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D. Luciano diz que CNBB analisa polêmica sobre a Bíblia Pastoral (1990)


D. Luciano diz que CNBB analisa polêmica sobre a Bíblia Pastoral

Da Reportagem Local

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Luciano Mendes de Almeida, 60, disse ontem que a entidade “está analisando” a polêmica entre bispos e religiosos na imprensa sobre a Bíblia Edição Pastoral, lançada em abril pelas Edições Paulinas. A CNBB não é favorável a que os bispos discutam questões consideradas polêmicas na Igreja através da imprensa.

Mendes de Almeida é arcebispo de Mariana (MG). Ele falou à Folha por telefone, de Belo Horizonte (MG), onde se submete a sessões de fisioterapia, ainda em recuperação de acidente automobilístico sofrido em fevereiro.

A polêmica sobre a Bíblia Edição Pastoral foi motivada por duras críticas à sua tradução e interpretação feitas pelo bispo auxiliar de Recife (PE) d. João Evangelista Martins Terra, na semana passada. Ele afirmou que a tradução e os comentários da Bíblia Pastoral utilizam um vocabulário baseado na análise sociológica “de conotação preponderantemente marxista”.

O bispo divulgou um documento de 24 páginas onde critica a tradução. Ele disse ter elaborado o documento a pedido da Congregação Vaticana para a Doutrina da Fé. Vários cardeais da congregação recomendaram a publicação, segundo Terra. O bispo é perito da Comissão Bíblica Romana (departamento da Congregação para a Doutrina da Fé) e membro da equipe teológica do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). A Bíblia Pastoral recebeu o imprimatur (autorização para imprimir) da CNBB, através do bispo d. Vilal Wilderink, responsável pelo setor de catequese na entidade.

Mendes de Almeida informou que a CNBB dará “um parecer posterior” sobre o conteúdo da Bíblia Pastoral. O assunto será analisado pela Comissão Episcopal de Doutrina da CNBB. A comissão deve concluir o trabalho dentro de um mês, afirmou. O presidente da CNBB voltou de Roma na última quarta-feira, onde participou da 8ª Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos. O Sínodo (encontro mundial de bispos realizado a cada três anos) foi encerrado no final de semana.

Para Mendes de Almeida, um dos principais temas debatidos no Sínodo foi a “formação permanente” dos sacerdotes. “É preciso atenção especial e constante para a reanimação e renovação espiritual nos que já estão no ministério sacerdotal”, afirmou. Segundo ele, o número de padres hoje diminui em vários países “mas aumenta em outros”.

A proposta feita pelo bispo d. Valfredo Tepe, de Ilhéus (BA), de aproveitamento de sacerdotes casados em regiões onde faltam padres, “não foi adiante no Sínodo”, conforme Mendes de Almeida. As comunidades católicas, segundo ele, “devem ajudar no esforço para o aumento das vocações”.

(Gilberto Nascimento)

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Fonte: NASCIMENTO, Gilberto. D. Luciano diz que CNBB analisa polêmica sobre a Bíblia Pastoral. Folha de S.Paulo, São Paulo, 31 out. 1990.