e sua firme vontade de levá-lo adiante a todo custo, depois de anos de silenciosa fidelidade à linha de Pio XII? O problema já foi abordado por Lyonnet, pelo P. Stefan Schmidt, na biografia Agostino Bea il cardinale dell’unità [19], e por Mauro Pesce. Podemos aceitar suas observações, mas também completá-las.Schmidt ressalta a grande prudência do P. Bea. Suas apostilas sobre o Pentateuco, em dois volumes publicados em 1928, certamente mostram uma orientação conservadora. Bea tinha presente a experiência de seu confrade P. Hummelauer (1848–1914), sua notável obra pioneira com seu curso de Escritura, as dificuldades e críticas que enfrentara durante anos, até retirar-se, cansado, do ensino e do trabalho científico.Como tantos pioneiros, Hummelauer tivera intuições geniais, movera-se numa direção correta, sem ainda demonstrar com segurança e profundidade sua validade. O resultado final havia sido negativo: suas obras não estimularam novas pesquisas fecundas, mas provocaram uma reação contrária que, na passagem entre os dois séculos, bloqueou novos progressos.Bea, em 1928, teria desejado o abandono das posições estacionárias sobre o Pentateuco, fixadas pela Comissão Bíblica. A prudência aconselhava outra coisa: só se podiam ressaltar as dificuldades remanescentes, os diversos elementos que o estado da ciência não permitia negligenciar.
Como Reitor do Bíblico, a prudência lhe era ainda mais necessária: trabalhava-se sob os olhos do papa, e um passo em falso teria prejudicado todo o trabalho do Instituto.Pio XI havia recomendado dois pontos essenciais: o interesse e o amor pela pesquisa, e a pureza da doutrina. O P. Bea, em 1928, mas também em 1938, não podia fazer mais.Segundo outro testemunho, Bea conseguia unir harmoniosamente em si duas tendências opostas: uma pronunciada inclinação pelas opiniões conservadoras, fruto do temperamento e da formação recebida, posteriormente reforçada pela longa permanência em cargos diretivos; a clara percepção de que o trabalho científico é indispensável e fecundo; e a convicção de que a verdade é una e indivisível.Talvez se possa concluir que Bea, em sua juventude, havia percebido a necessidade de um progresso nos estudos bíblicos e de uma maior abertura do magistério; mas nele prevalecera a convicção da necessidade de esperar, de não prejudicar, com uma insistência excessiva, a evolução que o tempo, mais cedo ou mais tarde, haveria de produzir.Observações semelhantes foram feitas, por ocasião da morte de Bea, na revista Biblica, por seu sucessor, o P. MacKenzie, que recorda as aulas claras, metódicas, em um latim fácil e fluente, com abundância de referências e de observações críticas precisas. Elas constituíam um exemplo de bom método exegético, um estímulo e uma orientação para pesquisas futuras.Certamente, continua MacKenzie, suas posições pessoais inclinavam-se para um conservadorismo prudente: isso era inevitável no clima daquele tempo. Mas, por meio de seus conselhos, os estudantes percebiam que outras posições pessoais mais abertas continuavam possíveis, igualmente legítimas e talvez mais fundamentadas.Por isso, Bea não pode de modo algum ser considerado um oportunista, e sua abertura nos últimos anos correspondia, em essência, à alegria de quem finalmente vê realizadas longas expectativas, lentamente amadurecidas e silenciosamente conservadas.
7. O progressivo caminho sob Pio XII
Durante o pontificado de Pio XII sucederam-se novos passos importantes nos estudos bíblicos.Em 1941, a Comissão Bíblica tomou posição contra alguns escritos do sacerdote italiano Ruotolo, que desvalorizava o sentido literal e histórico da Escritura e, de maneira aberta e dura, acusava o P. Vaccari e o próprio Bíblico, não apenas como defensores da chamada escola «larga», mas como pessoas excessivamente seguras de si, partidárias de certo cientificismo, por causa de seu conhecimento das línguas orientais, considerado amplamente supérfluo para um conhecimento exato da Escritura.Do Bíblico espalhava-se pela Igreja um novo modernismo, uma verdadeira incredulidade. Alguns bispos, alguns superiores gerais, segundo Ruotolo, estavam desolados.A carta da Comissão Bíblica, de 20 de agosto de 1941, obra pelo menos em parte do próprio Bea, respondia às acusações e recordava que o Bíblico havia sido instituído por Pio X e se desenvolvera sob os olhos de vários papas, com plena continuidade na aplicação das diretrizes recebidas, que não necessitava de demonstração.O P. Vaccari, diretamente acusado, comentou com segurança e tranquilidade a carta [20].Mais importante foi a decisão, tomada por Pio XII em 1941, de realizar uma nova tradução do saltério galicano [21].A decisão foi tomada pelo próprio papa, por iniciativa sua, na segunda metade de janeiro de 1941. Em 19 de janeiro foi formada a comissão correspondente, com seis professores do Instituto, competentes nos diferentes aspectos da questão.Os critérios para a tradução foram estabelecidos pelo próprio papa. O trabalho terminou em agosto de 1944. A tradução foi anunciada por Pio XII com o Motu Proprio In cotidianis precibus, de 24 de março de 1945.Havia-se decidido não fazer uma simples revisão da antiga versão jeronimiana, mas uma nova versão, adequada ao uso litúrgico, capaz de devolver ao texto sagrado sua força e seu frescor.Buscou-se não um latim eclesiástico, mas um latim que se aproximasse do clássico, embora permanecendo distante do latim ciceroniano, excessivamente complexo.Assim, retornaram ao texto as imagens concretas, que a antiga tradução havia omitido para evitar um antropomorfismo acentuado — «rochedo», «rocha» etc. —; esclareceram-se alguns pontos que permaneciam ambíguos; esclareceram-se os tempos exatos dos verbos — voltaram ao seu lugar o perfeito e o futuro.Foram eliminadas algumas palavras pouco claras, como o confiteri, por laudare, tão criticado em seu tempo por Agostinho, que observava que, ao ouvir aquela palavra, os fiéis espontaneamente batiam no peito.Preferiu-se a construção clássica do acusativo com infinitivo: credo visurum me bona Domini in terra viventium.Sabemos que a tradução, inicialmente acolhida com favor, gradualmente provocou várias críticas, especialmente por causa da insuficiente sensibilidade musical dos compiladores, percebida de modo particular pelos beneditinos.E assim se chegou a uma nova tradução e, finalmente, à introdução na Liturgia das Horas do texto em língua vernácula.Essa versão, embora historicamente tenha sido superada, permanece um texto sob muitos aspectos ainda útil, querido por muitos como lembrança de sua juventude sacerdotal e rico em estímulos.Mais profundo e duradouro, na história da exegese, foi o influxo da encíclica Divino Afflante Spiritu, de 30 de setembro de 1943, para a qual o padre Bea deu uma importante contribuição, juntamente com o cardeal Tisserant e o P. Vosté, presidente e secretário da Comissão Bíblica [22].A influência de Bea é evidente até nas próprias palavras: os próprios estudantes do Bíblico a percebiam, brincando, ao observar a forte correspondência entre algumas passagens da encíclica e textos de Bea.Ele havia insistido várias vezes, em seus escritos, na importância de captar exatamente as intenções do autor sagrado, que não segue necessariamente o estilo e as normas dos autores ocidentais de nossos dias.Não se trata de estabelecer a priori — como o P. Hummelauer tendia a fazer décadas antes —, mas de estudar as características da historiografia antiga, para compreender melhor a natureza dos livros sagrados.O estudo dos «gêneros literários» não pretende enfraquecer ou negar o valor histórico dos textos, mas compreender melhor aquilo que o autor quis dizer.Esse tema dos gêneros literários havia sido visto até 1943 com certa suspeita, por causa do abuso que dele havia sido feito. A encíclica o justificava, reconhecendo-o como legítimo, não somente para o estudo do Antigo Testamento, mas também para o Novo, inclusive para os próprios Evangelhos.O próprio Bea disse confidencialmente: «Estou convencido de que o argumento e a doutrina dos gêneros literários ainda não se encontrariam na encíclica Divino Afflante Spiritu, se eu não tivesse lentamente preparado o caminho».Há muito tempo, entre os especialistas, perguntava-se se não seria conveniente esclarecer o valor relativo das respostas da Comissão Bíblica dos anos 1903–1914.Pio XII fora consultado a respeito e mostrara-se favorável: chegara-se a falar em suprimir essas respostas.O padre Bea foi de opinião contrária, para não desacreditar a autoridade. Preferiu-se escolher outro caminho: explicar melhor os elementos do problema e indicar o caminho a seguir na pesquisa da solução.Chegou-se assim à carta ao cardeal Suhard, de janeiro de 1948, que assegurava plena liberdade aos exegetas dentro dos limites do ensinamento tradicional da Igreja e admitia um exame ulterior de vários problemas, como a interpretação dos primeiros capítulos do Gênesis e a autenticidade do Pentateuco.Sem me deter no conteúdo da carta, prefiro ressaltar o método seguido pelo P. Bea ao apresentar o documento na Civiltà Cattolica.Alheio a toda superficialidade, o autor não fala de uma revogação das respostas da Comissão Bíblica do início do século XX; ao contrário, ressalta a sabedoria com que a Santa Sé estimulava estudiosos e fiéis à cautela diante de teses recentes, ainda não definitivamente comprovadas.Com uma rápida síntese histórica, Bea recordava o entusiasmo do início do século diante da teoria de Wellhausen, sobre as quatro fontes do Pentateuco; as dúvidas posteriores; o amplo abandono da posição que seguia servilmente Wellhausen e que distinguia quase mecanicamente os diferentes documentos dos quais teria surgido o Pentateuco.Estudiosos alemães do período imediatamente anterior à guerra — A. Weiser, 1939 — convidavam à cautela diante de uma análise das fontes excessivamente mecânica e formalisticamente lógica.Segundo Bea, o tempo dera razão à Igreja.Com o mesmo espírito, Bea tende a atenuar a diferença entre as teses da Comissão Bíblica de 1905 — «integridade substancial e autenticidade mosaica» do Pentateuco — e a posição da carta de 1948, segundo a qual se deve a Moisés «grande parte» do Pentateuco e se admite «um progressivo acréscimo das leis mosaicas, devido às condições sociais e religiosas de épocas posteriores».Também quanto ao valor dos primeiros onze capítulos do Gênesis, Bea defende os princípios das respostas de 1909, relativos à criação do mundo e do homem e ao primeiro pecado, e defende sua concordância substancial com a carta de janeiro de 1948, segundo a qual a narrativa bíblica apresenta, em linguagem simples e figurada, as verdades fundamentais da economia da salvação, deixando ao tempo e aos estudos posteriores explicações ulteriores.Pode-se perguntar se Bea, em 1948, não ressalta excessivamente a identidade de posições entre o ensinamento eclesiástico de 1905–1909 e o de 1948, atenuando o progresso real, a inegável evolução [23].Não posso deter-me aqui analiticamente nos diversos professores do Bíblico durante o pontificado de Pio XII.Basta dizer que às antigas gerações de Bea e Vaccari se acrescentavam outras, novas e valorosas.Recordo o P. Max Zerwick (1899–1975), nascido no lago de Constança, jesuíta desde 1918, no Bíblico desde 1936. Notável professor de grego bíblico, de seu trabalho resultou o volume Graecitas Biblica Novi Testamenti (1944, quinta edição e tradução inglesa em 1966) e outro instrumento de trabalho, talvez hoje ainda mais útil que ontem, Analysis Philologica Novi Testamenti graeci (publicado em 1953, terceira edição em 1966), que revela um filólogo paciente, seguro e claro.O P. Zerwick não era apenas um linguista. Em 1934 publicou em Roma as Untersuchungen zum Markusstil e, mais tarde, o comentário à Carta aos Efésios, que lhe era particularmente querida.Seu método de ensino foi descrito pelo próprio autor na introdução ao volume 21 do periódico Verbum Domini:«Assim como, portanto, não nos detemos na humanidade de Cristo, do mesmo modo, nos livros sagrados, devemos penetrar em seu mistério divino, mas de tal maneira que não separemos esse mistério da palavra e do sentido verbal, mas abracemos ambos como organicamente unidos: tanto o mistério divino quanto a palavra humana, veículo e portadora desse mistério, sua primeira intérprete...».E compreende-se a alegria com que Zerwick repetia as palavras do capítulo III da Dei Verbum, segundo as quais «Deus falou na Escritura por meio de homens, segundo a natureza humana».Também Stanislas Lyonnet (1902–1986), nascido perto de Lyon, jesuíta desde 1919, vinha da linguística: estudara indo-europeu em Paris, publicando ao final de seus estudos uma tese sobre «O perfeito no armênio clássico», e frequentara o Bíblico.Durante anos, foi disputado entre o Instituto Oriental, onde até cerca de 1950 ensinou armênio e georgiano — a língua materna de Stalin! —, e o Bíblico, que, depois de ter chamado o P. Lyonnet, a partir de 1943, para um curso de exegese paulina, finalmente conseguiu vencer a disputa.Mas ainda em 1950 o linguista se manifestava novamente, com a tese Les origines de la version arménienne des évangiles et le Diatessaron.A partir de então, porém, o especialista em exegese paulina e em teologia bíblica prevaleceu.O P. Lyonnet traduziu e anotou, para a Bible de Jérusalem, as cartas aos Romanos e aos Gálatas, e no Supplément au dictionnaire de la Bible redigiu o artigo Péché. Judaïsme, Nouveau Testament. Péché, originel.Atento aos problemas de seu tempo e às grandes correntes da vida da Igreja, percebia intensamente o caminho em direção à unidade desta e dava de bom grado exercícios espirituais na Itália, França, Canadá e África.E, contudo, justamente ele, assim como o P. Zerwick, foi atingido por volta de 1960 por uma campanha de acusações cuja inconsistência hoje percebemos plenamente: durante dois anos, pro bono pacis, foi suspenso do ensino.Paulo VI, em compensação, nomeou-o consultor da Congregação para a Doutrina da Fé: o acusado voltava a sentar-se entre os juízes.E João Paulo II, depois de ouvi-lo no retiro quaresmal pregado no Vaticano em 1982, alegrou-se com ele por sua vivacidade e juventude de coração...Não quero esquecer o P. Alonso Schökel (1910–1998), que uniu de maneira rara um profundo conhecimento do texto sagrado à fiel penetração da poesia bíblica.Sua tese, Estudios de poética hébrea (1963), constituía um claro programa para o futuro, confirmado nos dois volumes La traducción biblica: lingüistica y estilistica (1977) e Manual de poética hebrea (1987).Suas páginas, se nos aproximam cada vez mais da alma bíblica, encaminham-nos à meditação e à oração.Também não podemos esquecer o cardeal Martini, professor e depois reitor, que se revelou não somente um excelente estudioso do texto crítico do Novo Testamento, seguindo o exemplo de Merk, mas também difundiu entre amplos grupos de fiéis uma visão espiritual da Escritura, fazendo dela o alimento cotidiano.As críticas a uma orientação bíblica excessivamente científica, prejudicial à piedade, reiteradas na Itália em 1941, encontram em Alonso Schökel e em Martini a melhor refutação.E a lista poderia continuar...
8. Os anos do Concílio e do pós-Concílio
Mesmo nos anos nem sempre serenos, para o Bíblico, do período pré-conciliar, o Instituto não permaneceu inativo. Lêem-se sempre com interesse os pareceres apresentados pelo Bíblico, consultado, como todas as universidades e faculdades eclesiásticas e católicas, durante a preparação do Vaticano II [24].Na primeira parte do parecer, de caráter doutrinal, o Bíblico desejava um esclarecimento sobre as relações entre Escritura e Tradição.Elas não constituem duas fontes independentes e paralelas, porque nascem da mesma fonte, mas a Escritura nos transmite a doutrina evangélica e a tradição apostólica de modo mais imediato que a tradição posterior, e somente ela goza de uma inspiração propriamente dita.A Tradição deve referir-se à Escritura, para ser por ela guardada, vivificada e renovada.Por outro lado, a Escritura deve manter uma continuidade viva com a tradição da Igreja.Parece oportuno ressaltar a importância da fé na obra da salvação e a eficácia que a Escritura exerce na santificação cristã.Essa verdade, outrora comum, depois passou quase para segundo plano.É preciso, além disso, reafirmar a historicidade dos Evangelhos e, ao mesmo tempo, sua inerrância, consequência de seu caráter inspirado.Deve-se deixar aos estudos futuros determinar que tipo de história deve ser atribuído aos Evangelhos, em seu conjunto e nas perícopes individuais.Uma concepção excessivamente rígida da historicidade dos Evangelhos corre o risco de colocar em perigo a própria inerrância evangélica.Recorde-se, com Pio XII, a ampla liberdade reconhecida aos exegetas, no respeito ao magistério da Igreja.O parecer detém-se depois na necessidade de evitar o antissemitismo.O povo judeu não pode ser considerado rejeitado por Deus: trata-se de um erro comum no passado entre os protestantes, mas agora também difundido entre muitos católicos, inclusive por causa de uma interpretação errônea de algumas passagens bíblicas, como Mt 27,24–25, e dos preconceitos reforçados pelo antissemitismo.A segunda parte, disciplinar, recomenda um maior conhecimento e fidelidade à encíclica Divino Afflante Spiritu, uma interpretação moderada das decisões da Comissão Bíblica dos anos 1905–1914, evitando o zelo dos intransigentes, inclinados a uma interpretação severa.O parecer termina insistindo na oportunidade de uma fidelidade cada vez maior aos princípios já expostos por Bento XIV — recordados pelo próprio Pio XII — a respeito da condenação de livros considerados nocivos ou perigosos.O parecer confirma, no conjunto, as características já conhecidas da orientação seguida pelo Instituto romano: plena fidelidade às diretrizes da Igreja, mas, ao mesmo tempo, aquele saudável realismo que evita posições intransigentes, respeita e promove a pesquisa científica e, especialmente no que diz respeito ao antissemitismo, mostra-se sensível ao novo clima histórico.O espírito do parecer se reflete em vários documentos conciliares, desde a Dei Verbum até a Nostra Aetate e, indiretamente, na Dignitatis Humanae.Não por acaso, um dos protagonistas indiscutíveis do Vaticano II foi o cardeal Bea, o homem que durante anos impregnara o Bíblico de seu espírito moderado, aberto, realista e fiel.Nos anos imediatamente anteriores ao Vaticano II, desenvolveu-se uma intensa campanha de acusações contra o Bíblico.Creio oportuno mencionar rapidamente a questão, numa síntese histórica destes noventa anos do Instituto.Penso que, mesmo se, como foi afirmado, «uma verdadeira pesquisa histórica sobre esse episódio ainda não foi realizada», ele já é suficientemente conhecido pelos opúsculos da época e pelas sínteses publicadas posteriormente [25].Mons. Romeo havia dirigido, em 1955, acusações contra alguns jesuítas do Bíblico, North e Dyson.Era evidente o contraste entre a Congregação dos Seminários e o Santo Ofício, de um lado, e a Comissão Bíblica, de outro.A polêmica se estendeu entre os biblistas dos Estados Unidos, com a direita — Fenton, apoiado pelo novo delegado apostólico Vagnozzi — e a esquerda — Siegman —, e continuou na Itália entre Mons. Romeo e Mons. Spadafora, os cardeais Pizzardo, Ottaviani, Ruffini e alguns outros estudiosos italianos, de um lado, e o P. Alonso Schökel, o próprio reitor do Bíblico, P. Vogt, o cardeal Liénart, a Comissão Bíblica e a Associação Bíblica Italiana, de outro.Discutia-se essencialmente sobre o significado histórico da Divino Afflante Spiritu — evolução doutrinal ou continuidade? —; sobre o interesse demonstrado pelos PP. Zerwick e Lyonnet, do Bíblico, por algumas interpretações recentes da passagem da Carta aos Romanos sobre o pecado original e da passagem de Mateus sobre o primado — desconhecimento, por parte dos dois padres, das verdades de fé conhecidas, como afirmavam alguns, ou aceitação indiscutida das verdades tradicionais, como reafirmavam os acusados —; sobre confiança ou desconfiança no método histórico-crítico e no reconhecimento dos «gêneros literários».Em 23 de junho de 1961, um monitum do Santo Ofício exortava os exegetas a evitar afirmações e opiniões que parecessem colocar em perigo a verdade histórica objetiva do Antigo e do Novo Testamento e a ter sempre presentes, na exegese, a interpretação e o magistério da Igreja, para não perturbar a consciência dos fiéis nem lesar as verdades de fé.Em 10 de setembro de 1961, os dois padres, Lyonnet e Zerwick, foram suspensos do ensino.Seriam reintegrados em julho de 1964, antes do término do Concílio.Enquanto isso, sucediam-se o silêncio de João XXIII — interpretado de diferentes maneiras: impossibilidade de controlar as alas mais conservadoras da Cúria, ou convicção de que o apoio dado durante o Concílio às correntes mais abertas da teologia enfraqueceria e esvaziaria a consistência dessas críticas contra o Bíblico? —; as fortes palavras de Paulo VI na Universidade Lateranense — «Colaboração fraterna, leal emulação, respeito mútuo e amigável concórdia, jamais polêmica incômoda...» —; a renovação da Comissão Bíblica, com a nomeação de membros como Alfrink e König, que contrabalançavam Ottaviani, Ruffini e Browne; a instrução sobre a verdade histórica dos Evangelhos, de 21 de abril de 1964; e a aprovação definitiva da Dei Verbum, em 18 de novembro de 1965.Hoje, olhando para esses momentos quentes, já distantes e superados, vale a pena concluir com algumas breves observações.A batalha entre as duas correntes exegéticas, aberta e conservadora, foi precedida por pouco tempo ou foi quase contemporânea da batalha a favor ou contra o reconhecimento da liberdade de consciência, isto é, contra Maritain — segundo a orientação de Ottaviani — ou a seu favor — segundo a orientação de Murray.O debate, como se viu, em ambos os casos, estendeu-se também aos ambientes católicos dos Estados Unidos.O Reitor do Bíblico, P. Vogt, considerou seu dever intervir, sem fazer alarde.Numa perspectiva histórica mais ampla, pode-se observar que se trata de um fato absolutamente nada novo na história da Igreja, particularmente na história da teologia.Em tempos de grandes mudanças, a corrente conservadora levanta a voz em tom dramático contra as inovações.Os casos são frequentes também na Idade Média, quando o próprio Tomás de Aquino foi condenado por seu ensinamento hilemorfista, considerado ofensivo contra a autoridade dos teólogos anteriores.Como observava o P. Alszeghy, numa recensão na Civiltà Cattolica [26]:«Autores firmemente entrincheirados numa fase anterior do desenvolvimento teológico interpretam, na perspectiva de seu próprio pensamento, afirmações concebidas em um novo contexto. Essas vozes não interrompem o processo pelo qual a Igreja progride na compreensão das coisas e das palavras reveladas, mas podem ser úteis para levar os autores a não apresentarem suas próprias afirmações como se estivessem em ruptura com o passado, mas a mostrar sempre, com grande compreensão e paciência, como o novo está em continuidade com o antigo».E, nessa perspectiva, não nos admiramos se o Bíblico tiver sido objeto de julgamentos diferentes em 1909, 1940 e 1960.Em 1910, ele pareceu um obstáculo a uma exegese mais aberta à dimensão histórica.Em 1940, pôde parecer a alguns, pouco sensíveis à necessidade de estudos sérios e amplos, que o Bíblico, excessivamente preocupado com a reconstrução histórica, perdesse o sentido religioso da Escritura.Em 1960, quando as posições teológicas tradicionais estavam em crise e a minoria conciliar lutava por sua conservação, o Bíblico pôde parecer um perigo contra a preservação da doutrina tradicional.Hoje, a história do Bíblico aparece simplesmente como um espelho da história da Igreja, o reflexo da evolução da exegese, com o abandono da fase agressiva da reação, o compromisso positivo com a pesquisa bíblica e, finalmente, o fortalecimento da exegese histórica [27].Trata-se de uma história positiva, hoje, depois do Vaticano II, aberta às novas perspectivas.Estas se fazem sentir rapidamente, especialmente desde o período do decanato (1967–1970) e do reitorado (1969–1978) do futuro cardeal Martini.É então que se intensifica o contato com o judaísmo, com a frequência a cursos na própria Universidade Hebraica de Jerusalém, e se abre serenamente ao ecumenismo, com o apreciado curso do valdense Alberto Soggin sobre a história do Antigo Testamento.A influência do Bíblico aparece também no documento da Pontifícia Comissão Bíblica de 15 de abril de 1993, A Interpretação da Bíblia na Igreja, redigido em grande parte pelo P. Vanhoye [28].Se hoje o grau acadêmico em Escritura pode ser obtido também em outros lugares, por exemplo na École Biblique de Jerusalém, o Bíblico permanece sempre um ponto de referência essencial para a exegese moderna.Estas páginas concentraram-se deliberadamente na história do Bíblico durante esses noventa anos.Uma síntese sobre a história geral da exegese desse período complexo, por um lado, exigiria espaço excessivo; por outro, ela já foi em parte antecipada por Mauro Pesce [29] e G. P. Fogarty, já mencionados nas notas, e por diversos estudiosos em várias línguas.E, contudo, podemos ao menos tentar responder sumariamente a duas questões fundamentais.Conhecemos já a afirmação com que Paulo VI fala das várias escolas exegéticas:«Colaboração fraterna, leal emulação, respeito mútuo e amigável concórdia, jamais polêmica incômoda...».Evidentemente, Paulo VI não pretendia traçar um panorama fundamental das várias escolas exegéticas; limitava-se a expressar um desejo, também para deplorar, com extrema delicadeza, certas atitudes daqueles últimos meses.É legítimo, então, perguntar quais foram as correntes predominantes naquelas últimas décadas — desde o início do século ou, se quisermos, desde a crise modernista até o Vaticano II — e qual lugar ocupou o Bíblico nesse panorama.Evitando qualificações genéricas — direita, centro, esquerda —, podemos, contudo, indicar sumariamente três orientações nos estudos bíblicos dos católicos daqueles anos.Encontramos a École Biblique com Lagrange, substancialmente favorável ao método histórico-crítico; as várias correntes de diversos países: em Roma, com o Anselmiano e Hildebrand Höpfl (1872–1934); em Lovaina, com Albin van Hoonacker (1857–1934), cauteloso, mas substancialmente aberto; em Paris, com os sulpicianos, o Institut Catholique e a escola jesuítica de de Grandmaison e Huby; uma orientação expressa nos Estados Unidos, em Theological Studies; a orientação conservadora de algumas revistas romanas (Divinitas) e italianas (Palestra del clero), e de outro periódico dos Estados Unidos, American Ecclesiastical Review.Por brevidade, omitimos publicações, embora importantes, de outros países.Nesse conjunto, o Bíblico representa uma orientação prudente, alheia a atitudes historicamente contraproducentes, mas progressivamente cada vez mais aberta: desde os primeiros anos defensivos da crise modernista até a metade do século, com Bea e Pio XII, e depois até o Vaticano II.Não nos surpreendemos se, por volta de 1960, o Bíblico tenha sido alvo de alguns exegetas em Roma.A resposta mais clara e decidida foi expressa pelo Vaticano II e pela Dei Verbum.
NOTAS
[1] O mesmo texto já foi publicado, com Documentos anexos, em Archivum Historiae Pontificiae 37 (1999), 129–160. Somos gratos ao P. Martina e ao diretor da referida revista, R.P. Josep Benítez S.J., por nos terem concedido autorização para publicar o texto.
[2] S. Schmidt, Agostino Bea: il cardinale dell’unità, Roma 1987; Exégèse et obéissance. Correspondance Cormier–Lagrange (1904–1916), apresentada, editada e comentada por Bernard Montagnes (Études Bibliques, n.s., 11), Paris 1989; M. Pesce, «Il rinnovamento biblico», em I cattolici nel mondo contemporaneo (1922–1958), organizado por M. Guasco, E. Guerriero, F. Traniello (Storia della Chiesa, iniciada por A. Fliche e V. Martin, XXIII), Cinisello Balsamo 1991, pp. 575–610, e em La Chiesa del Vaticano II (1958–1978) (Storia della Chiesa, XXV/II), Cinisello Balsamo 1994, pp. 167–216, com bibliografia muito ampla. Menos profundos, mas úteis, são os opúsculos e artigos comemorativos: A. Bea, Pontificii Instituti Biblici de Urbe prima quinque lustra, 1909–VI Maii–1934, Roma 1934; «Il primo venticinquennio del Pont. Istituto Biblico», em Civiltà Cattolica, 1934, II, pp. 337–345; «Il b. Pio X, gli studi biblici e l’Istituto biblico», em In onore del b. Pio X, Roma 1952, pp. 93–107; San Pio X promotore degli studi biblici, Fondatore dell’Istituto Biblico, Roma 1955, pp. 43–57; S. Schmidt, «Cinquant’anni del Pont. Ist. Biblico», em Civiltà Cattolica, 1960, I, pp. 615–623.
[3] Acta Leonis XIII, XXII (1903), pp. 232–238. É instituída uma comissão bíblica, para que «os oráculos divinos permaneçam incólumes não somente de qualquer sopro de erro, mas também de toda temeridade de opiniões»; Pii X Acta, I (1905), pp. 176–179: recordada a intervenção de Leão XIII, o papa continua: «Queremos fornecer um meio seguro para que se prepare uma boa quantidade de mestres que [...] interpretem os livros divinos nas escolas católicas. Para isso seria certamente muito conveniente — o que sabemos também ter estado entre os desejos de Leão — fundar na cidade de Roma um ateneu próprio....» Cf., porém, F. Turvasi, Giovanni Genocchi e la controversia modernistica (Uomini e dottrine, 20), Roma 1974, p. 77: «Em [...] 1901 [...] estava em gestação a Pontifícia Comissão Bíblica, e ainda não se havia decidido se ela deveria ser concebida como uma academia bíblica ou como um conselho superior de orientação para os estudos católicos»; p. 220: «O padre Frey conservou-nos, no arquivo da Comissão Bíblica, Vaticano, um breve memorando [...] sobre as tentativas para chegar à fundação do instituto bíblico. “No final do pontificado de Leão XIII, havia sido decidida a criação de um instituto bíblico em Roma. O padre Lagrange deveria ser o diretor e a Revue Biblique deveria ser seu órgão oficial. O padre Lagrange havia colocado como condição que não residiria em Roma todos os anos senão seis meses, para poder dedicar o restante do tempo à École Biblique de Jerusalém [...] Vice-diretor do Instituto deveria ser o P. Fleming O.F.M., secretário da comissão. Haviam sido considerados como professores Poels, Genocchi, Minocchi, Prat. Se Leão XIII tivesse vivido mais dois meses, esse Instituto teria sido criado [...] O que até então havia impedido sua realização era o fato de ainda não se ter encontrado um local adequado”».
[4] Cf., para a Vinea electa, Acta Apostolicae Sedis, 1 (1909), pp. 447–451 (p. 448: «A finalidade do Instituto consiste em defender, proclamar e promover a sã doutrina sobre os Livros Sagrados, inteiramente conforme às normas estabelecidas ou que venham a ser estabelecidas por esta Sé Apostólica, contra as opiniões falsas, errôneas, temerárias e heréticas, sobretudo as mais recentes»).Quanto à dependência da Companhia, ibid., p. 450: «O Presidente é nomeado pelo Sumo Pontífice, depois de ouvida a relação do Prepósito Geral da Companhia de Jesus, que lhe proporá três candidatos para esse cargo».Mais claramente, a carta do cardeal Merry del Val, Secretário de Estado, de 29 de maio de 1909, em Acta Romana S.I., de fins de 1909 ao início de 1910, p. 32: «[...] o Instituto Bíblico, que, conforme o acordado, o Sumo Pontífice se dignou confiar aos solícitos e sábios cuidados da Companhia de Jesus».A nomeação de Fonck é anunciada em Acta Apostolicae Sedis, 1 (1909), p. 571, de maneira rápida, sem comentários. Quanto à dependência exclusiva do Bíblico em relação ao Geral da Companhia, Acta Romana S.I., ano 1910, p. 49.
[5] Para o cardeal O’Connell, cf. a carta de agradecimento do próprio Pio X, de 25-XI-1909, em Acta Apostolicae Sedis, 2 (1910), p. 4.Sobre a família du Coëtlosquet, cf. A. Bea, Pontificii Instituti Biblici de Urbe prima quinque lustra, citada, pp. 12–13; referências à grande generosidade da família na carta do P. Ledóchowski aos provinciais da Companhia de Jesus, de 29 de maio de 1915, em Acta Romana S.I., 1915, pp. 48–49.A família du Coëtlosquet compreendia o visconde Maurício, falecido em 1904; sua esposa Maria Renata; as cunhadas Joana e Maria; os filhos Eduardo, beneditino, abade de S. Mauro; João, igualmente beneditino, monge de Solesmes; Carlos, jesuíta (1850–1944), missionário em Madagascar; Carolina; e Geórgia, das Pequenas Irmãs dos Pobres, com o nome de Isabel de Jesus.Carolina morreu em 9 de fevereiro de 1911, aos 36 anos. Pio X escrevera-lhe pessoalmente em 1º de julho de 1910 (carta conservada no arquivo do Bíblico).A viscondessa Maria Renata morreu em março de 1915. Carlos, vindo da França para a Europa desde Madagascar, para um breve descanso, foi a Roma para levar ao papa a vultosa doação da família.A doação chegava em momento extremamente oportuno, porque Pio X havia ficado quase sem recursos depois do terremoto de Messina de 1908, que o havia envolvido diretamente numa importante obra de assistência, e Pio X havia rezado longamente e mandado rezar para obter os meios necessários.
[6] Segundo os catálogos da província romana S.I., o Bíblico aparece somente em 1911, na Via dell’Archetto 6, junto à atual Piazza della Pilotta, com os seguintes membros: Fonck, reitor (desde 4 de novembro de 1910); P. Moppi, ministro, isto é, responsável pela administração material da casa; os professores Mallon, Fernández, Deimel, Ehrle, Gismondi, Lammens, van Laak, Schellauf, Szczepanski, Murillo, Vrano, Ronzevalle; três estudantes e quatro irmãos.Em 1912, o Instituto aparece com sede na Piazza della Pilotta 35.Desde dezembro de 1918, o reitor é o P. Fernández, que, contudo, já havia exercido de fato esse cargo desde 1915; desde dezembro de 1924, o P. O’Rourke.O P. Fonck aparece em Roma até 1929.
[7] Sobre o P. Wernz, geral de 1906 a 1914, remetemos à respectiva entrada do Dizionario dei gesuiti, que esperamos não demore muito a sair.
[8] Acta Romana S.I., ano 1910, p. 64.
[9] Exégèse et obéissance. Correspondance Cormier–Lagrange (1906–1916), apresentada [...] por N. Montagnes, Paris 1989, p. 221.
[10] Falta um estudo científico e exaustivo sobre Fonck. Podemos recorrer aos necrológios e aos perfis de algumas enciclopédias ou revistas especializadas, como o anônimo de Biblica, 11 (1930), pp. 369–372; o mais extenso de U. Holzmeister, em Dictionnaire Biblique, Supplément, III (1938), pp. 310–313.Muitas referências significativas podem ser encontradas em Exégèse et obéissance, Correspondance Cormier–Lagrange (1904–1916), citada.Indispensáveis continuam sendo os documentos do ARSI, Instituto Bíblico.Recordemos suas principais obras: além dos artigos publicados entre 1903 e 1904 na Zeitschrift für katholische Theologie, sobre a vida de Jesus, o Evangelho, a evolução e a Igreja, e a pesquisa católica moderna sobre os Evangelhos — significativos para a época em que foram preparados e publicados —, merecem destaque Die Parabeln des Herrn im Evangelium exegetisch und praktisch erlaütert, Innsbruck 1902, tradução inglesa e italiana; Die Wunder des Herrn im Evangelium exegetisch und praktisch erlaütert, ibid. 1903, traduções italiana e espanhola; Der Kampf um die Wahrheit der Heiligen Schrift seit 25 Jahren, ibid. 1905; Auserwählte Reden und Gespräche des Herrn, ibid. 1905; Die Geheimnisse des Lebens Jesu, ibid. 1907; Wissenschaftliche Arbeiten, ibid. 1908, traduções italiana e francesa; Die Irttumslosigkeit der Bibel vor der Forum der Wissenschaft, Einsiedeln 1916.
[11] Algumas dessas cartas foram publicadas no citado Archivum Historiae Pontificiae 37 (1999), pp. 154–160.
[12] ARSI, Instituto Bíblico, carta autógrafa de Dudon com detalhes sobre as reações do Ministério das Relações Exteriores.
[13] Exégèse et obéissance. Correspondance Cormier–Lagrange, [...] por B. Montagnes [...], citada, p. 221: «Em 1915–1919 sua nacionalidade o obrigou a retirar-se para a Suíça. Depois da guerra, continuaria ensinando em Roma até o momento em que, em 1929, Pio XI exigiu sua partida. Não sobreviveria a esse exílio e morreria alguns meses depois, em 19.10.1930».A nota de Montagnes, não acompanhada de referências arquivísticas ou bibliográficas, pode ser completada por uma carta do reitor O’Rourke ao geral Ledóchowski, de 7 de junho de 1926 (ARSI, Instituto Bíblico, 1920–1930, Ex officio, 1925–1928): «Sua Santidade exige que o P. Fonck seja removido e enviado à sua província».O papa já não o considerava totalmente lúcido, «mentis compotem», e não apreciava seu valor científico («sobre isso está convencido há muitos anos»).Cf. a mesma pessoa ao mesmo destinatário, 15 de julho de 1929: para o P. O’Rourke, o P. Fonck era imprudente, demasiado obstinado em suas ideias, inclinado a criticar o papa, por ele considerado liberal...
[14] Exégèse et obéissance, citada, p. 284, nota: «Os estudantes não têm muito entusiasmo por seu sábio mestre [Fonck]. Divulgam com prazer e malícia as palavras comprometedoras, entre outras esta: “Quando se tiver destruído o Instituto Bíblico de Jerusalém e as universidades de Paris, Lovaina e Friburgo, então se poderá fazer algum progresso no sentido católico”. Há, sem dúvida, muito exagero nesses rumores».
[15] Cf. os detalhes em B. Montagnes, «La question biblique au temps de Pie XI», em Achille Ratti Pape Pie XI, Roma 1996, pp. 255–276, especialmente pp. 265–272.[16] Para os dados estatísticos, sigo os dados fornecidos pela secretaria do Instituto. Para os nomes dos estudantes, cf. Elenco degli alunni del Pontificio Istituto Biblico, 1909–1999, Roma 1999.Sobre Vaccari, «P. Alberto Vaccari. In memoriam», em Biblica, 47 (1966), pp. 158–162, do cardeal Bea (158–159) e do P. Boccaccio (159–162).Sobre o P. Merk, sempre em Biblica, 26 (1945), pp. 310–315, «P. Augustinus Merk» (anônimo).
[17] Para a história da faculdade de estudos orientais, cf. o relatório inédito, elaborado por vários professores há alguns anos e conservado na secretaria do Bíblico.Sobre o P. Pohl, cf. o necrológio de S. Moscati, em Orientalia, 31 (1962), pp. 1–5.Sobre o P. Zorell, cf. o breve necrológio anônimo em Acta Pontificii Instituti Biblici, 1947–1948, pp. 128–129.Sobre o P. Messina, cf. Biblica, 32 (1951), pp. 464–468.Sobre o P. Deimel, Acta Pont. Inst. Bibl., 1954–55, pp. 29–30, e em Biblica, 35 (1954), pp. 539–544, do P. E. Vogt.
[18] Cf. Osservatore Romano, 21 de maio de 1938.O jornal vaticano deu grande destaque à discussão da tese, com um amplo artigo na primeira página e um título em várias colunas.A tese foi publicada com o mesmo título em Turim, em 1940, com uma única referência inicial à sua gênese: «a impressão do presente trabalho, discutido como tese de doutorado em Sagrada Escritura na presença de Sua Santidade Pio XI em maio de 1938...».O autor evita qualquer intenção apologética e somente ao final se detém no confronto entre a poesia babilônica e a poesia bíblica, admitindo, no máximo, uma influência indireta e ressaltando a diferença fundamental entre o monoteísmo israelita e o politeísmo babilônico.
[19] Città Nuova, Roma 1987, p. 70, e especialmente pp. 121–122.Cf., por outro lado, as afirmações do P. Lyonnet, no artigo citado na nota seguinte, pp. 376–377: «Por temperamento, por formação, o Padre Bea não tinha nada de inovador [...] Mas [...]. A evolução evidente e reconhecida pelo próprio padre Bea em muitos pontos relativos à exegese bíblica já estava, contudo, de certo modo, em germe desde esse período».
[20] Referências sumárias em S. Schmidt, Agostino Bea..., pp. 99–101; cf. também A. Vaccari, Lo studio della S. Scrittura. Lettera della Pont. Commissione Biblica con introduzione e commenti, Roma 1943; S. Lyonnet, «Le cardinal Bea et le développement des études bibliques», em Rivista Biblica, 16 (1968), pp. 370–396, especialmente pp. 376–380; M. Pesce, «Il rinnovamento biblico», citada, pp. 575–610, especialmente pp. 593–599.Segundo Pesce, Ruotolo contrapunha o uso histórico da Bíblia ao seu uso religioso, sem perceber a historicidade dos textos bíblicos, a amplitude dos problemas interpretativos suscitados pelo renovado conhecimento das civilizações orientais e mediterrâneas.
[21] Cf. S. Schmidt, Agostino Bea..., citada, pp. 102–105; os artigos de Bea em Biblica, 26 (1945), pp. 203–237, e em Civiltà Cattolica, 1955, I, pp. 508–524, 604–615.
[22] Schmidt, Agostino Bea..., pp. 106–110; S. Lyonnet, «Le cardinal Bea et le développement des études bibliques», Rivista Biblica 16 (1968), pp. 371–392, especialmente p. 378 e seguintes.[23] Cf. Schmidt, Agostino Bea..., pp. 123–124; S. Lyonnet, «Le card. Bea et le développement des études bibliques», em Rivista Biblica, 16 (1968), pp. 371–396, especialmente pp. 382–384; A. Bea, «Il problema del Pentateuco e della storia primordiale. A proposito della recente lettera della Pontificia Commissione Biblica», em Civiltà Cattolica, 1948, II, pp. 116–127.Segundo Lyonnet, o artigo de Bea foi escrito por solicitação do cardeal Tisserant, presidente da Comissão Bíblica.
[24] Acta et documenta Concilio Oecumenico Vaticano II apparando, s. I, antipraeparatoria, IV, Studia et vota universitatum et facultatum ecclesiasticarum et catholicarum, p. I, Universitates et facultates in urbe. Typis Polyglottis vaticanis, 1961, pp. 123–136.O parecer do Bíblico é apresentado pelo Reitor, P. Vogt, e assinado pelos PP. Vaccari, Lyonnet, Pohl, Alonso Schökel, Boccaccio, Dahood, de la Potterie, Köbert, Martin, McCool, Moran, Novotny, Patti, Pavlovsky, des Places, Simon, Smith e Zerwick.Em outras palavras, ele expressa a opinião de todo o corpo docente, o que o torna ainda mais interessante.
[25] Assim M. Pesce, «Il rinnovamento biblico», citada, pp. 168–216 — a afirmação encontra-se na p. 168.Cf. sobre esse tema: L. Alonso-Schökel, «Dove va l’esegesi cattolica?», em Civiltà Cattolica, 1960, III, pp. 1–12; A. Romeo, «L’enciclica “Divino Afflante Spiritu” e “Opiniones novae”», em Divinitas 4 (1960), pp. 387–456; Monitum do Santo Ofício, 20 de junho de 1961 (Acta Apostolicae Sedis, 53 [1961], p. 507); Associação Bíblica Italiana, «Chiarificazioni sul convegno di Padova (a proposito di un recente articolo)», em Atti e conferenze della settimana biblica 1960, Roma 1961; J. A. Fitzmyer, «A Recent Roman Scriptural Controversy», em Theological Studies, 22 (1961), pp. 426–444; «Pont. Institutum Biblicum et recens libellus Rvmi D. Romeo», em Verbum Domini, 39 (1962), pp. 3–17; Paulo VI, Insegnamenti, I, Cidade do Vaticano 1965, p. 273; A. Tafi, Mezzo secolo a servizio della Chiesa, Associação Bíblica Italiana, Treviso 1985; G. P. Fogarty, American Biblical Scholarship. A History from the Early Republic to Vatican II, San Francisco 1989.Sobre os principais protagonistas da controvérsia, recordamos: Antonino Romeo, aluno do Bíblico de 1924 a 1927, licenciado em Escritura, professor de Escritura no seminário de Catanzaro, auxiliar de estudos na Congregação dos Seminários, professor na Universidade Lateranense, falecido em 1974; Francesco Spadafora, aluno do Bíblico de 1936 a 1939, doutor em Escritura, professor na Universidade Lateranense, falecido em 1997.
[26] 1981, III, p. 309.
[27] Cf. as belas páginas de M. Pesce, no volume I cattolici nel mondo contemporaneo, 1922–1958, citado, pp. 584–586 — significado dos reitorados de Fernández, O’Rourke e Bea.
[28] Pont. Comissão Bíblica, L’interpretazione Biblica nella Chiesa, Cidade do Vaticano 1993: discurso de S.S. João Paulo II, 23 de abril de 1993; o documento da Pont. Comissão Bíblica.
[29] No volume I cattolici nel mondo contemporaneo, 1922–1958, citado, especialmente pp. 585–609, particularmente pp. 591–592.
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A NOVANT’ANNI DALLA FONDAZIONE DEL PONTIFICIO ISTITUTO BIBLICO
[07.05.1999][1]
1. Premesse
Ringrazio il R. P. Rettore del Pontificio Istituto Biblico, R. P. O’Toole, e gli organizzatori del congresso, che hanno voluto assegnare questa relazione non a un biblista, ma a uno studioso di storia contemporanea della Chiesa. Avverto tutta la difficoltà del compito, che supporrebbe una reale competenza in questioni bibliche, una capacità di sintesi e un equilibrio nei giudizi. La difficoltà deriva anche dall’ampiezza del materiale conservato nei due archivi, del Vaticano e della curia generalizia della Compagnia di Gesù, non sempre per altro agevolmente reperibile. Ho potuto consultare il fondo Istituto Biblico, dell’archivio della Compagnia di Gesù, noto colla sigla ARSI, e qualche altro documento dell’Archivio Vaticano. Mi sono fondato largamente su alcune opere fondamentali, articoli, corrispondenze già pubblicate, sui necrologi di alcuni professori, sulle biografie dei principali personaggi. Manca ancora un profilo biografico del primo rettore del Biblico, il P. Fonck. Alcune notizie di un certo interesse si possono raccogliere dal carteggio fra il Fonck e il suo superiore generale, P. Wernz, da altre lettere dei consiglieri del generale successivo, P. Ledóchowski, conservate nell’ARSI, da qualche lettera fra il P. Wernz e Pio X. Utilissimi, per la prospettiva generale e lo sviluppo del Biblico, inquadrato nel contesto generale degli studi biblici, rimangono i lavori di Mauro Pesce, in Annali di storia dell’esegesi, e negli ultimi volumi della Storia della Chiesa nota col nome di Fliche–Martin.Qualche particolare, soprattutto una prospettiva diversa, utile per allargare il quadro, trapela dalla corrispondenza tra il Lagrange e il suo generale, ora beatificato, il b. Cormier, limitata però agli anni 1904-1916[2]. Schematizzando, penso di fermarmi su quattro punti: le origini del Biblico, con il rettorato del P. Fonck, le ovvie difficoltà, e l’inevitabile condizionamento di quel periodo; il pontificato di Pio XI, con i rettorati dei PP. Fernández e O’Rourke, e, dal 1930, del P. Bea: un ventennio fondamentale per l’esegesi cattolica, con il passaggio dalla posizione difensiva a quella positiva di ricerca, e il graduale avvicinamento al metodo storico; il pontificato di Pio XII, col largo determinante influsso del P. Bea, l’approfondimento, per influsso della Divino Afflante Spiritu, della ricerca storica, l’accettazione sempre più diffusa del metodo storico-critico con le sue conseguenze; gli anni del Vaticano II, con i momenti un po’ difficili del 1958-63, l’esempio di profonda maturità di due professori del Biblico, Lyonnet e Zerwick, la Dei Verbum.
2. Il contesto storico
I primi anni del Novecento assistono a un complesso di discussioni, o meglio all’esplosione di una vera e propria crisi biblica. Nel 1902 esce L’Evangile et l’Eglise, di Loisy, seguito presto da Autour d’un petit livre, sempre del Loisy. Le due opere sono messe all’indice il 16 dicembre 1903, poche settimane dopo l’elezione di Pio X. Nel 1903 esce La méthode historique surtout à propos de l’Ancien Testament, del Lagrange. Il lavoro, sintesi di sei conferenze date a Tolosa, provoca una risposta piuttosto lunga e vivace del gesuita Delattre, per breve tempo professore alla Gregoriana, Autour de la question biblique, Une nouvelle école d’exégèse et les autorités qu’elle invoque (1904), seguita presto dall’immancabile replica del Lagrange, Eclaircissement sur la méthode historique à propos d’un livre du P. Delattre (1905), e la controffensiva del Delattre, Le criterium à l’usage de la nouvelle exégèse biblique. Réponse au R.P. M.J. Lagrange (1907). Come è inevitabile, anche se doloroso, nella polemica si insinuano toni un po’ aspri, rimproveri personali. Ma siamo ormai nel cuore della polemica modernista, caratterizzata, non solo dalle opere di Loisy, ma da quelle del Tyrrell, Nova et vetera (1897), Lex credendi (1906), Through Scylla and Charybdis (1907), Medievalism (1908), Christianity at the Cross Roads (1909), a cui si affiancano le tesi abbastanza radicali della rivista Nova et vetera (1908), di Buonaiuti, compagno di seminario, a Roma, di Angelo Roncalli, e suo assistente alla prima messa nell’agosto 1904 in S. Maria di Montesanto a piazza del Popolo. Questi cenni, che vogliono restare tali, non pretendono dare un quadro esteso del modernismo. Troppe cose bisognerebbe aggiungere, sulle cause remote e prossime del movimento, sui suoi numerosi protagonisti, amici, simpatizzanti, sui suoi aspetti diversi, che partendo da un moderato riformismo, un’esigenza di un rinnovamento di parte degli studi ecclesiastici, arrivavano gradualmente a affermare l’evoluzione radicale del dogma, a ridurre la rivelazione a un’esperienza religiosa interna, soggettiva, a separare scienza e fede. Mi preme ora solo, in questa sede, indicare il clima generale di quegli anni nei quali matura e giunge a compimento l’idea di un istituto romano specificamente destinato agli studi biblici per formare una nuova classe di professori di Scrittura, preparati da specialisti fedeli alla Santa Sede e capace di opporsi alle correnti radicali abbastanza diffuse. La recente storiografia, che si è sviluppata anche dopo la canonizzazione di Pio X nel 1954, ha sottolineato questi aspetti: la viva preoccupazione diffusa negli ambienti vaticani (non solo in Pio X, ma nei suoi stretti collaboratori, come i card. Merry del Val, Vives y Tutó, De Lai); la vasta repressione promossa dalla Santa Sede, ora con documenti piuttosto solenni (Pascendi e Lamentabili, 1907, Sacrorum Antistitum, 1910, risposte della Commissione Biblica, dal 1905 al 1914), ora con condanne all’indice di opere diverse, anche puramente storiche e agiografiche, ora con rimozioni da incarichi di una certa importanza, e soprattutto con un piano sistematico di visite apostoliche nei seminari e nelle diocesi; la diffusione di un certo gruppo di riviste ispirate a un netto integrismo, che finivano per diffondere sospetti e accuse anche su fedelissimi vescovi e cardinali, come il Ferrari di Milano, beatificato, Maffi di Pisa. Ricordiamo di volo «L’Unità Cattolica», di Firenze, «La Riscossa», dei fratelli veneti Scotton, «La Vigie» di Parigi, l’«österreichisches Katholisches Sonntagsblatt», di Vienna, il «De Maasbode», in Olanda. Nel 1907 al Lagrange venne imposto di non pubblicare in nessun modo il suo commento al Pentateuco, e nel 1912 i suoi testi vennero esclusi da tutti i seminari.
Accanto a questa azione negativa, si affiancò pero una linea positiva, di consolidamento e rafforzamento. Essa abbracciò tre linee diverse. Sul piano disciplinare si ebbero il codice di diritto canonico, promosso fin dal 1904, che rispondeva ad esigenze pratiche, obiettive, avvertite da tempo, e che richiese lunghi lavori diretti dal Gasparri, terminati solo nel 1917; la riforma della curia romana (Sapienti Consilio, 1908), quella della diocesi di Roma (Etsi nos, 1912). Sul piano pastorale, si susseguirono sin dalle prime settimane i primi passi per il rinnovamento del canto sacro e della liturgia, più tardi, con i due decreti Sacra Tridentina Synodus (1905) e Quam Singulari (1910) una vera riforma eucaristica (comunione anche quotidiana, anche in età infantile), un rinnovamento catechistico (Acerbo nimis, 1905, Compendio della dottrina cristiana, Catechismo della dottrina cattolica). Sul piano dottrinale, accanto agli interventi della commissione biblica, va evidenziata la fondazione del Biblico.
3. Le origini
Alla fondazione del nuovo istituto si era arrivati gradualmente, dopo un piano formulato genericamente da Leone XIII nei suoi ultimi anni (lettera apostolica Vigilantiae, 30 ottobre 1902) ripreso ed annunziato da Pio X colla lettera apostolica Scripturae Sanctae, (23 febbraio 1904) [3] . Il primo documento istituiva la Commissione Biblica, senza troppe precisazioni. Secondo un rapporto pubblicato da Francesco Turvasi nella sua biografia di Giovanni Genocchi, si era rimasti incerti per qualche tempo se fare della Commissione un tribunale giudicante, o un consiglio direttivo sugli studi biblici. Ci si era orientati in un primo momento alla creazione di un istituto, affidato al Lagrange e al P. Fleming, francescano. Non si era trovato subito un locale adatto, e alla morte di Leone l’idea era stata abbandonata. Era rimasta però la Commissione, con un complesso di 41 consultori, fra cui il Lagrange. L’idea venne ripresa da Pio X nella lettera del 1904: essa esprimeva il proposito di fondare un istituto dedicato a formare i professori di Scrittura, manifestando la speranza di avere una volta o l’altra mezzi necessari, e riservando intanto alla Commissione Biblica il diritto di conferire il grado di dottore in Scrittura. L’invito di Pio X di approfondire gli studi di Scrittura portò nel 1908 alla istituzione alla Gregoriana di un corso superiore di Scrittura. Solo nel 1909 si giunse alla fondazione di un apposito istituto, eretto con il breve Vinea electa del 7 maggio. Il 29 dello stesso mese, chiarendo più esplicitamente quanto era stato solo accennato nel documento precedente, il Biblico era affidato alla Compagnia di Gesù. L’11 giugno 1909 il P. Leopold Fonck (su cui ritorneremo) era nominato preside (oggi diremmo rettore) del Biblico. Il 3 giugno 1910 il generale P. Wernz ribadiva che, salva sempre l’autorità della Santa Sede, il Biblico era sottoposto alla giurisdizione immediata ed esclusiva del generale della Compagnia (un controllo superiore a quello esercitato sulla stessa Gregoriana) [4] . Il Biblico rimase però per un anno e mezzo, sino al 1911, ospite del Collegio Leoniano, nel quartiere che si stava sviluppando proprio quegli anni, detto Prati, dove i Vincenziani raccoglievano alcuni studenti di teologia o giovani sacerdoti ancora dediti agli studi. Le lezioni si svolgevano in parte lì, in parte alla Gregoriana, nella sede di via del Seminario, dove l’università pontificia si era sistemata come si poteva dopo l’espulsione dal Collegio Romano nel 1873. Presto però il Biblico trovò la sede adatta nel palazzo Muti Papazzurri in Piazza della Pilotta, acquistata grazie alla generosità di tre benefattori. Ricordiamo il cardinale O’Connell, di Boston (1860-1944), già studente del Collegio Americano di Roma, e suo rettore dal 1895 al 1901, vescovo di Portland, poi di Boston, cardinale dal 1911, che già nel 1905 per incarico di Pio X aveva svolto una delicata visita in Giappone, ed aveva in quest’occasione mostrato una grande fiducia nella Compagnia. A lui si aggiunse (non sappiamo per quali motivi) mons. Kohn (1845-1915), già vescovo di Olmutz dal 1893 al 1904. Si mostrò poi particolarmente benemerita la famiglia francese du Coëtlosquet, che con il suo contributo permise l’acquisto del palazzo e assicurò il primo sviluppo dell’istituto [5] . Nel palazzo, non troppo grande, opportunamente adattato dall’architetto romano Astorri, la comunità dei professori e del piccolo gruppo di studenti gesuiti rimase sino a quando potè allargarsi con parte dell’edificio annesso alla Chiesa dei SS. Apostoli, ottenuto dalla S. Sede durante il pontificato di Pio XII, poco dopo la guerra [6] . La Compagnia di Gesù in quegli anni, durante il generalato del P. Wernz (1906-1914) [7] , si stava riprendendo dalla dura prova subita in seguito alle leggi eversive che si erano moltiplicate nei vari paesi durante l’Ottocento, e, senza godere di piena libertà in Italia, Francia, Germania, aveva trovato un’interpretazione legittima delle leggi di dispersione ed aveva ripreso larga parte delle sue antiche attività, eventualmente in sedi di fortuna. Statisticamente, si era passati dai circa 10000 del 1875 ai 15000 del 1915. Certo il numero rimaneva impari ai compiti che le si prospettavano. Proprio Pio X nel 1906 aveva caldamente invitato la Compagnia a ritornare in Giappone e ad aprire ex novo un’università a Tokio. Il nuovo Istituto Biblico richiedeva un nuovo sforzo, il reclutamento di professori sicuri e provati, l’avviamento allo studio delle Scritture dei migliori giovani. Pio X aveva mostrato la sua fiducia nella Compagnia: P. Wernz ubbidì. Forse in futuro nuovi documenti ci mostreranno qualche altro dettaglio sulla questione, sostanzialmente già nota: sembrerebbe, secondo il Turvasi, che a favore dei gesuiti sia intervenuto anche il redentorista Van Rossum. L’affermazione resta incerta, anche perchè il Van Rossum, pur avendo a Roma importanti incarichi come consultore del S. Ufficio e membro della commissione per la codificazione del diritto canonico, solo più tardi, nel 1911, venne nominato cardinale e nel 1914 presidente della Commissione Biblica. Forse si è caduti in un equivoco. È un po’ difficile supporre che P. Wernz, in un momento delicato e con forti preoccupazioni, facesse pressioni o cercasse appoggi per ottenere alla Compagnia altri impegni. Lo stato d’animo del generale Wernz e del papa appare comunque chiaro dai discorsi scambiati il 1 ottobre 1910 ai rappresentanti della Compagnia, venuti a Roma per la consueta assemblea triennale. P. Wernz, dopo aver ringraziato il papa per la sua benevolenza e fiducia nella Compagnia, aggiunse: «Huius autem benevolentiae tuae testis praeclarissimus est, unus prae multis, Pontificium Institutum Biblicum, quod contra modernos Sacrorum Librorum insectatores propugnaculum in hac alma Urbe nuper erexisti, eiusque curam et custodiam, quae Tibi unice cordi erat, Societati nostrae demandatam voluisti». Il papa rispose con le parole, riferite come avviene spesso in questi casi, non alla lettera ma sempre fedelmente: «haud mediocriter se quoque laetari ob adventuros in urbem ex omnibus provinciis delectos sodales Sacris Litteris in novo Athaeneo Biblico vacaturos; sic enim fiet, ut solida omnigenaque doctrina imbuti, viri prorsus doctos evadant, quales infelix haec requirit aetas, ad pestiferos modernismi errores convellendos extirpandosque»[8].
4. I ’esegesi difensiva. L’enigma Fonck.
Ci si può chiedere oggi se la fondazione del Biblico, in quegli anni critici, avesse un significato conservatore, che non sfuggiva agli osservatori attenti di quei giorni, pronti a sottolineare il significato della parole del papa. Questa interpretazione è stata ripresa più volte da studiosi attenti del modernismo. Il nuovo istituto doveva proprio costituire un contrappeso all’Ecole Biblique di Gerusalemme, sorta nel 1890. Certo fu questa l’impressione del P. Lagrange, ben chiara in una lettera al suo generale, il b. Cormier, del 16 giugno 1909. La lettera si comprende meglio se si tiene presente quanto è stato detto sopra, della prima idea intorno a un istituto biblico romano, affidato al Lagrange, emersa a Roma nel 1901, e presto tramontata. «J’ai vu avec une impression mélangée la fondation de l’institut biblique. Pour les intérêts particuliers de l’Ecole biblique de Jérusalem, il n’est pas fâcheux qu’il soit confiée à la seule Compagnie. Je n’ignore pas l’hostilité personnelle du P. Fonck contre moi; et pourtant, je l’ai entendu jadis à Jérusalem se moquer des vieux pères conservatifs de la Compagnie. C’est un opportuniste très dangereux. Le plan de la Compagnie, que j’ai pénétré depuis longtemps, devient évident à tout le monde. Au fond on veut faire ce que nous faisons, et l’on se crée une réputation d’orthodoxie en nous décriant. Les progressistes de la Compagnie, qui sont de beaucoup le plus nombreux, sont couverts par quelques intransigeants tapageurs. Tout cela est cousu de fil blanc et assez misérable»[9].
La lettera ha certamente il merito di porre sul tappeto un problema centrale, in modo chiaro. Non bisogna però trascurare né la moderazione del generale Wernz, mostrata più volte in quegli anni, né il valore non assoluto delle testimonianze del Lagrange, parte in causa, né la necessità di distinguere con chiarezza le responsabilità personali di Pio X, del Wernz, del Fonck stesso, dei vari professori che si sono succeduti al Biblico. E soprattutto non si deve ridurre la storia del Biblico alle vicende della sua fondazione e alle caratteristiche dei suoi primi anni, largamente condizionati dal tempo. L’evoluzione successiva non va certo trascurata. Ma che dobbiamo dire del P. Fonck? [10] . Nato a Wissen (Renania, diocesi di Münster) nel 1865, dopo gli studi al Germanico di Roma, già sacerdote entrò nella Compagnia di Gesù, completando la sua formazione scritturistica, insegnò Scrittura ad Innsbruck dal 1901 al 1909. Il Fonck dal 1909 al 1919 fu l’organizzatore e il rettore del Biblico, poi professore dello stesso istituto, cui in poco tempo, partendo quasi dal nulla, trovando professori capaci e sicuri, come il Vaccari, delle primissime generazioni del Biblico, dette uno sviluppo e una solidità notevole, assicurando fra l’altro la perfetta osservanza regolare. Come studioso, ebbe il merito di conoscere bene la letteratura recente, e di esporre con chiarezza il pensiero degli avversari. Si deve a lui, secondo il Turvasi, l’abbozzo dell’enciclica Spiritus Paraclitus, promulgata da Benedetto XV nel settembre 1920. Non mancarono però già allora critiche contro di lui. Il necrologio anonimo apparso in Biblica alla sua morte con delicatezza ma con una chiarezza sufficiente per i competenti afferma: «Qua erat in sanctam Ecclesiam flagrante caritate, nihil umquam antiquius habebat, ut eam fortiter defenderet, ubicumque sese manifestabant pericula vel periculorum indicia, et ante omnia fidei puritatem ac doctrinae in re biblica securitatem tueretur. Quo in zelo etsi non nemo erat qui eum aliquoties aequos limites transgressum esse censeret, inter eos qui eum intimius noverant nullus est qui nesciat eum unice sanctissimis rationibus et purissima Dei gloriae intentione ductum fuisse». Questo cauto giudizio è confermato dalle lettere ricevute e scambiate quegli anni dal generale Wernz e dal papa stesso [11] , e soprattutto da quelle ancora conservate inedite nell’archivio generalizio della Compagnia. Si osservava che il Fonck accettava troppi lavori, amministrativi e scientifici, che non aveva il tempo sufficente per ascoltare e consultare i suoi religiosi, anche gli stretti collaboratori, che — come osservava il P. Vaccari, avvezzo a un’osservanza regolare e non incline ai propri comodi — prendeva decisioni non sempre opportune, per mancanza delle informazioni che aveva rifiutato, che pretendeva far troppo e troppo presto, con iniziative non assolutamente urgenti. Non tutti ritenevano opportuno pensare quei primi anni a una succursale del Biblico a Gerusalemme, su cui si poteva aspettare. Ma il Fonck, quasi bruciando i tempi, fin dal 1911 e 1912 si era recato in Palestina e aveva preso vari contatti. La cosa era trapelata, e aveva sollevato perplessità fra i gesuiti di Beyruth, preoccupati di un’eventuale concorrenza, e persino negli ambienti diplomatici di Parigi. Il gesuita Dudon, valente storico, il 12 dicembre 1912 informava il generale Wernz delle reazioni piuttosto negative del Ministero degli Affari Esteri francese [12] . Anche Pio X aveva ricevuto qualche voce non del tutto favorevole, e aveva chiesto informazioni al Wernz. Fonck si difese per scritto in una lunga lettera al generale, ma ammise che lo stesso Merry del Val si mostrava freddo nei suoi confronti, e il 4 marzo 1914 offrì le sue dimissioni. Non ho trovato per ora la risposta del generale, ma comunque il Rettore rimase al suo posto. Un cambiamento dopo pochi anni avrebbe fatto certo pessima impressione. Probabilmente fu affiancato al Fonck, che teoricamente restava rettore, il padre Fernández, con larghi poteri. Lo stesso Benedetto XV, ricevendo durante la prima guerra mondiale uno stretto collaboratore del nuovo generale Ledóchowski (in quel momento assente da Roma), l’assistente d’Italia P. Nalbone, si espresse un po’ sul serio un po’ scherzando in modo non del tutto positivo per il Fonck: «Se potessi parlare col vostro generale, ci intenderemmo subito. Ma col P. Fonck ... «. Certo nel dicembre 1918 un altro gesuita, P. Geny, professore di filosofia alla Gregoriana, in una lettera al Ledóchowski, generale dal 1915, espresse varie riserve sul Fonck, anche per la poca prudenza mostrata nel campo politico in quegli anni di guerra, e manifestò il desiderio che il rettore del Biblico non tornasse a Roma, dopo il prolungato soggiorno in Svizzera durante la guerra. Fonck invece tornò a Roma e vi rimase fin verso il 1929: sembra fondata l’affermazione del Montagnes, che quell’anno Pio XI ne avrebbe imposto la partenza[13].
Probabilmente il Fonck, poco diplomatico, si era espresso più volte duramente nelle sue lezioni nei confronti del Lagrange e della sua scuola [14] . In quegli anni comunque il Fonck era assorbito, oltre che dalla cura di un’osservanza regolare, dal reclutamento di professori giovani, che dessero sicuro affidamento, (come il Vaccari, nato nel 1875, ma al Biblico almeno dal 1913), la preparazione, remota della sede succursale di Gerusalemme, che si attuerà solo nel 1925, ma era in cantiere dal 1911, le istanze per ottenere il diritto di conferire la laurea in Scrittura, a lungo contestate dalla Pontificia Commissione Biblica. La questione si risolse solo più tardi, nel 1928, col Motu proprio «Quod maxime».
5. Sotto Pio XI. Il lento, graduale superamento dell’esegesi difensiva.
Sotto il pontificato di Pio XI il Biblico continua il suo cammino, in un clima meno teso ma sempre vigile e attento alla perfetta ortodossia degli studi biblici. Basta ricordare la condanna nel 1923 della nuova edizione del Manuel biblique, del Vigouroux, redatta dal sulpiziano Brassac, la sua destituzione dall’insegnamento e l’ampia requisitoria del Merry del Val al superiore generale dei sulpiziani in quest’occasione. Pochi anni dopo, un manuale biblico di un ex alunno del Biblico, Henri Lusseaux, pubblicato dopo il 1931, largamente approvato a Roma da alte autorità, venne criticato dalla Revue Biblique del 1934 [15] . In questo contesto il Biblico procede con una fedeltà intelligente alle direttive della Santa Sede, cercando di evitare cioè atteggiamenti duramente intransigenti, e curando sempre l’alto livello scientifico dell’insegnamento e delle pubblicazioni. Nel 1928 è aperta definitivamente la succursale a Gerusalemme, senza provocare frizioni con i domenicani dell’Ecole Biblique del Lagrange, con i quali ormai si instaura una certa collaborazione. In questi anni il numero degli studenti cambia. Dopo l’inizio abbastanza favorevole, con oltre un centinaio di iscritti (metà studenti regolari, italiani, francesi, tedeschi, olandesi, metà considerati «auditores» e un gruppetto di «hospites»), la guerra aveva inevitabilmente causato una forte diminuzione, che aveva raggiunto il massimo nel 1917-18. Fra i primissimi studenti ricordiamo almeno quattro futuri cardinali: Ernesto Ruffini, che studiò al Biblico dal 1910 al 1913, conseguendo la licenza, praticamente insieme a Frings, Liénart, Lercaro: nomi che non hanno bisogno di presentazione. Dopo la guerra si ebbe una ripresa, e gli studenti regolari raggiunsero nel 1940 i 75. Si ebbe poi l’inevitabile diminuzione fra il 1940 e il 1945, e la fortunata ripresa dopo la seconda guerra, quasi mai interrotta, che portò presto gli studenti considerati presenti a tempo pieno (full time) a quasi duecento (1950), per superare i 300 dal 1992. E, ancora una volta, incontriamo futuri cardinali, Alfrink, che conseguì la licenza nel 1925, insieme al Florit, italiano, e al benedettino svizzero Gut. Un decennio più tardi incontriamo al Biblico König. Non scendiamo ai vescovi per mancanza di tempo ... In quel periodo si segnalano due grandi professori, P. Vaccari (1875-1965) e P. Merk (1869-1945). Il card. Bea e il P. Boccaccio hanno presentato con esattezza, simpatia ed eleganza P. Vaccari in Biblica. Non si può immaginare il Biblico nel suo primo mezzo secolo senza il P. Vaccari, scrive il cardinale. P. Boccaccio a sua volta si ferma sulla padronanza delle lingue classiche ed orientali (Vaccari scrisse anche un grammatica elementare dell’arabo), sulla sua attitudine alla ricerca profonda sui testi, sui codici, sulle notizie minute, sulla sua vasta produzione (la sua bibliografia dal 1910 al 1962 abbraccia 450 titoli, fra libri ed articoli). Il card. Bea si ferma soprattutto sul suo insegnamento. «(Esso) non era tanto metodico, quanto piuttosto personale e sempre improntato a quel suo irresistibile istinto di erudito e di ricercatore, da cui è segnato ogni suo lavoro, che lo induceva ogni tanto a digressioni non tanto facilmente afferrabili dagli uditori. Ma d’altra parte proprio per questa vivacità erudita della mente egli esercitava un profondo ascendente sui suoi alunni». Pur notando e magari accompagnando con un benevolo sorriso quella sua aria assorbita nei suoi pensieri, essi lo ammiravano, veneravano e soprattutto ne subivano il profondo influsso quasi contagioso. P. Vaccari fu il primo ad affrontare una traduzione in italiano della Bibbia dai testi originali. Per parecchio tempo condusse avanti l’opera senza competitori. Poi, sopraggiunsero altri studiosi con loro traduzioni, e il Vaccari concluse l’opera solo nel 1958. Forse la traduzione risente della formazione che il giovane studente aveva ricevuto alla fine del secolo scorso, e può apparire lontana dai gusti odierni, ma tutti ammirano l’esattezza filologica. Il cardinale sottolinea l’estrema semplicità di modi, la sua instancabile laboriosità, nonostante certi tratti qualche volta un po’ bruschi, dovuti più che altro al suo essere un po’ assorbito nei propri pensieri e distaccato dalla realtà che lo circondava. Uno studioso non cattolico, Levi della Vida, a lungo professore alla Sapienza di Roma, fino a che non ne fu estromesso per non aver voluto prestare il giuramento di fedeltà al fascismo, in un libro oggi difficilmente reperibile, Fantasmi ritrovati, ha rievocato un aspetto insolito del P. Vaccari. È noto che il P. Tacchi Venturi seguiva personalmente la redazione dell’Enciclopedia Italiana, e non essendo del tutto d’accordo col Levi della Vida sul contenuto della voce Ebrei, lo pregò di prendere contatto col P. Vaccari al Biblico. Il padre lo ricevette e gli fece i suoi rilievi. Il Levi della Vida replicò che in altri anni avrebbe acconsentito a modificare il suo scritto, ma che in quel momento politico, nel 1932, davanti ai pericoli imminenti per l’ebraismo mondiale, non se la sentiva. P. Vaccari tirò fuori il suo orologio, osservò che si avvicinava la preghiera comune a cui non poteva mancare, e sbrigativamente liquidò il suo interlocutore. Levi delle Vida non rimase offeso né meravigliato, intuì subito l’imbarazzo del Vaccari, il suo desiderio di venire incontro alle perplessità dello studioso che aveva di fronte, nascosto appena da un certo modo brusco di fare, e il suo tacito nulla osta. La voce rimase immutata, e si può leggere tuttora nell’Enciclopedia. Forse più efficace è stato un giorno il card. Ruffini, suo antico alunno, che, accennando implicitamente alla vasta erudizione del Vaccari, che gli impediva talvolta nelle lezioni di essere semplice e comprensibile, concludeva affettuosamente, «Vaccari … è il nostro Vaccari». Non nascondiamo d’altra parte il largo conservatorismo del professore, che non gli ha impedito, sì, di rifiutare fra i primi l’attribuzione del Qohelet a Salomone, ma lo ha portato a difendere il 7 giugno 1924 sulla Civiltà Cattolica, sembra per ordine di Pio XI, la condanna del Brassac, indicandone quello che le autorità romane consideravano il vero pericolo, di seguire i principi della nuova esegesi, cioè in definitiva quelli del Lagrange. Più tardi Vaccari ha sostenuto l’interpretazione letterale del libro di Giona, e si è opposto, senza risultati, durante la preparazione del Vaticano II, alla nomina a consultori di alcuni teologi che erano stati visti con riserva gli ultimi anni di Pio XII, e continuò a difendere le tesi che le correnti più aperte guardavano ormai con sospetto, rifiutando di vedere nel Pentateuco una raccolta di documenti di età e origine diversa. In definitiva, Vaccari resta certamente un grande professore, ma non può essere considerato simbolo della linea del Biblico, in realtà più complessa e varia. Probabilmente, egli in realtà va ricordato come l’esponente della linea di destra, controbilanciata gli stessi anni dalla corrente più aperta. Dal 1928 insegnava al Biblico il Merk, che fu a lungo confessore di Pio XII sino alla sua morte nel 1945. Stimolato dall’esempio del von Soden, discusso per i suoi principi, ma sempre degno di attenzione, e del Nestle, che dall’inizio del secolo aveva pubblicato un testo critico del Nuovo Testamento, dopo gli inevitabili ritardi provocati dalla prima guerra, Merk nel 1933 portò a termine la sua edizione critica del Nuovo Testamento, un classico, che fu seguito da parecchie altre edizioni prima e dopo il 1940. L’edizione del 1944 contiene una larga revisione dell’intero apparato critico dell’Apocalisse. Come i bravi filologi, anche il Merk era attento alle singole varianti, ma non aveva fretta, anche se una volta scelta una soluzione la difendeva con tenacia. Opere come queste assicurano un largo prestigio all’Istituto, e restano lontani dai contrasti interni alle varie scuole [16] .
Proprio in quegli anni, nel 1932, arrivò alla logica conclusione l’erezione nello stesso Istituto Biblico di una nuova facoltà, quella di studi del’Oriente antico, opportuno complemento della facoltà biblica vera e propria. Essa venne riconosciuta «ad sexennium» il 7 giugno 1929, e, dopo il completo riordinamento delle facoltà ecclesiastiche avvenuto nel 1931 colla costituzione Deus scientiarum Dominus, il 7 agosto 1932 in modo definitivo. La facoltà comprende quattro sezioni, semitica, assiriologica, egiziologica, sanscrito-iranistica. Essa con i suoi notevoli professori ha evitato ovviamente quello spirito positivista presente in qualche orientalista, ma soprattutto ha aiutato a conoscere meglio il Vicino Oriente Antico, cioè quel mondo in cui è nato, cresciuto e vissuto Gesù, autentico ebreo, in cui si è formato e sviluppato, in cui si è mosso il suo popolo. Come insegna Giovanni Paolo II, Gesù si è radicato nella lunga storia di un piccolo popolo del Vicino Oriente antico, con le sue debolezze e le sue grandezze, con i suoi uomini di Dio e i suoi peccatori, con la sua lenta evoluzione culturale e i suoi mutamenti politici, con le sue sconfitte e le sue vittorie. Conoscendo meglio questo popolo e la sua storia, capiremo meglio la sua mentalità, il suo linguaggio specifico. In questo modo, la facoltà dell’oriente antico costituisce un complemento utilissimo a quella biblica.
Fra i professori della facoltà, ha lasciato un ricordo profondo il P. Alfred Pohl (1890-1961). Tedesco, della Slesia, era entrato nella Compagnia di Gesù nel 1912, ed aveva completato i suoi studi teologici a Valkenburg, nei Paesi Bassi, dove i gesuiti, espulsi da Bismarck ai tempi del Kulturkampf, avevano eretto ex novo uno studentato. Dopo il servizio in sanità durante la prima guerra mondiale, egli studiò assiriologia per sei anni (1924-1930) a Berlino, sotto la guida di un celebre orientalista, Bruno Meissner, e da allora insegnò al Biblico lingua e letteratura accadica, storia dell’antico Oriente (nella facoltà orientalistica), e storia del Vecchio Testamento (nella facoltà biblica). Dal 1945 alla morte fu decano della facoltà orientalistica, dal 1932 direttore della rivista Orientalia, cui si aggiunse presto la collana Analecta Orientalia. P. Pohl fu un grande studioso, universalmente riconosciuto fra i migliori specialisti dell’antico oriente, un eccellente didatta, un mirabile organizzatore. Così lo ha ricordato il suo antico alievo Sabatino Moscati, che gli è stato vicino dal 1938 alla morte. Basta qui ricordare le sue opere principali: VAT 8875, die 6. Tafel der Serie «ana ittusu», Leipzig 1930; Neubabylonischen Rechtsurkunden aus den Berliner Staatslichen Museen, Roma 1934; su un altro campo, l’apprezzatissima Historia populi Israel a divisione regni usque ad exilium, Roma 1933.
Meritano di essere ugualmente ricordati tre altri padri, Franz Zorell (1863-1947), tedesco, del Württemberg, Giuseppe Messina (1893-1951), siciliano, Anton Deimel (1865-1964), tedesco, della Westfalia. Tutti e tre hanno studiato vari anni a Berlino. P. Zorell, gesuita dal 1884, per dodici anni si dedicò al Lexicon Graecum Novi Testamenti,
Gli anni successivi si impegnò nel Lexicon hebraicum et aramaicum Novi Testamenti di cui alla fine della vita potè vedere solo i primi fascicoli. Dal 1928 al 1954 insegnò al Biblico lingua armena e georgiana. P. Messina, gesuita dal 1907, compì gli studi filosofici nell’isola di Jersey, sulla Manica, dove i gesuiti francesi si erano rifugiati dopo le dispersioni a cavallo fra i due secoli, poi teologia a Valkenburg, già ricordata, e tre anni a Berlino, dove si laureò con la tesi Der Ursprung der Magier und die zarathustrische Religion (1930). Dal 1929 insegnò al Biblico le lingue sanscrito, pehlevica, avestica, neopersiana, storia delle religioni dell’antico oriente. Per quasi due anni, 1936-38, compì lunghi viaggi in Iran, dal Mar Caspio al golfo Persico. L’elenco delle sue pubblicazioni, fra libri e articoli, abbraccia quasi quattro pagine. Fra esse spicca l’edizione critica, persiana e italiana, del Diatessaron Persico, antica edizione dei quattro vangeli, o «armonia dei quattro vangeli», redatta nel II secolo da Taziano, siro o assira, e conservata solo in frammenti o traduzioni, così importante per cogliere l’esatta trasmissione e l’antica interpretazione dei Vangeli, già intravista a Firenze nel 1943, e pubblicata a Roma nel 1951. P. Deimel, tedesco della Westfalia, dal 1909 per una trentina d’anni insegnò al Biblico assiriologia. Fra le sue opere (un elenco di quattro fitte pagine!), ricordiamo il Codex Hammurabi (1910, seconda edizione 1930), e i cinque volumi del Sumerisches Lexicon, usciti fra il 1925 e il 1950 [17] .
L’interesse con cui Pio XI seguiva il Biblico apparve in un episodio singolare. Nell’aprile-maggio 1938 la sua resistenza al nazismo si mostrò chiarissima nell’invito rivolto nell’aprile di quell’anno a tutte le facoltà cattoliche a confutare alcuni principi razziali del nazismo, e alla sua partenza da Roma per Castel Gandolfo all’arrivo di Hitler nella capitale italiana in visita ufficiale. Dopo aver deplorato in un discorso a Castelgandolfo l’ostentata accoglienza fatta a Roma ad una croce che non era quella di Cristo, il papa alla fine di maggio, poco dopo la fine della visita di Hitler, volle assistere nella sua residenza estiva alla discussione della tesi preparata al Biblico dal salesiano Giorgio Castellino, sui Salmi: Le lamentazioni individuali e gli inni in Babilonia e in Israele raffrontati, riguardo alla forma e al contenuto. Era la prima volta (ma non fu fu l’ultima) che una tesi del Biblico era discussa alla presenza del Pontefice. La tesi, diretta dal P. Vaccari, ed esaminata criticamente anche dai padri Bea, Pohl, Dyson, Semkowski, Merk, venne approvata con un buon voto, anche se non raggiunse il massimo. Ma il contenuto della tesi e il contesto politico rendevano più interessante e significativa la cerimonia: dalla scienza pura, astratta, si passava a una scienza non priva di implicazioni politiche, vicina alla realtà concreta del momento. L’autore della tesi, morto una decina d’anni fa dopo una buona carriera nelle facoltà statali, nominato poi durante il Vaticano II membro della Commissione Biblica, confutava chiaramente una tesi cara a una parte della scienza tedesca, che vedeva nei Salmi non una poesia originale, sorretta e ispirata da un’alta religiosità soprannaturale, ma una semplice imitazione della letteratura e della poesia babilonese, secondo il detto efficace anche se antiscientifico: Bibel und Babel. Pio XI rimase molto soddisfatto ed espresse con una certa commozione la sua sincera stima per il Biblico, raccomandò che i professori di Scrittura dei seminari avessero almeno la licenza in Scrittura [18] . «Dire il Biblico, aggiunse il papa, è dire tutto, trattandosi del libro santo che porta e conserva la parola di Dio ( ... ). È un prezioso istituto il Biblico ( ... )». E il papa continuava con allusioni agli avvenimenti di quel mese, a Roma: «Il Signore ha voluto che il papa vedesse da lontano e da vicino tante cose tristi. Ma il Santo Padre deve pur dire che Dio è buono, perchè lo fa godere di tante cose belle e buone, sì che la sua fiducia in Dio e la sua perfetta pace e tranquillità è davvero piena e assoluta».
6. Il rettorato Bea. L’enigma Bea.
Verso un’esegesi sempre più attenta alla dimensione storica
Il 6 luglio 1930, P. Bea (1881-1968), ormai a Roma da vari anni come professore, e, per qualche tempo, come superiore della comunità di gesuiti laureandi, numericamente modesta, venne nominato Rettore del Biblico, con piena autorità sull’istituto e sulla comunità religiosa annessa. Non è il caso di fermarci sugli incarichi precedentemente svolti dal padre, che si possono supporre noti, né di fermarci sulle ottime qualità di studioso e di superiore già mostrate in quegli anni, e in tutto il suo rettorato (1930-1949). Credo utile fermarmi invece su quello che potremmo chiamare «l’enigma Bea». Bea fu stimato da Pio XI, e la stima e fiducia crebbero sotto Pio XII, che gli affidò incarichi delicati, e, dal 1945, dopo la morte del P. Merk, lo scelse a suo confessore. Per anni, rimanendo in un posto importante ma senza grande autorità esterna, Bea fu uno degli stretti collaboratori o esecutori della volontà di Pio XII. Morto questi, Bea nel gennaio 1959, fu promosso cardinale da Giovanni XXIII (che lo conosceva appena). Da voci confidenziali raccolte alla Gregoriana, si può accettare la notizia che papa Giovanni avesse pensato a promuovere cardinale il P. Leiber, per decenni in stretto contatto con Eugenio Pacelli e con Pio XII per le questioni tedesche, ma che Leiber non avesse accolto la proposta. La scelta cadde così su Bea. Si realizzò allora subito una piena sintonia fra il nuovo papa e il nuovo cardinale. Giovanni XXIII mostrò subito, almeno dal 25 gennaio 1959, di voler seguire vie diverse, inattese, con la convocazione di un concilio ecumenico: Bea dalla sua nomina, per lui del tutto imprevista, divenne presto uno degli stretti collaboratori del papa in questo disegno, e fu uno dei grandi protagonisti del Vaticano II, del nuovo ecumenismo, in contrasto per questo con la destra conservatrice rappresentata soprattutto da Ottaviani, Ruffini, Siri, e altri. È noto lo scontro del giugno 1962, nelle ultime sedute della commissione centrale prepatatoria, fra Bea da una parte, i cardinali Ottaviani e Cicognani dall’altra, a proposito del progetto di Bea sulla libertà di coscienza e sui rapporti con gli ebrei. Bea, per il momento sconfitto, riuscì più tardi a far trionfare il suo piano. L’esperto biblista, tutto sommato piuttosto conservatore sino alla fine del pontificato di Pio XII, si mostra ora decisamente progressista. Come spiegare il fatto innegabile? Non è del tutto assente nella storia il caso di persone che abbiano servito successivamente due papi diversi, con piena fedeltà: Giovanni Battista Montini fu per un quindicennio uno dei più stretti collaboratori di Pio XII. Ci si può chiedere tuttavia, soprattutto davanti a Bea, se questi si sia semplicemente adattato al nuovo corso, passando da una posizione sostanzialmente conservatrice ad un’altra diversa, o se il cardinale abbia rivelato idee, tendenze, propositi, presenti in lui da molti anni, ma volutamente messi a tacere. Un problema analogo del resto appare nello stesso Giovanni XXIII: come spiegare il rapido proposito del nuovo Concilio, e la sua ferma volontà di portarlo avanti a tutti i costi, dopo anni di silenziosa fedeltà alla linea di Pio XII? Il problema è stato già affrontato da Lyonnet, da P. Stefan Schmidt, nella biografia Agostino Bea il cardinale dell’unità [19] , da Mauro Pesce. Si possono accettare ma anche completare i suoi rilievi. Schmidt sottolinea la grande prudenza del P. Bea. Le sue dispense sul Pentateuco, in due volumi usciti nel 1928, mostrano certo uno stampo conservatore. Bea aveva avuto presente le vicende del suo confratello P. Hummelauer (1848-1914), la sua notevole opera di pioniere con il suo corso di Scrittura, le difficoltà e le critiche che egli aveva affrontato per anni, sino a ritirarsi, stanco, dall’insegnamento e dal lavoro scientifico. Come tanti pionieri, Hummelauer aveva avuto intuizioni geniali, si era mosso in una direzione giusta, senza ancora dimostrarne con sicurezza e profondità la loro validità. Il risultato finale era stato negativo: le sue opere non avevano stimolato nuove fruttuose ricerche, ma avevano provocato una reazione contraria che a cavallo fra i due secoli aveva bloccato ulteriori progressi. Bea nel 1928 avrebbe auspicato un abbandono delle posizioni stazionarie sul Pentateuco, fissate dalla Commissione Biblica. La prudenza consigliava diversamente: si potevano solo sottolineare le difficoltà residue, i vari elementi che lo stato della scienza non permetteva di trascurare. Come Rettore del Biblico, la prudenza gli era ancor più necessaria: si lavorava sotto gli occhi del papa, e un passo falso avrebbe danneggiato tutto il lavoro dell’Istituto. Pio XI aveva raccomandato due punti essenziali: l’interesse e l’amore per la ricerca, la purezza della dottrina. P. Bea nel 1928, ma anche nel 1938, non poteva fare di più. Secondo un’altra testimonianza, Bea riusciva a congiungere in sé armonicamente due tendenze opposte, una pronunziata inclinazione per opinioni conservatrici, frutto del temperamento e della formazione ricevuta, rafforzata poi dal lungo permanere in posti direttivi; la chiara percezione che un lavoro scientifico è indispensabile e fecondo; la convinzione che la verità è una e indivisibile. Si potrebbe forse concludere che Bea nella sua gioventù aveva avvertito la necessità di un progresso negli studi biblici, di una maggiore apertura del magistero: ma aveva prevalso in lui la convinzione della necessità di aspettare, di non danneggiare con una eccessiva insistenza l’evoluzione che il tempo prima o poi avrebbe portato. Analoghe osservazioni furono fatte, alla morte di Bea, nella rivista Biblica, dal suo successore, il P. MacKenzie, che ricorda le lezioni chiare, metodiche, in un latino facile e fluente, con abbondanza di riferimenti e di precise osservazioni critiche. Esse costituivano un esempio di un buon metodo esegetico, uno stimolo e direttive per future ricerche. Certo, continua MacKenzie, le sue posizioni personali inclinavano a un cauto conservatorismo: era inevitabile nel clima del tempo. Ma attraverso i suoi consigli, gli studenti si rendevano conto che altre posizioni personali più aperte restavano possibili, ugualmente legittime, forse più fondate. Per questo, Bea non si può considerare in nessun modo un opportunista, e la sua apertura degli ultimi anni rispondeva in sostanza alla gioia di chi vede finalmente soddisfatte lunghe attese lentamente maturate e conservate in silenzio.
7. Il progressivo cammino sotto Pio XII.
Nel pontificato di Pio XII si succedono nuovi passi importanti negli studi biblici.
Nel 1941 la Commissione Biblica prese posizione contro alcuni scritti del sacerdote italiano Ruotolo, che svalutava il senso letterale e storico della Scrittura, e in modo aperto e duro accusava P. Vaccari, e lo stesso Biblico, non solo come difensori della scuola detta larga, ma come sicuri di sè, fautori di un certo scientismo, per la loro conoscenza delle lingue orientali, largamente superflua per un’esatta conoscenza della Scrittura. Dal Biblico si spargeva nella Chiesa un nuovo modernismo, una vera incredulità. Alcuni vescovi, alcuni generali, secondo Ruotolo, erano desolati. La lettera della Commissione Biblica, 20 agosto 1941, opera in parte almeno dello stesso Bea, rispondeva alle accuse e ricordava che il Biblico era stato istituito da Pio X, e si era sviluppato sotto gli occhi di vari papi, con una piena continuità nelle applicazioni delle direttive ricevute che non aveva bisogno di dimostrazioni. P. Vaccari, direttamente accusato, commentò con sicurezza e tranquillità la lettera[20].
Più importante fu la decisione, presa da Pio XII nel 1941, di una nuova traduzione del salterio gallicano [21] . La decisione venne presa dal papa stesso di sua iniziativa, nella seconda metà di gennaio del 1941. Il 19 gennaio venne formata la relativa commissione, con sei professori dell’istituto, competenti sui diversi aspetti. I criteri per la traduzione vennero fissati dal papa stesso. Il lavoro terminò nell’agosto 1944. La traduzione venne annunziata da Pio XII col Motu proprio In cotidianis precibus, del 24 marzo 1945. Si era deciso non un ritocco dell’antica versione geronimiana, ma una nuova versione, adatta all’uso liturgico, tale da restituire al testo sacro il suo vigore e la sua freschezza. Si cercò non un latino ecclesiastico, ma un latino che si avvicinasse a quello classico, pur restando lontano da quello ciceroniano, troppo complesso. Ritornarono così, nel testo le immagini concrete, che l’antica traduzione aveva omesso per evitare un accentuato antropomorfismo, (rupe, roccia...), si chiarirono alcuni punti rimasti ambigui, vennero chiariti i tempi esatti dei verbi (ritornarono al loro posto il perfetto e il futuro). Vennero eliminate alcune parole poco chiare (come il «confiteri», per «laudare», tanto criticato ai suoi tempi da Agostino, che avvertiva come a quella parola i fedeli spontaneamente si battessero il petto). Venne preferita la costruzione classica dell’accusativo con l’infinito («credo visurum me bona Domini in terra viventium»). Sappiamo che la traduzione, accolta inizialmente con favore, gradualmente provocò varie critiche, specialmente a causa della insufficiente sensibilità musicale dei compilatori, avvertita particolarmente dai benedettini. E si ebbe così una nuova traduzione, e, infine, l’introduzione nella liturgia delle ore del testo in lingua volgare. Quella versione, se storicamente è stata superata, resta un testo per molti aspetti sempre utile, caro a molti come ricordo della propria giovinezza sacerdotale, e ricco di stimoli.
Più profondo e duraturo, nella storia dell’esegesi, fu l’influsso dell’enciclica Divino Afflante Spiritu, del 30 settembre 1943, cui il padre Bea dette un contributo importante, insieme al card. Tisserant e al P. Vosté, presidente e segretario della Commissione Biblica [22]. L’influsso di Bea è evidente fin nelle parole stesse: lo notavano scherzando gli stessi studenti del Biblico, osservando la forte corrispondenza fra alcuni passi dell’enciclica e dei testi di Bea. Egli aveva insistito più volte nei suoi scritti sull’importanza di cogliere esattamente le intenzioni dell’autore sacro, che non segue necessariamente lo stile e le norme degli autori occidentali dei nostri giorni. Non si tratta di stabilire a priori (come inclinava a fare, decenni prima, il P. Hummelauer), ma di studiare le caratteristiche della storiografia antica, per capire meglio la natura dei libri sacri. Lo studio dei «generi letterari» non vuole indebolire o negare il valore storico dei testi, ma comprendere meglio quanto l’autore ha voluto dire. Quel tema dei generi letterari fino al 1943 era stato visto un po’ con sospetto, per l’abuso che ne era stato fatto. L’enciclica lo giustificava, riconoscendolo legittimo, non solo per lo studio del Vecchio Testamento, ma anche per il Nuovo, per i vangeli stessi. Bea stesso disse confidenzialmente: «Sono convinto che l’argomento e la dottrina dei generi letterari non si troverebbero ancora nell’enciclica Divino Afflante Spiritu, se non avessi lentamente preparata la strada».
Da tempo fra gli specialisti ci si domandava se non fosse bene chiarire il valore relativo delle risposte della Commissione Biblica degli anni 1903-1914. Pio XII era stato interpellato in proposito, e si era mostrato favorevole: si era parlato di sopprimere queste risposte. Padre Bea fu di parere opposto, per non screditare l’autorità. Si preferì scegliere un’altra via: spiegare meglio gli elementi del problema, e indicare la via da seguire nella ricerca della soluzione. Si arrivò così alla lettera al card. Suhard, gennaio 1948, che assicura la piena libertà degli esegeti nei limiti dell’insegnamento tradizionale della Chiesa, ammette un ulteriore esame di vari problemi come l’interpretazione dei primi capitoli del Genesi e l’autenticità del Pentateuco. Senza fermarmi sul contenuto della lettera, preferisco sottolineare il metodo seguito dal P. Bea nel presentare il documento nella Civiltà Cattolica. Alieno da ogni superficialità, l’autore non parla di una revoca delle risposte della Commissione Biblica dei primi del Novecento, e sottolinea invece la saggezza con cui la Santa Sede spingeva studiosi e fedeli alla cautela davanti a tesi recenti, non ancora definitivamente provate. Con una rapida sintesi storica, Bea ricordava l’entusiasmo dell’inizio del secolo davanti alla teoria del Wellhausen, sulle quattro fonti del Pentateuco, i successivi dubbi, il largo abbandono della posizione che seguiva pedissequamente Wellhausen, e che distingueva quasi meccanicamente i diversi documenti da cui sarebbe sorto il Pentateuco. Studiosi tedeschi dell’immediato anteguerra (A. Weiser, 1939), invitavano alla cautela davanti a un’analisi delle fonti troppo meccanica e formalisticamente logica. Secondo Bea, il tempo ha dato ragione alla Chiesa. Con lo stesso spirito, Bea tende a sfumare la differenza fra le tesi della Commissione Biblica del 1905 («sostanziale integrità e autenticità mosaica» del Pentateuco) e la posizione della lettera del 1948 (per cui si deve a Mosè «gran parte» del Pentateuco, e si ammette «un progressivo accrescimento delle leggi mosaiche, dovuto a condizioni sociali e religiose di tempi posteriori»). Anche sul valore dei primi undici capitoli del Genesi, Bea difende i principi delle risposte del 1909, relativi alla creazione del mondo e dell’uomo e del primo peccato, e difende la loro sostanziale concordanza con la lettera del gennaio 1948, secondo cui il racconto biblico riferisce in un linguaggio semplice e figurato le verità fondamentali dell’economia salvifica, lasciando al tempo e agli studi successivi spiegazioni ulteriori. Ci si può chiedere se Bea nel 1948 non sottolinei troppo l’identità di posizioni fra l’insegnamento ecclesiastico del 1905-1909 e del 1948, sfumando il reale progresso, l’innegabile evoluzione[23].
Non posso qui ora fermarmi analiticamente sui vari professori del Biblico durante il pontificato di Pio XII. Basta dire che alle vecchie generazioni di Bea e Vaccari si aggiungevano le altre, nuove e valorose. Ricordo il P. Max Zerwick (1899-1975), nato su lago di Costanza, gesuita dal 1918, al Biblico dal 1936. Notevole professore del greco biblico, dal suo lavoro dedusse il volume Graecitas Biblica Novi Testamenti (1944, quinta edizione e traduzione inglese nel 1966), e l’altro strumento di lavoro, utilissimo oggi forse più di ieri, Analysis Philologica Novi Testamenti graeci (uscito nel 1953, terza edizione 1966), che rivela un filologo paziente, sicuro, chiaro. P. Zerwick non era solo un linguista. Nel 1934 stampò a Roma le Untersuchungen zum Markusstil, più tardi il commento alla lettera agli Efesini, a lui carissima. Il suo metodo d’insegnamento è stato da lui stesso descritto nell’introduzione al 21 volume del periodico Verbum Domini: «Sicut igitur in humanitate Christi non sistimus, eodem modo et in libris sacris ad eorum mysterium divinum penetrare debemus, ita tamen ut hoc mysterium non solvamus a verbo et a sensu verbali, sed utrumque amplectemur tamquam organice unitum: et mysterium divinum et verbum humanum huius mysterii vehiculum portatorem, primum interpretem...». E si comprende la gioia con cui lo Zerwick ripeteva le parole del c. III della Dei Verbum, secondo cui «Dio ha parlato nella Scrittura per mezzo di uomini, alla natura umana». Anche Stanislas Lyonnet, (1902-1986), nato vicino a Lyon, gesuita dal 1919, proveniva dalla linguistica: aveva studiato indo-europeo a Parigi, pubblicando alla fine dei suoi studi una tesi su «Il perfetto nell’armeno classico», e frequentato il Biblico. Per anni fu poi conteso fra l’Istituto Orientale, dove sin verso il 1950 insegnò armeno e georgiano (la lingua madre di Stalin!), e il Biblico, che, dopo aver preso P. Lyonnet dal 1943 per un corso di esegesi paolina, riuscì finalmente a vincere la partita. Ma ancora nel 1950 il linguista si rifaceva vivo, con la tesi Les origines de la version arménienne des évangiles et le Diatessaron. Da allora però lo specialista in esegesi paolina e in teologia biblica ebbe il sopravvento. P. Lyonnet tradusse e annotò per la Bible de Jérusalem le lettere ai Romani e ai Galati, e nel Supplément au dictionnaire de la Bible redasse l’articolo Péché. Judaïsme, Nouveau Testament. Péché, originel. Attento ai problemi del tempo e alle grandi correnti della vita della Chiesa, avvertiva con intensità il cammino verso l’unità di questa, e dava volentieri esercizi in Italia, Francia, Canada, Africa. Eppure proprio lui, come del resto P. Zerwick, fu colpito verso il 1960 da una campagna di accuse, di cui oggi avvertiamo tutta l’inconsistenza: per due anni, pro bono pacis, venne sospeso dall’insegnamento. Paolo VI in compenso lo nominò consultore della Congregazione per la dottrina della fede: l’imputato si sedeva di nuovo fra i giudici. E Giovanni Paolo II, dopo averlo ascoltato nel ritiro quaresimale predicato in Vaticano nel 1982, si rallegrò con lui per la sua vivacità e giovinezza di cuore... Non voglio dimenticare il P. Alonso Schökel, (1910-1998), che ha unito in modo raro una conoscenza profonda del testo sacro alla fedele penetrazione della poesia biblica. La sua tesi, Estudios de poética hébrea (1963), costituiva un chiaro programma del futuro, confermato nei due volumi La traducción biblica: lingüistica y estilistica (1977), e Manual de poética hebrea (1987). Le sue pagine, se ci avvicinano sempre più all’animo biblico, ci avviano alla meditazione e alla preghiera. Né possiamo dimenticare il card. Martini, professore poi rettore, che si è rivelato non solo un ottimo studioso del testo critico del Nuovo Testamento, imitando il Merk, ma ha diffuso fra larghi gruppi di fedeli una visione spirituale della Scrittura, facendone il nutrimento quotidiano. Le critiche ad una linea biblica troppo scientifica, dannosa alla pietà, reiterate nel 1941 in Italia, trovano in Alonso Schökel e in Martini la migliore confutazione. E la lista potrebbe continuare…
8. Gli anni del Concilio e del post-concilio.
Anche negli anni non sempre sereni, per il Biblico, del preconcilio, l’istituto non rimase inattivo. Si leggono sempre con interesse i voti esposti dal Biblico, interpellato come tutte le università e facoltà ecclesiastiche e cattoliche, durante la preparazione del Vaticano II [24].
Nella prima parte del voto, dottrinale, il Biblico auspica un chiarimento sui rapporti fra Scrittura e Tradizione. Esse non costituiscono due fonti indipendenti e parallele, perchè nascono dalla stessa fonte, ma la Scrittura ci trasmette la dottrina evangelica e la tradizione apostolica in modo più immediato della tradizione posteriore, ed essa sola gode di un’ispirazione vera e propria. La tradizione deve riferirsi alla Scrittura, per essere da essa custodita, vivificata, rinnovata. D’altra parte la Scrittura deve mantenere la viva continuità colla tradizione della Chiesa. Sembra opportuno sottolineare l’importanza della fede nell’opera di salvezza, l’efficacia che la Scrittura esercita nella santificazione cristiana. Questa verità, un tempo comune, è poi passata quasi in second’ordine. Occorre poi ribadire la storicità dei vangeli, e insieme la loro inerranza, conseguenza del loro carattere ispirato. Si lasci agli studi futuri determinare quale genere di storia sia da attribuirsi ai Vangeli, nel loro insieme e nelle singole pericopi. Una concezione eccessivamente rigida della storicità dei Vangeli rischia di mettere in pericolo la stessa inerranza evangelica. Si ricordi con Pio XII l’ampia libertà riconosciuta agli esegeti, nel rispetto del magistero della Chiesa.
Il voto si ferma poi sulla necessità di evitare l’antisemitismo. Il popolo ebraico non può ritenersi respinto da Dio: si tratta di un errore comune in passato fra i protestanti, ma diffuso ora anche fra molti cattolici, anche per un’erronea interpretazione di alcuni passi biblici, come Mt 27,24-25, e per i pregiudizi rafforzati dall’antisemitismo.
La seconda parte, disciplinare, auspica una maggior conoscenza e fedeltà all’enciclica Divino afflante Spiritu, un’interpretazione moderata delle decisioni della Commissione Biblica degli anni 1905-1914, evitando lo zelo degli intransigenti portati a un’interpretazione severa.
Il voto termina, insistendo sull’opportunità di una sempre maggior fedeltà ai principi già esposti da Benedetto XIV (richiamati dallo stesso Pio XII) a proposito della condanna di libri ritenuti nocivi o pericolosi.
Il voto conferma nell’insieme le caratteristiche ormai note della linea seguita dall’istituto romano: piena fedeltà alle direttive della Chiesa, ma allo stesso tempo quel sano realismo che evita le posizioni intransigenti, rispetta e promuove la ricerca scientifica, e, specie a proposito dell’antisemitismo, si mostra sensibile al nuovo clima storico. Lo spirito del voto si riflette in vari documenti conciliari, dalla Dei Verbum alla Nostra Aetate, e, indirettamente, alla Dignitatis Humanae. Non per nulla uno dei protagonisti indiscussi del Vaticano II è stato il card. Bea, l’uomo che aveva per anni impregnato il Biblico del suo spirito, moderato, aperto, realista, fedele.
Negli anni immediatamente prima del Vaticano II, si sviluppò un’intensa campagna di accuse contro il Biblico. Credo opportuno accennare rapidamente alla questione, in una sintesi storica su questi novant’anni dell’istituto. Penso, che anche se, come è stato affermato, «una vera e propria ricerca storica su quest’episodio non è stata ancora fatta», esso è ormai sufficientemente noto dagli opuscoli del tempo, e dalle sintesi già pubblicate [25] . Mons. Romeo aveva rivolto nel 1955 acccuse contro alcuni gesuiti del Biblico, North e Dyson. Era evidente il contrasto fra la Congr. dei Seminari e il S. Ufficio, da una parte, e la Commissione Biblica, dall’altra. La polemica si estese fra i biblisti degli Stati Uniti, con la destra (Fenton, sostenuto dal nuovo delegato apostolico Vagnozzi) e la sinistra (Siegman), e continuò in Italia fra mons. Romeo e mons. Spadafora, i cardinali Pizzardo, Ottaviani, Ruffini, qualche altro studioso italiano, da un lato, P. Alonso Schökel, lo stesso rettore del Biblico, P. Vogt, il card. Liénart, la Commissione Biblica, l’Associazione Biblica Italiana, dall’altro. Si discuteva essenzialmente sul significato storico della Divino afflante Spiritu (evoluzione dottrinale o continuità?); sull’interesse mostrato dai PP. Zerwick e Lyonnet, del Biblico, per alcune recenti interpretazioni del passo della lettera ai Romani sul peccato originale e del passo di Matteo sul primato (misconoscimento da parte dei due padri delle note verità di fede, come asserivano alcuni, o accettazione indiscussa delle verità tradizionali, come ribadivano gli imputati); fiducia o sfiducia nel metodo storico-critico, nel riconoscimento dei «generi letterari». Il 23 giugno 1961 un monitum del S. Ufficio esortava gli esegeti ad evitare affermazioni ed opinioni che sembravano mettere in pericolo l’obiettiva verità storica del Vecchio e del Nuovo Testamento, e ad avere sempre presenti nell’esegesi l’interpretazione e il magistero della Chiesa, per non turbare la coscienza dei fedeli né ledere le verità di fede. Il 10 settembre 1961 i due padri, Lyonnet e Zerwick, erano sospesi dall’insegnamento. Sarebbero stati reintegrati nel luglio 1964 prima della fine del concilio. Intanto si susseguivano il silenzio di Giovanni XXIII, interpretato diversamente (impossibilità di controllare le ali più conservatrici della curia, o convinzione che l’appoggio dato durante il concilio alle correnti più aperte della teologia avrebbe indebolito e svuotato la consistenza di queste critiche contro il Biblico?); le forti parole di Paolo VI all’università Lateranense («Fraterna collaborazione, leale emulazione, mutua riverenza e amica concordia, mai fastidiosa polemica...»); il rinnovamento della commissione biblica, con la nomina di membri come Alfrink e König, che controbilanciavano Ottaviani, Ruffini e Browne; l’istruzione sulla verità storica dei vangeli, 21 aprile 1964; l’approvazione definitiva della Dei Verbum, il 18 novembre 1965.
Oggi, guardando a questi momenti caldi, ormai lontani e superati, vale la pena di concludere con poche osservazioni. La battaglia fra le due correnti esegetiche, aperta e conservatrice, fu preceduta di poco o fu quasi contemporanea alla battaglia pro o contro il riconoscimento della libertà di coscienza, cioè contro Maritain (secondo la linea Ottaviani) o a suo favore (secondo la linea Murray). Il dibattito, come si è visto, in entrambi i casi, si estese anche agli ambienti cattolici degli Stati Uniti. Il Rettore del Biblico, P. Vogt, ritenne suo dovere intervenire, senza far chiasso. In una prospettiva storica più ampia, si può notare che si tratta di un fatto tutt’altro che nuovo nella storia della Chiesa, nella storia della teologia in particolare. In tempi di forti cambiamenti, la corrente conservatrice alza la voce in tono drammatico contro le innovazioni. I casi sono frequenti anche nel Medio Evo, quando lo stesso Tommaso d’Aquino venne condannato per il suo insegnamento ilemorfistico, ritenuto ingiurioso contro l’autorità dei teologi precedenti. Come osservava il P. Alszeghy in una recensione sulla Civiltà Cattolica [26] , «autori saldamente trincerati in una fase anteriore dello sviluppo teologico, interpretano nella prospettiva del loro pensiero affermazioni concepite in un nuovo contesto. Queste voci non fermano il processo per cui la Chiesa progredisce nella comprensione delle cose e delle parole rivelate, ma possono essere utili, per spingere gli autori a non presentare le proprie affermazioni come se fossero in rotta col passato, ma di mostrare sempre, con grande comprensione e pazienza, come il nuovo sia in continuità con l’antico». E, in questa visuale, non ci meravigliamo se il Biblico sia stato oggetto di giudizi diversi nel 1909, nel 1940, nel 1960. Nel 1910, esso sembrò un ostacolo ad un’esegesi più aperta alla dimensione storica. Nel 1940, potè sembrare a qualcuno, poco sensibile alla necessità di studi seri e ampi, che il Biblico, troppo preoccupato della ricostruzione storica, smarrisse il senso religioso della Scrittura. Nel 1960, quando le posizioni teologiche tradizionali erano in crisi, e la minoranza conciliare si batteva per la loro conservazione, il Biblico potè apparire un pericolo contro la salvezza della dottrina tradizionale. Oggi, la storia del Biblico appare semplicemente lo specchio di quella della Chiesa, il riflesso dell’evoluzione dell’esegesi, con l’abbandono della fase aggressiva della reazione, l’impegno positivo nella ricerca biblica, e, infine, il rafforzamento dell’esegesi storica [27] .
Si tratta di una storia positiva, oggi dopo il Vaticano II aperta alle nuove prospettive. Queste si avvertono presto, specialmente dai tempi del decanato (1967-1970) e rettorato (1969-1978) del futuro card. Martini. È allora che si accentua il contatto con l’ebraismo, con la frequenza a corsi alla stessa università ebraica di Gerusalemme, e ci si apre serenamente all’ecumenismo, con l’apprezzato corso del valdese Alberto Soggin sulla storia dell’Antico Testamento. L’influsso del Biblico appare anche nel documento della Pontificia Commissione Biblica del 15 aprile 1993, L’interpretazione della Bibbia nella Chiesa, redatta largamente dal P. Vanhoye [28] . Se oggi la laurea in Scrittura si può conseguire anche altrove, per esempio all’Ecole Biblique di Gerusalemme, il Biblico rimane sempre un punto di riferimento essenziale per l’esegesi moderna.
Queste pagine si sono volutamente concentrate sulla storia del Biblico in questi novanta anni. Una sintesi sulla storia generale dell’esegesi di questo periodo complesso da una parte richiederebbe troppo spazio, dall’altra è stata in parte anticipata da Mauro Pesce [29] e G.P. Fogarty, già ricordati nelle note, e da diversi studiosi in varie lingue. E tuttavia, possiamo almeno tentare di rispondere sommariamente a due interrogativi di fondo. Conosciamo già l’affermazione con cui Paolo VI parla delle varie scuole esegetiche: «fraterna collaborazione, leale emulazione, mutua riverenza e amica concordia, mai fastidiosa polemica ...». Evidentemente Paolo VI non pensava a tracciare un panorama di fondo delle varie scuole esegetiche, si limitava ad esprimere un auspicio, anche per deplorare con estremo garbo certi atteggiamenti di quegli ultimi mesi. È lecito allora chiedersi quali siano state le correnti prevalenti quegli ultimi decenni — dall’inizio del secolo, o, se vogliamo dalla crisi modernista, al Vaticano II — e quale posto in questo panorama complesso abbia occupato il Biblico. Evitando qualifiche generiche — di destra, centro, sinistra — possiamo però indicare sommariamente tre orientamenti negli studi biblici dei cattolici in quegli anni. Incontriamo L’Ecole biblique col Lagrange, sostanzialmente favorevole al metodo storico-critico; le varie correnti di vari paesi, a Roma, con l’Anselmiano e Hildebrand Höpfl, 1872-1934, Lovanio con Albin von Hoonacker, 1857-1934, cauto ma sostanzialmnente aperto; Parigi, con i sulpiziani, l’Institut catholique, e la scuola gesuitica del de Grandmaison e dell’Huby; un indirizzo espresso negli Stati Uniti, in Theological Studies; l’orientamento conservatore di alcune riviste romane (Divinitas), e italiane (Palestra del clero), e di un altro periodico degli Stati Uniti, American Ecclesiastical Review. Per brevità omettiamo pubblicazioni, pur importanti, di altri paesi. In questo complesso, il Biblico rappresenta un orientamento prudente, alieno da atteggiamenti storicamente controproducenti ma progressivamente sempre più aperto, dai primi anni difensivi della crisi modernista alla metà del secolo, con Bea e Pio XII, al Vaticano II. Non ci meravigliamo se verso il 1960 il Biblico sia stato preso di mira, a Roma, da alcuni esegeti. La risposta più chiara e decisa è stata espressa dal Vaticano II e dalla Dei Verbum.
NOTE
[1] Lo stesso testo è stato già pubblicato, con Documenti annessi, in Archivum Historiae Pontificiae 37 (1999) 129-160. Siamo grati al P. Martina e al direttore della suddetta rivista, R.P. Josep Benítez S.J., per averci concesso di pubblicare il testo.
[2] S. Schmidt, Agostino Bea: il cardinale dell’unità, Roma 1987; Exégèse et obéissance. Correspondance Cormier–Lagrange (1904-1916), présentée, éditée et commentée par Bernard Montagnes (Etudes Bibliques, n.s., 11), Paris 1989; M. Pesce, «Il rinnovamento biblico», in i cattolici nel mondo contemporaneo (1922-1958), a cura di M. Guasco, E. Guerrieo, F. Traniello («Storia della Chiesa», iniziata da A. Fliche e V. Martin, XXIII), Cinisello Balsamo 1991, pp. 575-610, e in La Chiesa del Vaticano II (1958-1978) («Storia della Chiesa», XXV/II), Cinisello Balsamo 1994, pp. 167-216 (con bibliografia molto ampia). Meno profondi, ma utili, sono gli opuscoli e gli articoli commemorativi: A. Bea, Pontificii Instituti Biblici de urbe prima quinque lustra, 1909-VI Maii-1934, Roma 1934; «Il primo venticinquennio del Pont. Istituto Biblico», in Civiltà Cattolica, 1934, II, pp. 337-345; «Il b. Pio X, gli studi biblici e l’Istituto biblico», in In onore del b. Pio X, Roma 1952, pp. 93-107; San Pio X promotore degli studi biblici, Fondatore dell’Istituto Biblico, Roma 1955, pp. 43-57; S. Schmidt, «Cinquant’anni del Pont. Ist. Biblico», in Civiltà Cattolica, 1960, I, pp. 615-623.
[3] Acta Leonis XIII, XXII (1903), pp. 232-238. È istituita una commissione biblica, perché «divina eloquia incolumia sint non modo a quovis errorum afflatu, sed etiam ab omni opinionum temeritate»; Pii X Acta, I, (1905), 176-179: ricordato l’intervento di Leone XIII, il papa continua: «Volumus certam suppeditare rationem, ut bona paretur copia magistrorum qui ... in scholis catholicis divinos interpretentur libros. Huius rei gratia percommodum profecto esset, quod etiam in votis Leonis fuisse novimus, proprium in urbe Roma condere athaeneum....» Cfr. però F. Turvasi, Giovanni Genocchi e la controversia modernistica (Uomini e dottrine, 20), Roma 1974, pp. 77: «Nel ... 1901 ... era in incubazione la Pontificia Commissione Biblica, e non si era ancora deciso se concepirla come un’accademia biblica o come un consiglio superiore di orientamento per gli studi cattolici» – p. 220: «Il padre Frey ci ha conservato /nell’archivio della Commissione Biblica, Vaticano/un breve promemoria ... sui tentativi per arrivare a fondare l’istituto biblico. “A la fin du pontificat de Léon XIII, la création d’un institut biblique à Rome avait été décidée. Le père Lagrange en devait être le directeur et la Revue Biblique devait en être l’organe officiel. Le père Lagrange avait posée comme condition qu’il ne résiderait à Rome chaque année, que six mois, pour pouvoir consacrer le reste du temps à l’Ecole Biblique de Jérusalem ... Vice-directeur de l’Institute devait être le p. Fleming O.F.M., secrétaire de la commission. on avait envisagé comme professeurs Poels, Genocchi, Minocchi, Prat. Si Léon XIII avait vécu deux mois de plus, cet Institut était crée ... Ce qui en avait jusque là empêché la réalisation c’est qu’on n’avait pas encore pu trouver un locale convenable”».
[4] Cfr., per la Vinea electa, Acta Apostolicae Sedis, 1 (1909) 447-451 (p. 448: «Instituti fine continetur ut sanam doctrinam de Libris sacris normis ab hac Apostolica Sede statutis vel statuendis omino conformem, adversus opiniones, recentiorum maxime, falsas, erroneas, temerarias atque haereticas defendat, promulget, promoveat»). Per la dipendenza dalla Compagnia, ivi, p. 450: «Praeses a Summo Pontifice nominatur, audita relatione Praepositi generalis Societatis Jesu, qui tres pro eo munere candidatos ipsi proponet». Più chiaramente, la lettera del card. Merry del Val, segretario di Stato, 29 maggio 1909 (in Acta Romana S.I., ab exeunte anno 1909 ad ineuntem annum 1910, p 32): «… l’Istituto Biblico, che, come d’intesa, il S.P. si è degnato di affidare alle solerti e sapienti cure della Compagnia di Gesù». La nomina del Fonck è annunziata in Acta Apostolicae Sedis, 1 (1909) 571, in modo rapido, senza commenti. Per la dipendenza esclusiva del Biblico dal generale della Compagnia, Acta Romana S.I., anno 1910, p. 49.
[5] Per il card. O’Connell, cfr. la lettera di ringraziamenti dello stesso Pio X, del 25-XI-1909, in Acta Apostolicae Sedis, 2 (1910) 4. Sulla famiglia du Coëtlosquet, cfr. A. Bea, Pontificii Instituti Biblici de Urbe prima quinque lustra, citato, pp. 12-13; cenni alla grande generosità della famiglia nella lettera del P. Ledóchowski ai provinciali della Compagnia di Gesù, 29 maggio 1915, in Acta Romana S.I., 1915, pp. 48-49. La famiglia du Coëtlosquet abbracciava il visconte Maurizio, morto nel 1904, sua moglie Maria Renata, le cognate Giovanna e Maria, i figli Edoardo, benedettino, abate di S. Mauro, Giovanni, ugualmente benedettino, monaco di Solesmes, Carlo, gesuita (1850-1944), missionario nel Madagascar, Carolina, Giorgia, delle Piccole Sorelle dei poveri col nome di Elisabetta di Gesù. Carolina morì il 9 febbraio 1911 a 36 anni. Pio X le aveva scritto personalmente il 1 luglio 1910 (lettera conservata nell’archivio del Biblico). La viscontessa Maria Renata morì nel marzo 1915. Carlo, in Europa dal Madagascar, per un breve riposo, era venuto a Roma dalla Francia per portare al papa il cospicuo dono della famiglia. Il dono giungeva quanto mai opportuno, perchè Pio X era rimasto quasi a secco dopo il terremoto di Messina del 1908, che lo aveva impegnato direttamente in una cospicua opera di soccorso, e Pio X aveva a lungo pregato e fatto pregare per avere i mezzi necessari.
[6] Dai cataloghi della provincia romana S.I., il Biblico appare solo nel 1911, in Via dell’Archetto 6, accanto all’attuale piazza della Pilotta, con questi membri: Fonck, rettore (dal 4 novembre 1910), P. Moppi, ministro, cioè responsabile della casa materiale, i professori Mallon, Fernández, Deimel, Ehrle, Gismondi, Lammens, van Laak, Schellauf, Szczepanski, Murillo, Vrano, Ronzevalle, tre studenti e quattro fratelli. Nel 1912 l’istituto figura con sede in Piazza della Pilotta 35. Dal dicembre 1918 è rettore il P. Fernández, che però aveva di fatto esercitato quest’ufficio dal 1915, dal dicembre 1924 il P. O’Rourke. P. Fonck figura a Roma fino al 1929.
[7] Sul P. Wernz, generale dal 1906 al 1914, rinviamo all’apposita voce del Diz. dei gesuiti, che speriamo non tardi troppo ad uscire.
[8] Acta Romana S.I., anno 1910, p.64.
[9] Exégèse et obéissance. Correspondance Cormier–Lagrange (1906-1916), présentée ... par N. Montagnes, Paris 1989, p. 221.
[10] Manca uno studio scientifico ed esauriente sul Fonck. Possiamo ricorrere ai necrologi e ai profili di qualche enciclopedia o rivista specializzata, come quello anonimo di Biblica, 11 (1930) 369-372; quello più esteso di U. Holzmeister, in Dictionnaire Biblique, Supplément, III (1938) 310-313. Molti cenni significativi sono reperibili in Exégèse et obéissance, Correspondance Cormier–Lagrange (1904-1916), citato. Indispensabili restano i documenti dell’ARSI, Istituto Biblico. Ricordiamo le sue opere principali: oltre agli articoli usciti fra il 1903 e il 1904 nella Zeitschrift für katholische Theologie, sulla vita di Gesù, il Vangelo, l’evoluzione e la Chiesa, la ricerca cattolica moderna sui Vangeli (significativi per l’epoca in cui vennero preparati e pubblicati), sono degni di nota Die Parabeln des Herrn im Evangelium exegetisch und praktisch erlaütert, Innsbruck 1902, tr. inglese ed italiana; Die Wunder des Herrn im Evangelium exegetisch und praktisch erlaütert, ivi 1903, tr. ital. e spagnola; Der Kampf um die Wahrheit der Heiligen Schrift seit 25 Jahren, ivi 1905; Auserwählte Reden und Gespräche des Herrn, ivi 1905; Die Geheimnisse des Lebens Jesu, ivi 1907; Wissenschaftliche Arbeiten, ivi 1908, tr. ital. e fr., Die Irttumslosigkeit der Bibel vor der Forum der Wissenschaft, Einsiedeln 1916.
[11] Alcune di queste lettere sono pubblicate nel citato Archivum Historiae Pontificiae 37 (1999) 154-160.
[12] ARSI, Istituto Biblico, lettera autografa del Dudon con particolari sulle reazioni del ministero degli esteri.
[13] Exégèse et obéissance. Correspondance Cormier–Lagrange ... par B. Montagnes ..., citato, p. 221: «En 1915-1919 sa nationalité le contraint de se retirer en Suisse. Après la guerre. il continuera d’enseigner à Rome jusqu’au moment où, en 1929, Pie XI en exigera son départ. Il ne survivra pas à cet exil et mourra quelques mois après, le 19.10.1930». La nota del Montagnes, non accompagnata da riferimenti archivistici o bibliografici, può essere completata da una lettera del rettore O’Rourke al generale Ledóchowski, del 7 giugno 1926 (ARSI, Istituto Biblico, 1920-1930, Ex officio, 1925-1928): «Sanctitas Sua exigit, ut P. Fonck amoveatur et in suam provinciam mittatur». Il papa non lo giudica più del tutto lucido «mentis compotem», non ne apprezza il valore scientifico («de hac re sibi persuasum esse abhinc multos annos»). Cfr. Id. a Id., 15 luglio 1929: per il P. O’Rourke, il P. Fonck è imprudente, troppo ostinato nelle sue idee, incline a criticare il papa, da lui considerato come liberale ...
[14] Exégèse et obéissance, citato, p. 284, nota: «Les étudiants n’ont pas beaucoup d’enthousiasme pour leur savant maître /Fonck/. Ils colportent avec plaisir et malice les paroles compromettantes, entre autres celle-ci “Quand on aura détruit l’institut biblique de Jérusalem, et les universités de Paris, Louvain et Fribourg, alors on pourra faire quelque progrès dans le sens catholique”. Il y a sans doute beaucoup d’exagération dans ces bruits».
[15] Cfr. i particolari in B. Montagnes, La question biblique au temps de Pie XI, in Achille Ratti Pape Pie XI, Rome 1996, pp. 255-276, spec. pp. 265-272.
[16] Per i dati statistici, seguo i dati forniti dalla segreteria dell’Istituto. Per i nomi degli studenti, cfr. Elenco degli alunni del Pontificio Istituto Biblico, 1909-1999, Roma 1999. Sul Vaccari, «P. Alberto Vaccari. In memoriam», in Biblica, 47 (1966) 158-162, del card. Bea (158-159) e del P. Boccaccio (159-162). Sul P.Merk, sempre in Biblica, 26 (1945) 310-315, «P. Augustinus Merk» (anonimo).
[17] Per la storia della facoltà di orientalistica, cfr. la relazione inedita, a cura di vari professori, redatta alcuni anni fa, e conservata nella segreteria del Biblico. Sul P. Pohl, cfr. il necrologio di S. Moscati, in Orientalia, 31 (1962) 1-5. Sul P. Zorell, cfr. il breve necrologio anonimo, in Acta Pontificiii Instituti Biblici, 1947-1948, pp. 128-129. Sul P. Messina, cfr. Biblica, 32 (1951) 464-468. Sul P. Deimel, Acta Pont. Inst. Bibl., 1954-55, pp. 29-30, e in Biblica, 35 (1954) 539-544, del P. E. Vogt.
[18] Cfr. Osservatore Romano, 21 maggio 1938. Il giornale vaticano dette grande risalto alla discussione della tesi, con un ampio articolo in prima pagina e un titolo su varie colonne. La tesi venne pubblicata con lo stesso titolo a Torino nel 1940, con un solo accenno iniziale alla sua genesi «la stampa del presente lavoro, discussa come tesi di laurea in Sacra Scrittura alla presenza di S. Santità Pio XI nel maggio 1938 ... ». L’autore evita ogni intento apologetico, e solo alla fine si ferma sul confronto fra la poesia babilonese e quella biblica, ammettendo un influsso tutt’al più indiretto, e sottolineando la differenza fondamentale fra il monoteismo israelitico e il politeismo babilonese.
[19] Città Nuova, Roma 1987, pp. 70, e specialmente 121-122. Cfr. per altro le affermazioni del P. Lyonnet, nell’articolo citato nella nota seguente, pp. 376-377: «Par tempérament, par formation, le Père Bea n’avait rien d’un novateur ... Mais ( ... ). L’évolution évidente et avouée par le père Bea lui-même sur bien des points concernants l’exégèse biblique, était pourtant en quelque sorte en germe dès cette période».
[20] Cenni sommari in S. Schmidt, Agostino Bea ..., pp. 99-101; cfr. anche A. Vaccari, Lo studio della S. Scrittura. Lettera della Pont. Commissione Biblica con introduzione e commenti, Roma 1943; S. Lyonnet, «Le cardinal Bea et le développement des études bibliques», in Rivista Biblica, 16 (1968) 370-396, spec. 376-380; M. Pesce, «Il rinnovamento biblico», citato, pp. 575-610, spec. pp. 593-599. Secondo Pesce, Ruotolo contrapponeva l’uso storico della Bibbia al suo uso religioso, senza avvertire la storicità dei testi biblici, la vastità dei problemi interpretativi posti dalla rinnovata cononoscenza delle civiltà orientali e mediterranee.
[21] Cfr. S. Schmidt, Agostino Bea …, citato, pp. pp. 102 -105; gli articoli del Bea in Biblica, 26 (1945) 203-237, e in Civ. Cat., 1955, I, 508-524, 604-615.
[22] Schmidt, Agostino Bea …, p. 106-110; S. Lyonnet, «Le cardinal Bea et le développement des études bibliques», Rivista Biblica 16 (1968) 371-392, spec. 378s.
[23] Cfr. Schmidt, Agostino Bea…, pp. 123-124; S. Lyonnet, «Le card. Bea et le développement des études bibliques», in Rivista Biblica, 16 (1968) 371-396, spec. 382-384; A. Bea, «Il problema del Pentateuco e della storia primordiale. A proposito della recente lettera della Pontificia Commissione Biblica», in Civiltà Cattolica, 1948, II, 116-127. Secondo Lyonnet, l’articolo di Bea fu scritto dietro sollecitazione del card. Tisserant, presidente della Commissione Biblica.
[24] Acta et documenta Concilio Oecumenico Vaticano II apparando, s. I, antipraeparatoria, IV, Studia et vota universitatum et facultatum ecclesiasticarum et catholicarum, p. I, Universitates et facultates in urbe. Typis Polyglottis vaticanis, 1961, pp. 123-136. Il voto del Biblico è presentato dal Rettore, P. Vogt, e firmato dai PP. Vaccari, Lyonnet, Pohl, Alonso Schökel, Boccaccio, Dahood, de la Potterie, Köbert, Martin, McCool, Moran, Novotny, Patti, Pavlovsky, des Places, Simon, Smith, Zerwick. In altre parole, esso esprime il parere dell’intero corpo insegnante, cosa che lo rende ancora più interessante.
[25] Così M. Pesce, «Il rinnovamento biblico», citato, pp. 168-216 (l’affermazione è a p. 168). Cfr. su questo tema: L. Alonso-Schökel, «Dove va l’esegesi cattolica?», in Civiltà Cattolica, 1960, III, 1-12; A. Romeo, «L’enciclica “Divino Afflante Spiritu” e “Opiniones novae”», in Divinitas 4 (1960) 387-456; Monitum del S.Ufficio, 20 giugno 1961 (Acta Apostolicae Sedis, 53 [1961] 507); Associazione Biblica Italiana, «Chiarificazioni sul convegno di Padova (a proposito di un recente articolo)», in Atti e conferenze della settimana biblica 1960, Roma 1961; J.A. Fitzmyer, «A Recent Roman Scriptural Controversy», in Theological Studies, 22 (1961) 426-444; «Pont. Institutum Biblicum et recens libellus Rvmi D. Romeo», in Verbum Domini, 39 (1962) 3-17; Paolo VI, Insegnamenti, I, Città del Vaticano 1965, p. 273; A. Tafi, Mezzo secolo a servizio della Chiesa, Associazione Biblica Italiana, Treviso 1985; G.P. Fogarty, American Biblical Scholarship. A History from the Early Republic to Vatican II, San Francisco 1989.
Sui principali protagonisti della controversia, ricordiamo: Antonino Romeo, alunno del Biblico dal 1924 al 1927, licenziato in Scrittura, professore di Scrittura nel seminario di Catanzaro, aiutante di studio nella Congregazione dei Seminari, professore all’Università Lateranense, morto nel 1974; Francesco Spadafora, alunno del Biblico dal 1936 al 1939, dottore in Scrittura, professore all’Università Lateranense, morto nel 1997.
[26] 1981, III, p. 309.
[27] Cfr. le belle pagine di M. Pesce, nel vol. I cattolici nel mondo contemporaneo, 1922-1958, citato, pp. 584-586 (significato dei rettorati Fernández, O’Rourke, Bea).
[28] Pont. Comm. Biblica, L’interpretazione Biblica nella Chiesa, Città del Vaticano 1993: discorso di S.S. Govanni Paolo II, 23 aprile 1993; il documento della Pont. Comm. Biblica.
[29]Nel vol. I cattolici nel mondo contemporaneo, 1922-1958, citato, spec. pp. 585-609, spc. 591-592.
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