Conveniência do uso da Bíblia latino-americana é debatida na Argentina
BUENOS AIRES — A Assembléia Nacional de bispos iniciará, hoje, uma das reuniões mais tumultuadas dos últimos anos, devido às divergências de interesses sobre a conveniência ou não de se autorizar a circulação da chamada “bíblia Latino-americana”.
Na opinião de alguns observadores, a reunião dos prelados poderá marcar um novo rumo na igreja argentina que, até o momento, aparecia unida em geral embora se notassem idéias “conservadoras” ou “progressistas”.
A assembléia deverá decidir se autorize ou não a leitura da controvertida bíblia publicada pelas “Edições Paulinas” da Espanha e colocada em circulação em 1972, com a aprovação do bispo chileno, Manuel Sánchez.
Os setores religiosos conservadores taxam-na de “esquerdista” e “subversiva”, acusações rejeitadas pelos progressistas. O debate principal é sobre sua ilustração e alguns comentários acerca da versão tradicional. A última palavra será da comissão do episcopado”, disse um observador. A dúvida está no fato da aceitação ou recusa da decisão.
Por exemplo, o bispo de Neuquen, monsenhor Jaime de Nevares, recomenda a leitura da bíblia e diz que “somente o papa Paulo VI poderia proibi-la”. Os observadores concordam em que provavelmente a assembléia de bispos — caso não cheguem a unanimidade de opinião — apresentará um relatório à Santa Sé, solicitando um pronunciamento.
O Governo do presidente general Jorge R. Videla tem mantido silêncio sobre o debate público realizado por vários bispos. A assembléia começará, portanto, em um clima diverso do tipo normal de reuniões, por causa das posições adotadas publicamente por vários bispos. “A imagem de unidade que sempre teve a igreja argentina tem sido afetada”, disse um observador, a respeito da polêmica.
A assembléia, por outro lado, analisará a situação geral do país, especialmente no que diz respeito ao tema da violência. Os bispos entregarão, em julho, uma nota ao Governo Militar, na qual expressavam sua preocupação ante a violência e pediram garantias para todos os setores.
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Fonte: Diário de Pernambuco, 25 de outubro de 1976, p.6.
