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A Bíblia Sagrada da Editora Vozes - Opções de Tradução - Ludovico Garmus (2016)

 

A BÍBLIA SAGRADA DA EDITORA VOZES – OPÇÕES DE TRADUÇÃO

Ludovico Garmus

Resumo

Este pequeno estudo visa apresentar e justificar algumas opções adotadas na tradução da Bíblia Sagrada editada pela Editora Vozes. Guiando-se pelo princípio da fidelidade ao texto original e ao leitor e ouvinte atual, o texto analisa alguns exemplos de tradução adotados no Antigo Testamento. Para o Novo Testamento foi incluída uma nova tradução de textos de difícil interpretação, como Mt 5,21-22; Rm 9,3; 5,14; Jo 19,27. Estas novas traduções adotadas pela Bíblia Vozes baseiam-se em alguns estudos do exegeta brasileiro Simão Voigt.

Palavras-chave: Exegese. Tradução. Mateus. Romanos. João.

Abstract

This short study aims to present and justify some options adopted by the Holy Bible translation published by Editora Vozes. Guided by the principle of fidelity to the original texts and to the reader or auditor, the article analyses some translation’s exemplar adopted for the Old Testament. For the New Testament whose included a new translation of some difficult texts interpretation, like Mathew 5:21-22; Rm 9:3; 5:14; John 19:27. These new translations are based on studies of a brasilian exegete Simão Voigt.

Keywords: Exegesis. Translation. Mateus. Romans. John.

Todas as traduções da Bíblia Sagrada para as línguas hoje faladas, feitas a partir dos textos originais hebraico, aramaico e grego ou da antiga tradução latina de Jerônimo, chamada Vulgata, têm uma história. Também a Bíblia Sagrada traduzida para a Editora Vozes – Bíblia Sagrada ou Bíblia Vozes – tem a sua história. Um pouco desta história já foi tratada no artigo Fidelidade ao texto original e à linguagem atual: os bastidores da tradução da Bíblia Vozes, publicado no livro comemorativo do centenário da Editora Vozes¹.

Sendo este um livro comemorativo, não foi comercializado. Por esta razão, o mesmo artigo aparece no livro Profecia e esperança, publicado em homenagem ao Prof. Milton Schwantes².

Sobre as edições da Bíblia no Brasil Cláudio Vianney Malzoni escreveu o livro *As edições da Bíblia no Brasil*³. É uma obra sintética, mas bem trabalhada, onde o autor apresenta um apanhado histórico das edições e traduções da Bíblia feitas no Brasil. O autor fala inclusive da Bíblia Vozes⁴.

No presente estudo partiremos do que já foi dito sobre a Bíblia Sagrada editada pela Editora Vozes para justificar algumas opções de tradução nela adotadas.

Já na apresentação da 1ª edição da Bíblia Vozes (1982) estabeleceram-se os princípios que orientaram o trabalho dos colaboradores desta tradução: “fidelidade aos textos originais e fidelidade ao homem de hoje”⁵. Aplicar tais princípios é sempre um desafio, considerando que os textos sagrados provêm de uma língua e cultura diferente da nossa. Assim, os trabalhos de tradução e revisão se prolongaram por nove anos (de 1974 a 1982). Entre 1994 e 2001 o texto da Bíblia inteira passou por uma nova revisão exegética e de linguagem. O texto integral foi lido em voz alta, corrigido e novamente confrontado com o texto original. Chegou-se a um texto mais fácil de ser proclamado e ouvido. Vejamos algumas das opções próprias de tradução.

1. Opções adotadas para o Antigo Testamento

Gênesis 1–2

No v. 2b em vez de “e o espírito do Senhor pairava sobre as águas” traduziu-se de modo dinâmico: “e um vento impetuoso soprava sobre as águas”. O vento tempestuoso indica o surgimento de algo novo, em nosso caso a vida e a luz que vão preencher o vazio da terra. É o que vemos também em Ezequiel (tradição sacerdotal): “Vem, ó espírito, dos quatro ventos, soprar sobre estes mortos para que eles possam reviver” (Ez 37,9), anunciando a “ressurreição” do campo de ossos secos para tornar-se um povo novo (cf. Sl 104,29; At 2,2). A conclusão das obras criadas em cada um dos seis dias (v. 2.8.13.19.23.31) é, em geral, assim traduzida: “houve uma tarde e (houve) uma manhã”. Na Bíblia Vozes temos uma tradução dinâmica: “Fez-se tarde e veio a manhã”.

Em Gn 1, um texto da tradição sacerdotal, evitou-se traduzir o termo ’adam como homem – o que provoca interpretações indevidas –, para traduzir por “ser humano”. Deus cria o ser humano à sua imagem e semelhança e, literalmente, cria-o “macho e fêmea”, em vista da bênção da procriação e do cuidado (domínio) que lhe é confiado em relação às demais criaturas (1,26-28)⁶. Em Gn 2 o ’adam é criado do “pó da terra”. Esta narrativa, de tradição javista, ocupa-se com o ser humano como alguém que vive numa relação com o ambiente que o cerca. Por isso Deus mesmo planta um jardim, ou parque, cheio de árvores e vegetação de toda espécie, onde coloca o ser humano. O ser humano é um ser comunitário e os vegetais não andam nem lhe são uma companhia adequada. Então o Senhor decide: “Não é bom que o ser humano esteja só. Vou fazer-lhe um(a) auxiliar que lhe corresponda”. Em hebraico o termo ’ezer é masculino e significa auxiliar, auxílio ou ajuda. Na primeira tentativa, Deus cria os animais e as aves também a partir do solo (’adamah), mas o ser humano, que vive entre eles, não encontra uma companhia que lhe seja adequada. Então, o ser humano, que pode ser ele ou ela, é colocado num profundo e misterioso sono (cf. Gn 15,12) e o Senhor tira dele ou dela uma costela, símbolo de alguém que está ao seu lado, que lhe faz companhia, é seu auxílio e complemento. Só a partir desse momento o ser humano (’adam) passa a ser um indivíduo, ou melhor, duas pessoas, ele e ela, que se relacionam e se completam. Como a narrativa é feita por homens e não mulheres, só então o ’adam pode exclamar: “Desta vez sim, é osso dos meus ossos e carne de minha carne! Ela será chamada mulher (’iššah) porque foi tirada do homem (’iš). Nada impede que o ser humano feito de barro seja uma mulher, para a qual Deus fez um auxiliar semelhante a ela...

Resumindo, em Gn 1 a preocupação é a geração de filhos e a bênção da descendência; por isso, o ’adam, feito à imagem e semelhança de Deus, é “macho e fêmea” (zakar uneqbah). Em Gn 2, porém, o ser humano é apresentado como alguém que vive em companhia de plantas, aves e animais. Mas ele é um ser comunitário e sua realização plena se dá apenas na companhia de alguém de sua própria espécie. Só assim poderá cumprir sua missão entre as outras criaturas, colocadas aos seus cuidados. Como se pode ver, procurou-se fazer do termo ’adam uma tradução inclusiva, extensível também a outras passagens do Antigo Testamento. Deste modo, quando o termo ’adam pode ser referido tanto ao homem como à mulher foi traduzido por “ser humano”, “pessoa” ou “alguém”.

Eclesiastes 1,2

A tradução costumeira de Ecl 1,2 é “Vaidade das vaidades – diz o Eclesiastes – tudo é vaidade”. Na Bíblia Vozes foi assim traduzido: “Ilusão, pura ilusão! – diz Coelet – Ilusão, pura ilusão! Tudo é ilusão!” O termo vaidade, embora nos dicionários seja sinônimo de ilusão, popularmente está ligado a uma pessoa vaidosa. Por outro lado, a expressão “vaidade das vaidades” é uma forma semítica de expressar o superlativo: o máximo das vaidades, diríamos nós. Não se justifica numa tradução ficar preso a um semitismo quando podemos dizer a mesma coisa em nossa língua pátria. Em português temos, por exemplo, a expressão “verdade, pura verdade”, quando queremos afirmar o superlativo da verdade. Daí também “ilusão, pura ilusão”. Por isso no Eclesiastes sempre que ocorre o termo “vaidade” (hebel) foi traduzido por “ilusão”⁷.

Traduções motivadas pelo contexto político

Influenciada pela Teologia da Libertação, muito ativa durante o período da ditadura no Brasil, nos anos 70 e 80, é a tradução em Ex 3,10: “E agora vai, que eu te envio ao Faraó para que libertes meu povo, os israelitas, do Egito”. Em geral usa-se “fazer sair”; mas, no livro do Êxodo todo e em outras partes do Antigo Testamento, usa-se “libertar” em vez de “fazer sair”. Motivada pelo contexto político-militar é também a expressão “o Senhor todo-poderoso” em vez de “o Senhor (Javé) dos exércitos”.

Em Ez 34,1-10 o profeta critica os reis e outros governantes porque não cuidaram do povo de Deus, ao contrário o maltrataram, e em nome de Javé ameaça tirar-lhes o encargo. Enquanto o livro de Ezequiel era traduzido, falava-se de pessoas que eram cassadas pelos militares, isto é, destituídas de sua função. Por isso a tradução de Ez 34,10 ficou assim: “Eu mesmo vou enfrentar os pastores para reclamar deles as minhas ovelhas e lhes cassar o ofício de pastor”.

Contexto cultural

Influenciada pelo contexto cultural do Brasil, por exemplo, foi a tradução de 1Sm 10,5-6: “... encontrarás um bando de profetas que descem do santuário da colina. Precedidos pelo toque de harpa, tamborim, flauta e cítara, eles estão em ‘transe profético’ (mitnabe’îm). E o espírito do Senhor tomará conta de ti, de modo que entrarás em transe com eles...” E logo depois também Saul entra em transe profético (v. 11). Fenômenos de transe estão presentes hoje tanto na religiosidade cristã como na de origem afro-indígena.

2. Opções adotadas para o Novo Testamento

Para o Novo Testamento apresentamos alguns exemplos de novas opções de tradução, nas quais é valorizado o trabalho do exegeta já falecido, Simão Voigt⁸.

Mateus 5,21-22

Por exemplo, Mt 5,21-22 foi assim traduzido pela Bíblia Vozes:

“²¹Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; quem matar será réu de julgamento. ²²Pois eu vos digo: quem se encolerizar contra seu irmão será réu de julgamento. Quem chamar seu irmão de patife será réu perante o sinédrio e quem o chamar de tolo será réu do inferno de fogo”.

Na tradução levou-se em conta um estudo de Simão Voigt sobre esta passagem⁹. É um texto muito discutido no passado pelos exegetas que estudam o evangelho de Mateus. É bastante aceito entre os exegetas que neste versículo temos um “crescendo” ou endurecimento ascendente dos tribunais, mas não foi esclarecida a gradação das ofensas correspondentes. Voigt¹⁰ analisa os termos ’orgizo (irar-se), krísis (julgamento) e moré (tolo) e chega à seguinte conclusão: Irar-se (’orgizo) contra o irmão consiste numa “cena externa de ira”, expressada com olhares indignados, gesticulação, palavras ásperas, xingamento e até ameaças ou injúrias. Chamar alguém de “patife” (raká) consiste numa ofensa de caráter moral; chamar alguém de “tolo” ou “bobo” (moré) seria a ofensa mais leve. Percebe-se assim que, à medida que a ofensa diminui em gravidade, o tribunal torna-se mais severo. Trata-se aqui de um dito sapiencial de caráter paradoxal, que exige do cristão uma perfeição maior que a proposta pela Lei de Moisés. No v. 22, o mandamento antigo de não matar é levado à exigência nova de nem sequer magoar o irmão. É um dito que faz parte dos seis paradoxos em Mt 5,17-48. Levando em conta o que se diz no v. 1 – “Não penseis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim abolir, mas completar” – nesses seis paradoxos preferiu-se traduzir “pois eu vos digo” em vez de “eu, porém, vos digo”. Para Mateus, Jesus veio completar e aperfeiçoar a Lei, no sentido de uma exigência maior, e não contrapor-se, o que acontece quando se usa “eu, porém, vos digo”.

Romanos 9,3

Rm 9,3 é um texto muito discutido entre os exegetas. Acolhendo a argumentação de um estudo de Simão Voigt¹¹, o texto foi assim traduzido:

“Pois eu próprio desejava ser separado por Cristo em favor de meus irmãos, e meus patrícios segundo a carne”.

Voigt traduz o termo anathema em sentido cultual¹², como oferta votiva e não como “aniquilamento” ou “proscrição”, como o faz a maioria das traduções brasileiras da Bíblia¹³. Aos argumentos de Voigt poderíamos acrescentar outros mais. Paulo nasceu em Tarso, “cidade ilustre da Cilícia”, que sob o domínio dos Selêucidas e Romanos transformou-se num importante centro cultural. Nas disciplinas filosóficas, Tarso competia com Atenas e Alexandria¹⁴. Paulo é grego e provém de Tarso, uma cidade que prestigiava a cultura grega clássica. Embora tenha estudado a Lei em Jerusalém, aos pés de Gamaliel, Paulo deve ter conhecido também um pouco dos filósofos gregos. E em grego clássico o primeiro sentido de ’anathema¹⁵ é oferta votiva, algo que é consagrado (em lembrança de alguém) ou inscrição comemorativa; em sentido negativo o termo pode ser também entendido como “maldição” ou “anátema”¹⁶. Lucas, que lia a tradução dos Setenta (Septuaginta) e conhecia também a cultura grega, usa o termo ’anathema no sentido de “oferta votiva”, doações oferecidas para enfeitar um lugar sagrado: “Alguns falavam a respeito do Templo que tinha sido construído com belas pedras e ornado de dádivas” (anátemas: Lc 21,5). É curioso que as mesmas Bíblias que traduzem Rm 9,3 em sentido negativo – como se Paulo quisesse ser separado de Cristo ou condenado em favor de seus irmãos – em Lc 21,5, sem problema nenhum, traduzem ’anathema como oferta votiva, ex-voto, ornamentação, ou objeto dado como promessa.

Traduzir ’anathema em Rm 9,3 como “maldição” ou separação de Cristo contradiz o que Paulo escreve um pouco antes: “Quem nos separará de Cristo? (...) Nenhuma outra criatura poderá nos separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor” (8,35.39). Além do mais, é impensável que alguém que diz “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20) tenha pensado em ser separado de Cristo ou “maldito”. Paulo, que estudou a Lei aos pés de Gamaliel, sentia-se bem preparado para anunciar o evangelho entre seus irmãos “hebreus” (cf. Fl 3,5; 2Cor 11,22). Mas, segundo Lucas, foi separado por Cristo, junto com Barnabé, em favor dos irmãos de origem pagã (At 13,2; 9,15-16; 22,15; 26,17).

Concluindo, penso que o estudo de Simão Voigt deveria ser levado em conta para corrigir a tradução comum que se faz de Rm 9,3.

Romanos 5,14

Acolhemos também os resultados do estudo de Simão Voigt¹⁷ sobre Rm 5,14, que foi assim traduzido:

“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, também sobre os que pecaram em virtude de sua solidariedade com a transgressão de Adão, que é tipo do futuro”¹⁸.

Este texto é muito discutido entre os exegetas e teólogos por causa da doutrina do “pecado original”. Voigt faz um estudo crítico do termo homoíôma – em geral traduzido por “à maneira de”, “imitação” ou “semelhança” – e propõe traduzi-lo por solidariedade. Além do mais, baseado em testemunhos antigos, Voigt propõe eliminar a partícula negativa “não” (mè) e sugere até mesmo uma revisão do texto crítico. As duas alterações propostas por Voigt foram incorporadas na Bíblia Vozes.

João 19,27

“Depois disse para o discípulo: ‘Aí está a tua mãe’. E desde aquela hora o discípulo tomou-a sob seus cuidados”.

De modo geral, a expressão ’eis ta ídia é traduzida por “recebeu-a em sua casa”, “levou-a para casa”, “acolheu junto de si” (CNBB) ou “manteve-a sob seus cuidados” (Almeida século 21). Simão Voigt, num longo e bem documentado estudo¹⁹, defende que a expressão ’eis ta ídia deve ser traduzida em sentido dinâmico, como afazeres, atividades, o que é próprio. Quando o termo ’ídia é traduzido por “casa” perde-se este sentido dinâmico. Os afazeres próprios de um discípulo são as atividades missionárias. Segundo um apócrifo sobre a morte de Maria (Transitus, séc. II), a mãe de Jesus morreu em Jerusalém e ali foi sepultada. Sentindo próxima a sua morte, Maria manda chamar todos os apóstolos para despedir-se deles. Conversa com cada um deles e, chegando a vez de João, censura-o por não ter obedecido à última vontade de Jesus, que o escolhera para cuidar de sua mãe. Na realidade, João escolheu a missão, o que lhe era próprio (’ídion), e partiu para a Ásia Menor, deixando Maria em Jerusalém. Neste sentido, Voigt vê em Jo 19,27 “uma velada apologia de João”.

Conclusão

Pode-se dizer que é uma riqueza a variedade de traduções da Bíblia no Brasil. Nenhuma delas é perfeita, mas cada uma tem algo de próprio para uma leitura e compreensão melhor dos “múltiplos tesouros da única Palavra de Deus”²⁰. Neste pequeno estudo apresentamos um pouco do que consideramos ser a contribuição da Bíblia Sagrada editada pela Editora Vozes. Toda tradução é um trabalho inacabado. No trabalho de tradução não podemos esquecer a contribuição de estudos sobre passagens difíceis da Bíblia, sobretudo, de autores nacionais. É hora de valorizar os estudos de colegas exegetas sobre textos bíblicos, especialmente os do Brasil e da América Latina.

Ludovico Garmus
Rua Coronel Veiga, 550
25655-151 Petrópolis, RJ
e-mail: garmus@itf.org.br

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Notas de rodapé:

1. ANDRADES, Marcelo Fereira (org.). Editora Vozes – 100 anos de história: 1901-2001. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 312-321.

2. GARMUS, Ludovico. Fidelidade ao texto original e à linguagem atual: os bastidores da tradução da Bíblia Vozes. In: DREHER, Carlos A. e outros (orgs.). Profecia e esperança: um tributo a Milton Schwantes. São Leopoldo: Oikos, 2006, p. 42-55.

3. MALZONI, Cláudio Vianney. As edições da Bíblia no Brasil. São Paulo: Paulinas, 2016, 173 p.

4. MALZONI. As edições da Bíblia no Brasil, p. 73-78.

5. Paulo VI aos biblistas, 1971.

6. Sobre o sentido do “domínio” em Gn 1,26-28, cf. GARMUS, Ludovico. Bíblia e Ecologia. Aspectos fundamentais (Gn 1–11), in: Grande Sinal – Revista de Espiritualidade, 46, p. 275-290, 1992.

7. A Bíblia Sagrada – Almeida século 21 (2008) também usa o termo “ilusão” em vez de “vaidade”: “Diz o sábio: Que grande ilusão! Que grande ilusão! Tudo é ilusão!” Esta tradução foi também adotada pela Bíblia Pastoral (2014), embora conservando o semitismo: “Ilusão das ilusões, diz Coelet, ilusão das ilusões, tudo é ilusão!”

8. Simão Voigt é um frade franciscano já falecido († 2002), que foi professor na Faculdade de Teologia do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis, de 1962 até 2001. Como exegeta, escreveu vários artigos na área do Novo Testamento, nos quais estuda, com muita competência, passagens bíblicas de difícil compreensão, propondo nova tradução ou interpretação.

9. VOIGT, Simão. Solução para um texto difícil do sermão da montanha (Mt 5,22). In: VÁRIOS A.A. Atualidades Bíblicas. Petrópolis: Vozes, p. 447-486, 1971.

10. VOIGT, 1971, p. 467.

11. VOIGT, Simão. Paulo deseja ser anátema por seus irmãos judeus (Rm 9,3): proposta de uma interpretação diferente. REB-Revista Eclesiástica Brasileira, Petrópolis, v. 33, fasc. 130, p. 298-323, junho 1973.

12. Sentido verificável também em outras passagens (cf. Lc 21,5; At 9,15.23-29; Rm 1,5; 2Cor 2,14-17; Fl 2,17; 2Tm 4,6).

13. Cf. Bíblia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) traduz assim: “... desejaria ser, eu mesmo, excluído de Cristo em favor de meus irmãos, meus parentes segundo a carne...”; Bíblia de Jerusalém: “Quisera eu mesmo ser anátema, separado de Cristo, em favor de meus irmãos...”, e na nota c explica o termo anátema: “Isto é, objeto de maldição” (cf. Js 6,17 e Lv 27,28). A Tradução Ecumênica da Bíblia tem: “... eu desejaria ser anátema, ser eu mesmo separado do Cristo por meus irmãos...” A Bíblia Pastoral: “Eu mesmo seria amaldiçoado, separado de Cristo, em favor de meus irmãos”. Bíblia do Peregrino: “... ²eu, por meus irmãos, os de minha linhagem, ³desejaria estar excluído da companhia do Messias”. Bíblia Sagrada – Almeida século 21: “Porque eu mesmo desejaria ser amaldiçoado e excluído de Cristo, por amor de meus irmãos”.

14. DÍEZ MACHO, A. Tarso. In: Enciclopedia della Bibbia. Asti: Elle Di Ci, 1971, p. 786.

15. BAILLY, Anatole. Dictionnaire Grec-Français. 3. ed. rev. Paris: Hachette, 1944, verbete ’anáthema.

16. Neste sentido, Deilly remete à Septuaginta, citando Dt 13,15 e, como “objeto de maldição”, Rm 9,3; 1Cor 12,3.

17. VOIGT, Simão. Honôioma (Rm 5,14) e pecado original: Uma releitura exegética. Revista Eclesiástica Brasileira, v. 41, p. 5-18, 1981.

18. O itálico indica onde se fez a opção diferenciada em relação a outras traduções.

19. VOIGT, Simão. O discípulo amado recebe a mãe de Jesus “ídia”: Velada apologia de João em Jo 19,27. Revista Eclesiástica Brasileira, v. 35, p. 771-823, 1973.

20. Cf. DE ZAN, Renato. Os múltiplos tesouros da única Palavra. Introdução ao Lecionário e à leitura litúrgica da Bíblia. Petrópolis: Vozes, 2015. O livro explica como está organizada a leitura da Palavra de Deus no Lecionário da Igreja Católica, utilizado nos domingos e dias de festa.

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Fonte: GARMUS, Ludovico. “A Bíblia Sagrada da Editora Vozes – opções de tradução”. Estudos Bíblicos, v. 33, n. 131, p. 11–18, jul./set. 2016.