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Carta de Marie-Joseph Lagrange para o Papa São Pio X (1912)

 


O Rev. Pe. Lagrange

Temos a satisfação de reproduzir a carta dirigida a S. S. Pio X pelo Rev. Pe. Lagrange, na sequência do Decreto da Consistorial que proibia que se mantivessem nos Seminários várias de suas obras sobre a Sagrada Escritura, sem, contudo, designá-las.

Se aconteceu ao célebre exegeta dar alguns passos para fora da linha desejada, ele foi sempre um religioso cujo espírito de fé e zelo apostólico todos testemunham com emoção.

Jerusalém, 17 de agosto de 1912.

SANTÍSSIMO PADRE,

Prostrado aos pés de Vossa Santidade, venho protestar-lhe minha dor por tê-la entristecido e minha inteira obediência. Meu primeiro movimento foi, e meu último movimento será sempre, submeter-me de espírito e de coração, sem reserva, às ordens do Vigário de Jesus Cristo. Mas, precisamente porque sinto em mim o coração do filho mais submisso, seja-me permitido dizer a um Pai, o mais augusto dos Pais, mas a um Pai, a minha dor pelos considerandos que parecem estar ligados à reprovação de várias de minhas obras, aliás não especificadas, e que estariam contaminadas de racionalismo. Que essas obras contenham erros, estou pronto a reconhecê-lo; mas que tenham sido escritas com um espírito de desobediência à tradição eclesiástica ou às decisões da Pontifícia Comissão Bíblica, dignai-vos, Santíssimo Padre, permitir-me declarar-vos que nada estava mais longe do meu pensamento.

Permaneço de joelhos diante de Vossa Santidade para implorar a sua bênção.

De Vossa Santidade, o mais humilde filho,

Fr. J.-M. LAGRANGE,
dos Frades Pregadores.

Por esta carta, o Santo Padre dignou-se manifestar sua satisfação.


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Le R. P. Lagrange

Nous sommes heureux de reproduire la lettre adressée à S. S. Pie X par le R. P. Lagrange, à la suite du Décret de la Consistoriale défendant de tenir dans les Séminaires plusieurs de ses ouvrages sur l’Ecriture Sainte, sans cependant les désigner.

S’il arriva au célèbre exégète de faire quelques pas en dehors de la ligne voulue, il fut toujours un religieux à l’esprit de foi et au zèle apostolique duquel tous rendent un témoignage ému.

Jérusalem, 17 août 1912.

TRÈS SAINT PÈRE,

Prosterné aux pieds de Votre Sainteté, je viens lui protester de ma douleur de l’avoir contristée et de mon entière obéissance. Mon premier mouvement a été et mon dernier mouvement sera toujours de me soumettre d’esprit et de cœur sans réserve aux ordres du Vicaire de Jésus-Christ. Mais précisément parce que je me sens le cœur du fils le plus soumis, qu’il me soit permis de dire à un Père, le plus auguste des Pères, mais à un Père, ma douleur des considérants, qui paraissent attachés à la réprobation de plusieurs de mes ouvrages, d’ailleurs indéterminés, et qui seraient entachés de rationalisme. Que ces ouvrages contiennent des erreurs, je suis prêt à le reconnaître, mais qu’ils aient été écrits dans un esprit de désobéissance à la tradition ecclésiastique ou aux décisions de la Commission biblique pontificale, daignez, très Saint Père, m’autoriser à vous déclarer que rien n’était plus loin de ma pensée.

Je demeure à genoux devant Votre Sainteté pour implorer sa bénédiction.

De Votre Sainteté le plus humble fils,

Fr. J.-M. LAGRANGE,
des Frères Prêcheurs.

De cette lettre, le Saint-Père a daigné témoigner sa satisfaction.

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Fonte:  Jornal La Croix, 33 Ano, nº 9051, 18 de setembro de 1912,Paris, p.4.