CODEX VATICANUS:
Transcrição:
ΣΑΤΕΤῊΝἈΔΕΛΦΌΤΗ
ΤΑἈΓΑΠΑ͂ΤΕΤῸΝΘΕῸΝΦΟ
ΒΕΙ͂ΣΘΕΤῸΝΒΑΣΙΛΈΑΤΙ
ΜΑ͂ΤΕ
satetḕnadelphótē
taagapâtetònTheònpho
fl.1432
CODEX SINAITICUS:
ΠΆΝΤΑΣΤΙΜΉ
ΣΑΤΕΤῊΝἈΔΕΛΦΌ
ΤΗΤΑἈΓΑΠΑ͂ΤΕΤῸΝ
ΘΕῸΝΦΟΒΕΙ͂ΣΘΕΤῸΝ
ΒΑΣΙΛΈΑΤΙΜΑ͂ΤΕ.
satetḕnadelphó
tētaagapâtetòn
Theònphobeîsthetòn
basiléatimâte
CODEX ALEXANDRINUS:
Transcrição:
ΝἈΔΕΛΦΌΤΗΤΑἈΓΑΠΑ͂ΤΕΤῸΝ
ΘΕῸΝΦΟΒΕΙ͂ΣΘΕΤῸΝΒΑΣΙΛΈΑΤΙ
ΜΑ͂ΤΕ
Pántastimḗsate
Theònphobeîsthetònbasiléati
TRADUÇÕES
1 Pedro 2,17
Original Grego: πάντας τιμήσατε, τὴν ἀδελφότητα ἀγαπᾶτε, τὸν Θεὸν φοβεῖσθε, τὸν βασιλέα τιμᾶτε
Pántas timḗsate, tḕn adelphótēta agapâte, tòn Theòn phobeîsthe, tòn basiléa timâte.
Tradução Direta: a todos honrai; a fraternidade amai; a Deus temei; ao rei honrai.
Tradução Direta: a todos honrai; a fraternidade amai; a Deus temei; ao rei honrai.
Honrai a todos, amai os irmãos, temei a Deus, respeitai o rei - Matos Soares
Honrai a todos, amai os irmãos, temei a Deus, respeitai o rei - Frei João josé Pedreira de Castro
Honrai a todos, amai os irmãos, temei a Deus, respeitai o rei. - Humberto Rohden
Honrai a todos, amai os irmãos, temei a Deus e respeitai o rei - Biblia Capuchinhos
Honrai a todos, amai aos irmãos, temei a Deus, respeitai ao rei - Mons. Negromonte
Honrai a todos, amai aos irmãos, temei a Deus, respeitai ao rei - Padre Vicente M. Zioni
Honrai a todos, amai a vossos irmãos, temei a Deus, respeitai o rei - Mons. Lincoln Ramos
Honrai a todos: aos irmãos, amai; a Deus, tende temor; ao rei, honrai. - Bíblia CNBB 2 edi
Honrai a todos: aos irmãos amai; a Deus temei; ao rei honrai. - Bíblia CNBB 3 edi
Honrai a todos, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei! - Bíblia Paulinas
Honrai a todos, amai vossos irmãos; temei a Deus, honrai o rei. - Bíblia Aparecida
Honrai a todos, amai os irmãos, temei a Deus, tribunais honra ao rei - Nova Bíblia Jerusalém
Honrai todos os homens, amai vossos irmãos, temei a Deus e honrai o rei - TEB
Honrai todos os homens, amai vossos irmãos, temei a Deus e honrai o rei - nova TEB
4) Repeitai... irmãos... honrai
6) Casos Especiais
A versão latina conserva com fidelidade o conteúdo essencial do original grego: honrar a todos, amar a fraternidade, temer a Deus e honrar o rei. As correspondências omnes honorate, fraternitatem diligite e Deum timete são semanticamente apropriadas, assim como regem honorificate, embora esta última forma introduza uma variação lexical em relação à primeira ocorrência de τιμάω. Portanto, a tradução latina é fiel quanto ao sentido geral, mas não inteiramente literal em sua estrutura verbal.
Fraternitatem: A palavra pode designar tanto a condição de irmãos quanto uma comunidade de pessoas unidas por determinado vínculo. Quando se traduz para "os irmãos", a ideia abstrata de fraternidade passa a ser expressa diretamente pelas pessoas que compõem a comunidade. Entretanto, existe uma diferença entre amar a comunidade dos irmãos e amar individualmente os irmãos: as duas ideias se relacionam, mas não são linguisticamente idênticas.
A palavra latina fraternitatem é a forma acusativa singular do substantivo fraternitas, que significa fraternidade, irmandade ou vínculo fraterno. Derivada de frater (irmão), ela designa a relação que une os irmãos, a condição de serem irmãos ou, por extensão, o conjunto de pessoas ligadas por esse vínculo. No contexto de 1 Pedro 2,17, a expressão refere-se particularmente à fraternidade cristã, isto é, à comunidade dos fiéis unidos pela fé e pela condição comum de irmãos em Cristo.
A escolha do termo fraternitatem é significativa porque o autor não emprega simplesmente a palavra fratres (irmãos), mas um substantivo abstrato que expressa a própria realidade da fraternidade. Assim, em fraternitatem diligite, o objeto direto do verbo diligite (amai) não são os irmãos considerados individualmente, mas a fraternidade enquanto vínculo e realidade comunitária. Uma tradução que preserve essa distinção é, portanto, "amai a fraternidade" ou "amai a irmandade".
Quando se traduz fraternitatem por "os irmãos", ocorre uma mudança na forma de expressar o pensamento. O substantivo abstrato, que designa a relação fraterna ou a comunidade enquanto unidade, é substituído por um substantivo concreto no plural, que designa as pessoas que a constituem. Embora as duas formulações estejam semanticamente relacionadas, elas não são linguisticamente idênticas: amar a fraternidade significa amar e valorizar o vínculo que une os irmãos e a comunidade formada por eles; amar os irmãos significa dirigir o amor às pessoas que integram essa comunidade. Isso não significa que a tradução "amai os irmãos" seja necessariamente incorreta. Em determinadas línguas e contextos, a tradução de um substantivo coletivo ou abstrato por uma expressão que destaque os seus integrantes pode transmitir adequadamente o sentido pretendido. No entanto, essa opção explicita uma interpretação do termo original e deixa de reproduzir diretamente sua forma gramatical.
Além disso, a expressão «amai a fraternidade» não deve ser entendida como se a fraternidade fosse uma entidade abstrata separada das pessoas. A comunidade cristã existe precisamente nas relações entre aqueles que a compõem. O contraste, portanto, não opõe o amor a uma abstração ao amor às pessoas, mas distingue duas maneiras de formular a mesma realidade: uma destaca a comunidade e o vínculo que une os seus membros; a outra destaca diretamente os membros individuais.
Na Vulgata Clementina, a construção fraternitatem diligite conserva essa dimensão comunitária. O texto grego correspondente, tḕn adelphótēta agapâte (τὴν ἀδελφότητα ἀγαπᾶτε), também emprega um substantivo abstrato ou coletivo, adelphótēta (ἀδελφότητα), derivado de adelphós (ἀδελφός), "irmão". Portanto, tanto o latim quanto o grego apresentam a fraternidade como objeto direto do amor, e não simplesmente os irmãos individualmente considerados.
Honorificate: Os verbos honorate e honorificate pertencem à mesma família de palavras e têm significados muito próximos.Traduzir o primeiro por “honrai” e o segundo por “respeitai” é uma escolha interpretativa, não uma reprodução estritamente literal
Os verbos latinos honorate e honorificate, empregados respectivamente nas expressões omnes honorate («a todos honrai») e regem honorificate («ao rei honrai»), pertencem à mesma família lexical e apresentam significados muito próximos. Ambos se relacionam ao substantivo honor («honra») e expressam a ação de honrar alguém, reconhecendo-lhe dignidade, valor ou posição. Embora tenham formações morfológicas distintas, não há, nesse contexto, uma oposição semântica que exija traduzi-los por verbos diferentes em português.
O verbo honorate é a segunda pessoa do plural do imperativo presente de honorare, significando «honrai». Já honorificate é a segunda pessoa do plural do imperativo presente de honorificare, verbo formado a partir de honor e do elemento verbal -ficare, associado à ideia de fazer ou tornar. Em seu emprego efetivo, honorificare significa honrar, conferir honra ou prestar homenagem. A diferença de formação entre os dois verbos não implica, por si só, uma diferença substancial de significado no versículo.
A presença desses dois verbos no mesmo enunciado é particularmente significativa. Na primeira ordem, omnes honorate, o autor determina que todos sejam honrados; na última, regem honorificate, ordena que se honre o rei. A repetição da ideia de honra estabelece uma correspondência entre as duas recomendações: a honra devida às pessoas em geral e a honra devida à autoridade régia. O texto distingue os destinatários, mas não emprega necessariamente dois conceitos diferentes de consideração.
Por essa razão, traduzir honorate por «honrai» e honorificate por «respeitai» constitui uma escolha interpretativa ou estilística, e não uma reprodução estritamente literal do vocabulário latino. O verbo português «respeitar» pode transmitir parte do sentido de honorificare, uma vez que o respeito envolve reconhecer a dignidade ou a posição de alguém. Entretanto, não reproduz tão diretamente a ideia de honra expressa pelo verbo latino. Respeitar alguém significa tratá-lo com consideração; honrá-lo pode incluir essa atitude, mas também envolve reconhecer ou manifestar sua honra, dignidade ou posição.
A diferença torna-se ainda mais evidente quando se considera a estrutura do versículo. Se a primeira ocorrência é traduzida por «honrai a todos» e a última por «respeitai o rei», o leitor português encontra dois verbos distintos, o que pode sugerir uma distinção semântica que o texto latino não estabelece explicitamente. Essa tradução pode levar à impressão de que o primeiro mandamento trata de conceder honra às pessoas, enquanto o último exige apenas respeito à autoridade. Embora essa interpretação possa ser compatível com determinadas explicações do texto, ela não decorre necessariamente da escolha lexical da Vulgata.
A manutenção do mesmo verbo português nas duas ocorrências permite, ao contrário, tornar visível a correspondência presente no original. Uma tradução como «a todos honrai [...] ao rei honrai» evidencia que o texto utiliza palavras da mesma família semântica para as duas recomendações. Isso não significa que todos devam receber exatamente o mesmo tipo de homenagem: o contexto permite distinguir as formas de honrar conforme os destinatários. Significa apenas que essa diferenciação contextual não precisa ser introduzida pela substituição de um verbo por outro.
É importante, contudo, evitar a conclusão inversa de que honorate e honorificate sejam absolutamente idênticos em todos os contextos latinos. São verbos distintos, com formações próprias e possíveis diferenças de uso conforme a época, o autor e o contexto. A afirmação mais precisa é que, neste versículo, ambos expressam a ideia de honrar, sem que a construção exija uma tradução diferenciada por «honrar» e «respeitar».
A comparação com o texto grego reforça essa observação. Em 1 Pedro 2,17, o original grego emprega o verbo timáō (τιμάω) nas duas recomendações: pántas timḗsate (πάντας τιμήσατε), «a todos honrai», e tòn basiléa timâte (τὸν βασιλέα τιμᾶτε), «ao rei honrai». Portanto, o grego também apresenta o mesmo verbo para os dois destinatários. A Vulgata utiliza honorate e honorificate, formas latinas diferentes, mas semanticamente próximas, para traduzir essas ocorrências.
Assim, para uma tradução que privilegie a correspondência lexical tanto com o grego quanto com o latim, a formulação «A todos honrai; a fraternidade amai; a Deus temei; ao rei honrai» é especialmente adequada. Ela preserva a repetição do verbo de honra, mantém a distinção entre os destinatários e evita introduzir uma diferenciação vocabular que não está expressamente presente no texto grego e que tampouco é exigida pelo latim.
Minha tradução:
Usando a mesma ordem gramatical da edição da CNBB
Minha tradução: Honrai a todos: amai a irmandade ; temei a Deus ; honrai ao rei .


