Integra da pastoral do Cardeal Câmara sobre a Bíblia
LEITURA DA BÍBLIA
Ao lermos os Livros Santos, não podemos perder de vista nenhum dos pontos esboçados acima, sob pena de nos defrontarmos com dificuldades insolúveis, ao menos em passagens fortes, que desafiavam a misericórdia de Deus, para com seu povo de “cerviz” dura.
Alguém aventou a ideia pueril de que a Bíblia tem de achar-se à altura do entendimento de qualquer indivíduo, pois sendo um recado de pai a filhos, não se pode supor contenha algo de incompreensível. Para firmar tal argumento, recorre-se habilmente ao sentimentalismo de que um pai não escreve ao filho uma carta incompreensível. Está certo, mas nem todos os filhos sabem ler direito, apesar de o pai haver escrito muito bem.
Guiada por esta preocupação de que a palavra divina seja acolhida com a devida confiança, sem justificados receios de engano, a Igreja Católica prescreve a seus fiéis não aceitarem bíblias sem aprovação eclesiástica, que aliás exige, para as traduções em vernáculo, notas explicativas de real valor.
Aqui tem cabimento a interpretação de um trecho da primeira epístola de S. Paulo aos tessalonicenses (5, 21): “Examinai tudo: abraçai o que for bom!” Não é nosso intento nesta Carta Pastoral enveredarmos pelo campo da exegese. Como, porém, se abusa deste passo bíblico pela ignorância do seu verdadeiro significado, torna-se mister, caríssimos diocesanos, fornecer-vos a legítima interpretação, muitas vezes alterada pelos hereges, como já admoestara S. Pedro na segunda carta (3, 1).
“Nas quais (epístolas de S. Paulo) há algumas coisas difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes adulteram (como também as outras Escrituras) para sua própria perdição”.
No trecho citado: “Examinai tudo; abraçai o que for bom”, S. Paulo não está aprovando o critério pessoal no interpretar ou escolher passagens bíblicas, mas de assunto mui diferente. Ei-lo: O apóstolo estava aconselhando os tessalonicenses a não desprezarem os vários dons e carismas concedidos pelo Espírito Santo, e entre eles especifica o das profecias, que provavelmente era o menos estimado pelos destinatários daquela carta. Todavia não recomendava S. Paulo que cegamente se aceitasse tudo quanto fosse dito pelos que possuíam o dom da profecia. Pelo contrário, inculcava averiguassem bem se os tais falavam por inspiração divina; se talvez movidos por ilusões ou malícia, e pelo espírito diabólico.
Que tem, pois, a ver com as Sagradas Escrituras, ou com a doutrina da Igreja, aquela situação particular da comunidade tessalonicense? Muito menos significam aquelas palavras do Apóstolo a “completa liberdade”, que muitos pretendem, de ler tudo quanto lhes cai em mãos ou maliciosamente vão procurar.
Se carecem de formação e critério para examinar o que escutam ou leem, como poderão abraçar o que for bom?
Para se aquilatar o ouro, não basta possuir um crisol, reagentes químicos e mais elementos indispensáveis, mas será preciso também saber lidar com todos eles.
A leitura da Bíblia está, pois, condicionada a certas circunstâncias, para que não venha a tornar-se prejudicial, quando só deveria ser proveitosa.
Prefere o leitor moderno encontrar já prontinhas para serem aplicadas tanto as fórmulas técnicas e matemáticas como as máximas de conteúdo moral. Por isso, nas Sagradas Letras também procuram algo de semelhante e, caso não deparem, julgam-nas sem valor. Ora, a Bíblia oferece alimento espiritual que, para ser assimilado, requer meditação e não raro certa visão de conjunto, porquanto, separadas de seu contexto, as expressões se prestam a qualquer acepção, por mais ingênua e ridícula, bem como a manobras tendenciosas que lhe torçam o legítimo significado.
A BÍBLIA E A IGREJA
Ao concluirmos o capítulo “Bíblia e Tradição”, identificamos esta com a Igreja.
Resta-nos agora, Revmos. Sacerdotes e prezados filhos, mostrar como nas Sagradas Escrituras se encontram todos os elementos essenciais à constituição da Igreja Católica, além do fato de sua própria fundação.
A unicidade exclusiva da Igreja se encontra na promessa: “Edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 16), a ser constituída como “um só rebanho e um só pastor” (Jo 10, 16).
Dotada de todas as fontes de santificação, distribuirá as caudais de redenção pelo batismo: “Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Quem depois cair em pecado, seja reerguido pelo perdão: “a quem perdoardes os pecados, serão perdoados” (Jo 20, 23). Para nutrimento espiritual que revigore as almas, deixa-nos Cristo o pão da vida eterna: “Quem comer deste pão viverá eternamente — e o pão que eu darei é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6, 52).
Ninguém recebe errando na doutrina que a Igreja expuser no decurso dos séculos, pois está garantida pelo Divino Mestre: “Ensinai... eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20).
Como sociedade religiosa, deve a Igreja possuir chefe supremo e sua hierarquia. E Jesus Cristo confere toda a autoridade aos apóstolos, sob a chefia de Simão Pedro. “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 17). De cordeiros e ovelhas, se compôs o rebanho inteiro. Nenhuma cabeça está isenta dessa jurisdição universal. Por isso é Pedro quem prega o primeiro sermão, às portas do Cenáculo; na festa de Pentecostes em que a Cristandade nascente foi proclamada, reconhecida e aumentada com o batismo de três mil judeus procedentes das mais diversas paragens do globo.
É do príncipe dos Apóstolos que Deus se utiliza para operar o primeiro milagre na Igreja primitiva (At 3, 1-11) e tantos outros se repetiram que colocavam os enfermos em fila para que ao menos a sombra de Pedro os cobrisse (At 5, 15).
Ainda é esse mesmo quem aplica as primeiras penalidades (At 5, 1-11), quem cheio do Espírito Santo (At 4, 8) defende perante o Sinédrio o cristianismo perseguido (At 5, 29) e abre as portas aos gentios que o queiram abraçar (At 10, 1-11, 18), por iniciativa é eleito S. Matias para a vaga aberta por Judas Iscariotes (At 1, 15-26) e Pedro é quem preside o primeiro Concílio de Jerusalém (At 15, 7-30), declarando no fim qual a sua autoridade pela afirmação: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15, 28).
Tanto era reconhecido Simão Pedro como chefe da Igreja nomeado por Cristo, que S. Paulo, após sua conversão e antes de suas viagens apostólicas, foi a Jerusalém ver Pedro (Gál 1, 18), expressão que ainda hoje se usa para significar uma visita ao Papa, sucessor de S. Pedro.
De um episódio entre S. Pedro e S. Paulo houve quem pretendesse ver neste o antecessor dos primeiros papas, visto que resistiu ao príncipe dos apóstolos. Eis o fato como o narra o Apóstolo das Gentes: “Tendo vindo Cefas a Antioquia, eu lhe resisti na cara, porque era repreensível. Pois, antes que chegassem alguns de Tiago, ele comia com os gentios; depois que eles chegaram, retirava-se com receio dos circuncidados. E os outros judeus imitaram-no em sua dissimulação, de sorte que até Barnabé foi induzido por eles àquela dissimulação. Porém, tendo eu visto que eles não andavam retamente segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas, diante de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios e não como judeu, por que obrigas os gentios a judaizar?” (Gál 2, 11-14).
Nestas últimas palavras é que se encontra o sentido das primeiras: “resistir na cara” significa “dizer abertamente, diante de todos”. Por que deu tanta importância a este retraimento de S. Pedro, de furtar-se a comer com os gentios convertidos, em presença de judeus vindos de Jerusalém? Precisamente porque era Pedro quem procedia. Fosse Pedro igual aos demais apóstolos e não gozasse daquela excepcional autoridade, não houvera sido interpelado por S. Paulo, que era seu companheiro mais chegado, e não a Pedro. Vencendo, pois, o escrúpulo de Cefas naquela atitude, está claro que Paulo não seguia a Pedro, mas a Pedro seguia o próprio Paulo.
Entretanto, não se deve esquecer que o Concílio de Jerusalém, por inspiração do Espírito Santo (At 15, 28), havia declarado ab-rogada quanto à obrigação, a antiga legislação mosaica, já abolida desde o Pentecostes, assim pois longe de pensar em revogação, ocorrência que reflete bem a autoridade de Pedro, expressa no Evangelho: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18).
A BÍBLIA E A LITURGIA
Desde a oferenda dos frutos da terra e das ovelhinhas apresentada a Deus pelos irmãos Caim e Abel (Gn 4, 3-5), nossa atenção é despertada para a ideia de sacrifício votado ao Criador do universo, Conservador e Senhor dos homens, dos demais viventes e de tudo quanto existe.
De oblações e holocaustos estão cheias as narrativas bíblicas, uns espontâneos, como o sacrifício de Melquisedec (Gn 14, 18) e tantos mais, outros prescritos pela legislação mosaica, por exemplo: o da purificação das mães (Lev 12, 6), e outros muitos sugeridos, quando não ordenados, pelo Senhor, em casos particulares, como o de Abraão (Gn 22, 2).
Diversamente do que sucedia no politeísmo, nunca houve exigência de vítimas humanas, sendo bem típico o de Isaac, substituído por um carneiro, o que vem dar o verdadeiro sentido do sacrifício: a imolação de uma criatura, em substituição à nossa pessoa, a fim de reconhecermos o direito divino de vida e de morte sobre nós. Neste reconhecimento, há tributo de adoração devido à soberana majestade do Criador, há expiação de pecados, ou seja, reparação e pagamento, rende-se às graças pela oferta da vítima, e súplicas por novas bênçãos divinas. De tudo há esplêndidas lições no Antigo Testamento.
Se Jefté imolou a filha, procedeu loucamente, contra a Lei que não permitia sacrifícios humanos (Lev 27, 29).
Obedecia a determinados ritos a oblação oficial de entes a serem sacrificados. Cheio de minúcias está o livro do Levítico, para não nos referirmos a outros mais.
Enfim, todos os sacrifícios da lei antiga, conforme tantas profecias, deviam ceder o lugar àquele holocausto único, de valor infinito, constituído pela imolação da vítima divina, no patíbulo da cruz, plantada no topo do Calvário: Jesus Cristo humanado.
Sacrificado uma vez pelo derramamento de seu sangue, Jesus perpetua a imolação de modo incruento no instante da Consagração, efetuada na Santa Missa, razão por que ela se chama sacrifício, e realmente o é. Por isso mesmo é que temos de participar, e não simplesmente assistir. Em último caso, ninguém desvirtue o significado da expressão “sacrifício da Missa”, tomando como sacrifício o incômodo de ir à igreja e lá permanecer meia hora.
Figuração antecipadamente (Gn 18) e predito por Malaquias (1, 18), Jesus Cristo celebrou este sacrifício na última Ceia, e o instituiu oficialmente quando ordenou aos apóstolos: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19).
Não somente o celebrou a Igreja primitiva (1 Cor 10, 16-21), mas pela carta de S. Paulo aos Coríntios sabe-se que é sacrifício perene: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha” (1 Cor 11, 26). Para haver a comunhão sacramental até o fim do mundo, quando voltará o Senhor, mister se faz que a Santa Missa até então seja celebrada.
Não é porém unicamente com relação aos sacrifícios que temos na Bíblia o simbolismo das figuras e realização de fatos condizentes com celebrações litúrgicas, pois também às preces coletivas mais oficiais do culto divino, ela empresta-lhes o mesmo cunho, de que nos ocuparemos sob a epígrafe seguinte.
A BÍBLIA E A ORAÇÃO
A liturgia cristã baseia-se principalmente na Bíblia. Os salmos constituem o conteúdo mais extenso do Ofício divino, que os clérigos e os Religiosos de ambos os sexos rezam diariamente.
Na própria Missa, as partes móveis, isto é, que não pertencem ao Cânon da Missa, compõem-se quase exclusivamente de passagens escriturísticas, seja das mais longas como evangelhos e epístolas, seja das curtas mas expressivas incrustações de textos bíblicos desde o Intróito até a Comunhão, para não falar no salmo 42, rezado pelo sacerdote antes de subir ao altar de Deus.
Herdeira da riqueza litúrgica de Israel, a Igreja se utiliza de seus ritmos e cânticos, numerosos e belíssimos, consignados às páginas da Bíblia e aproveitados na oração pública, de preferência, mas também na prece individual.
Se gememos no Miserere, se glorificamos a Deus no Sanctus, nos alegramos com os Aleluias, agradecemos a Deus com o Magnificat da Virgem Maria, estamos empregando, também na oração particular, fórmulas apropriadíssimas, sugeridas pela Escritura Sacra.
Se de nossas mães aprendemos a benzer-nos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, é porque em nome da Santíssima Trindade fomos batizados, exatamente segundo as mesmas palavras proferidas por Jesus Cristo, quando mandou os apóstolos ministrarem este sacramento (Mt 28, 19).
Dentre temos o inestimável Pater Noster, a oração dominical que nos foi buscada (Mt 5, 9).
À Virgem Santíssima repetimos na Ave-Maria a saudação do Arcanjo Gabriel (Lc 1, 28).
E quando rezamos por nossos fiéis defuntos, ocorre-nos instintivamente o salmo De profundis, se o sabemos de cor.
A prece cristã, pública ou individual, está ligada visceralmente às Sagradas Escrituras.
A BÍBLIA E A VIDA
Como a Bíblia é também manancial de outras utilidades pastorais, não está fora de propósito lembrar algumas.
As manifestações da onipotência divina, narradas em ambos os Testamentos, para exemplar os faltosos e prevaricadores, em nada forçam nem dobram o livre-arbítrio da criatura humana, porém alertam contra possíveis e imediatas punições, o que, nos intuitos divinos, retrai do mau caminho os desorientados e anima os fiéis na observância do Decálogo.
É o Novo Testamento, a solicitar maior frequência do que o apelo a punições terrenas ou eternas.
Só quem desconhece a Bíblia é que supõe o cristão subjugado pelo horror de constantes ameaças, a fim de se conter nos limites da moralidade.
Muito mais poderoso meio de conquista do coração humano emprega o Pai Celeste nas Sagradas Letras, sobretudo através da pregação do Verbo humanado. Tudo Ele faz para transformar em filhos seus adotivos, pela vida da graça santificante, os rebeldes e ingratos descendentes de Adão.
Atraindo-os, sem os forçar, mostra respeitar nossa liberdade de escolha na vereda a seguir, porém adverte: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçosa a via que conduz à perdição” (Mt 7, 13).
A quem recalcitrar, pergunta Jesus serenamente: “Também vós quereis deixar-me?” (Jo 6, 68). Respondamos logo com S. Pedro: “Para quem iremos? Só vós tendes palavras de vida eterna!” E é mister que o façamos, pois Ele afirma: “Meu jugo é suave, e leve o meu peso” (Mt 11, 30). Continua a solicitar nosso afeto: “Vinde a mim, vós todos que vos fatigais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28).
E à nossa espera ficou de pés cravados e braços abertos, dependurado no madeiro infamante da cruz, ao qual tinha aludido com estas palavras: “Quando eu estiver suspenso, atrairei tudo a mim” (Jo 12, 32).
Ainda hoje, em meio às agitações da vida moderna, acenando-nos com o céu. Ele polariza nossos anseios de felicidade: “Na casa de meu Pai há muitas mansões. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos um lugar. E depois que tiver ido e preparado o local para vós, novamente virei e tomar-vos-ei comigo, para que onde eu estiver estejais vós também. Sabeis para onde vou e conheceis o caminho” (Jo 14, 2-4).
A estrada é Ele próprio: “Eu sou a via, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6). “Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).
Para que ninguém pare e todos prossigam nessa jornada piedosa até os cumes da perfeição moral, apresenta-nos por modelo o Pai celeste: “Sede perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 48). Não sugerindo que alguém possa ter a petulância de a Ele se igualar, mas convidando sempre: “Sobe mais alto! Ascende superius!” (Lc 14, 10).
Se a meta é sublime, por Cristo se atinge, o qual nos favorece com estímulo: “Discite a me”, aprendei de mim (Mt 11, 29). Pois vim a este mundo, para que tenham a vida divina e a possuam mais abundantemente (Jo 10, 10). Verdadeira transformação da humanidade!
E obteve-a efetivamente? Digam-no os fatos. Compare-se a corrupção do mundo romano e a filosofia pagã à floração de santos que brilham no firmamento da Igreja, em todas as épocas, de todos os povos, línguas e raças; provindos das mais diferentes classes sociais, desde os Papas e imperadores e reis até crianças, plebeus e escravos. E não só na Igreja primitiva, mas agora ainda: o Papa Pio X, a menina Marta Goretti, o beato Contardo Ferrini, professor universitário, e no mesmo rumo vai Matt Talbot, estivador do porto de Londres.
Na fase atormentada que a sociedade hodierna atravessa, muita virtude viceja oculta mesmo nos grandes centros da movimentada atividade humana, por vezes febril e esquecida de seus destinos eternos.
Quando tal acontece, não é porque esteja diminuído ou atenuado o poder infinito da mão divina (Is 50, 2), mas porque se presta mais atenção a cânticos de sedutoras sereias do que à voz de Deus que fala nas consciências.
Já estava prevista por Deus esta nossa bem marcada era, e vem descrita nas páginas da Escritura: “Pois virá um tempo em que muitos não suportarão a sã doutrina, mas multiplicação para si mestres, conforme seus desejos, levados pelo prurido de escutar. E afastarão da verdade os ouvidos e os aplicarão a fábulas” (2 Tim. 4, 3-4).
Compete-nos fugir a essas atitudes reprovadas por S. Paulo e executar o desejo do Mestre infalível: “Quem vos escuta a mim ouve”, para não incidirmos no “quem vos despreza a mim despreza” (Lc 10, 16).
Para tanto, haveremos de lutar contra a corrente, pois que pertencemos ainda à Igreja militante e só mais tarde é que gozaremos do repouso na pátria celeste.
“Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que está em Jesus Cristo... Suporta os trabalhos como bom soldado de Jesus Cristo” (2 Tim. 2, 1-3) o qual nos garante a vitória: “Confia, filho, eu venci o mundo” (Jo 16, 33).
Pautando nossos atos pela moral cristã e fé viva, tal como nos oferecem os ensinamentos bíblicos, legitimamente interpretados, poderemos confiar com S. Paulo: “De resto, me está reservada a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia”, pois “combati o bom combate, consumei minha carreira, guardei a fé”.
Outro tanto poderemos esperar também nós, porque o apóstolo acrescenta: “E (a coroa será dada) não só a mim, mas também àqueles que desejam a sua vinda” (2 Tim. 4, 7 e 8) a de Jesus no fim do mundo para nos julgar a todos. Assim vivendo, estaremos entre os eleitos à direita, para ouvir de seus lábios: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo” (Mt 25, 24). Veni, Domine Jesu! (Apoc 22, 20).
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Fonte: jornal A Cruz, Ano XXXVIII, nº 2063, Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 1956, p.4 e 6.

