-->

Novo Testamento - Edição Pastoral (1987)

 



BÍBLIA SAGRADA

EDIÇÕES PAULINAS

NOVO TESTAMENTO — EDIÇÃO PASTORAL

No mês de dezembro p.p., Edições Paulinas brindou o público com o NOVO TESTAMENTO — Edição pastoral, fruto de longo trabalho e intensa dedicação de uma equipe de biblistas brasileiros.

O Novo Testamento — Edição pastoral não é senão parte da obra que vem sendo elaborada, ou seja a publicação completa da BÍBLIA SAGRADA — Edição pastoral. (A edição completa vai precisar de dois a três anos para vir a público).

Como surgiu a idéia de se publicar a Bíblia Sagrada — Edição pastoral? Quais as características do texto e por que se denomina pastoral?

1. HISTÓRICO

Há cerca de quatro anos, pensou-se em traduzir e publicar a Bíblia Latino-americana. Mas, à medida que a idéia tomava corpo, percebeu-se a necessidade de ir além, produzindo um texto mais próximo da nossa realidade, levando em conta, ao mesmo tempo, os recentes contributos da pesquisa no campo bíblico. Foi deixada de lado a tradução da Bíblia Latino-americana, e partiu-se para a produção de um texto novo, de cunho pastoral, em linguagem acessível, para uso individual e sobretudo comunitário (encontros, grupos, círculos bíblicos, catequese etc.).

2. O TEXTO

O texto é traduzido diretamente dos originais grego (Novo Testamento), hebraico e aramaico (Antigo Testamento). A tradução é obra de biblistas brasileiros. Além de ser tradução fiel, tem a preocupação de tornar o texto fácil e agradável. A tradução, bem como as introduções, títulos, subtítulos e notas são elaborados pelos biblistas Euclides Martins Balancin e Pe. Ivo Storniolo. O texto é também cotejado com diversas versões modernas da Bíblia, com o objetivo de se obter o melhor texto possível. A seguir, são elaboradas notas de cunho pastoral para cada perícope (pequeno trecho). Todo o trabalho passa pela revisão literária, confiada ao Pe. José Dias Goulart. As sugestões oriundas dessa revisão são submetidas à avaliação. A seguir, é feita uma revisão técnica e exegética a cargo do Pe. José Bortolini. As observações são discutidas com os demais biblistas.

2.1. Características do texto

2.1.1. Utiliza linguagem simples, sem ser vulgar (isto é, não se trata de escrever como o povo fala). São evitados, sempre que possível, os termos eruditos, as mesóclises, as frases longas ou subordinadas. Pesos, medidas, moedas e indicações de tempo e espaço são convertidos ao nosso linguajar corrente. Como forma comum de tratamento, emprega-se a terceira pessoa. Para Deus, usa-se a segunda pessoa do singular. Evita-se, sempre que possível, as formas verbais pouco populares.

2.1.2. Os títulos e subtítulos são sempre hermenêuticos, isto é, procuram fornecer a chave de leitura do bloco ou da perícope.

2.1.3. As notas procuram dar o significado central do trecho em questão. Não são notas de caráter técnico-crítico, e nem primeiramente exegéticas. A exegese do texto está pressuposta nelas. Sendo de cunho pastoral, abrem pistas para atualização do texto, provocando a criatividade de quem lê, possibilitando debates em grupos, ampliando a reflexão.

As notas estão divididas em grandes blocos, segundo a divisão do texto. Há uma nota para cada bloco e notas para cada uma das perícopes.

2.1.4. Há uma introdução para cada livro, curta, de uma página. O objetivo dessa introdução é o de situar o texto e oferecer as linhas básicas para a compreensão do livro em questão. Para cada conjunto de livros (por exemplo, os Evangelhos, ou as Cartas de Paulo) há também uma introdução geral, com os temas desse conjunto.

2.1.5. Além disso, o texto foi enriquecido com mapas, que ajudarão a situar melhor os leitores.

3. ESFORÇO CONJUNTO

A publicação da Bíblia Sagrada — Edição pastoral é um trabalho de fôlego. Mas para que o texto chegasse às mãos dos brasileiros o mais rápido possível, houve adesão para um esforço conjunto de Paulinos e Paulinas. O principal beneficiário desse esforço conjunto é o público que já pode ter um Novo Testamento moderno, rico de notas e bem legível, a preço bastante reduzido.

Um desenho artístico da autoria de Cláudio Pastro, artista sacro de renome internacional. O desenho retrata a caminhada para Jerusalém, com Cristo no centro da história. O logotipo sugere à Bíblia uma dimensão de perenidade: dia e noite ela está presente na vida da Igreja.

5. APROVAÇÃO ECLESIÁSTICA E APRECIAÇÃO

A CNBB, na pessoa de D. Albano Cavallin — Bispo responsável na CEP pela Linha 3 (Catequese) — após ter submetido o texto do Novo Testamento à análise e apreciação escrita de um biblista, conferiu o imprimatur ao Novo Testamento no dia 29.06.1986. Dessa apreciação, que chegou a nós por mãos de D. Luciano Mendes de Almeida, destacamos alguns trechos:

“...é exatamente este um dos grandes méritos do livro: ter conseguido a difícil síntese da simplicidade da linguagem com a exatidão dos termos. O linguajar é acessível até aos menos cultos, mas conserva um bom nível literário, sempre evitando termos e expressões vulgares, como convém à dignidade da Palavra de Deus. Assim sendo, o texto serve perfeitamente, não só para a leitura e meditação individual, mas também para reuniões e celebrações. Sua leitura é fácil e agradável”.

“O texto é aplicado à nossa realidade de povo oprimido que se organiza segundo uma práxis libertadora. Além disso, as notas possuem uma qualidade, presente também nos títulos: são com frequência questionadoras, estimulando a reflexão...”

“...É minha convicção que este trabalho está destinado a realizar um bem imenso em nossas comunidades. Sua teologia bíblica, orientada para uma pastoral libertadora, vem inaugurar uma nova fase na produção exegética brasileira”.

Conclusão

Com a publicação deste Novo Testamento (e posteriormente de toda a Bíblia Sagrada) Edições Paulinas conta com dois preciosos textos para leitores diversificados:

— a Bíblia de Jerusalém, voltada para quem deseja estudar a Bíblia;

— a Bíblia Sagrada — Edição Pastoral que, como o próprio título indica, tem o escopo de fazer com que a Palavra de Deus penetre, ilumine e oriente a caminhada das comunidades em nosso país.

De nossa parte cresce sempre mais a convicção de que o Novo Testamento — Edição pastoral, já à disposição do público brasileiro, além de seu caráter de novidade e singularidade, será um marco histórico para Edições Paulinas e para as comunidades eclesiais no Brasil.

----------------------------
Fonte: EDIÇÕES PAULINAS. “Novo Testamento — Edição pastoral”. O Cooperador Paulino, p. 4–6.